Making Of Sem Travas

Sem Travas

Vamos xingar os políticos?


O pessimismo e a revolta contagiam as mentes dos brasileiros, que ainda não identificaram a “arma” capaz de obrigar os parlamentares a pensarem no Brasil e a promoverem amplas e profundas reformas. O jornalista Élio Gaspari entende que “só as ruas são capazes de salvar a Lava Jato”. Eu diria que as ruas já não atormentam os políticos blindados em Brasília.

A solução, sim, é desencadear a coragem de reagir. Os cidadãos, que desejam um Brasil renovado, inovado e de políticos éticos, precisam encorajar-se, esbravejar e não perdoar os políticos em qualquer lugar, quer no avião, restaurante, bar, nas ruas. Eles precisam sentir vergonha da sua classe e dele mesmo (caso seja corrupto) e não aceitar o jogo da blindagem parlamentar, o fisiologismo e o corporativismo nefasto. O achincalhamento é a grande arma. O parlamentar perderia a relação com seus eleitores, com o povo. E sentiria vergonha na cara. E, com certeza, se conscientizaria de que não pode mais ser conivente com a podridão alimentada por seu partido e as demais legendas. Mas também não pode deixá-lo criar outro partido. PLEASE!

  • A LISTA DE SHINDLER

Há uma analogia entre a Lista de Schindler, romance fantástico que revela o drama do empresário Oskar Schindler de salvar judeus da perseguição e morte pelo nazismo, e a Lista de Janot.

Schindler subornava oficiais nazistas pagando-lhes caro para salvar judeus, a ponto de perder toda a sua fortuna nessa difícil operação. Já o procurador da República, Rodrigo Janot, envia uma lista de 83 pessoas, citadas por delatores presos na Operação Lava Jato, que teriam recebido milionárias propinas para encarcerar o Brasil em podrião de negócios, que desviaram bilhões dos cofres públicos.

Com o fim da guerra, Schindler emocionou-se com a homenagem dos judeus. Com certeza, Janot também irá se comover se a guerra contra a corrupção terminar vitoriosa. A Lista de Janot desencadeia reações violentas por parte dos parlamentares, que pouco se importam com a moral, ética e saúde da Nação. Para eles, interessa o jogo de cartas marcadas, em que, para eles, não é difícil descartar os que estão conhecendo seus segredos de seu cassino.

Quem sabe a Lista de Janot precipite uma retomada de consciência política sobre a importância de a Nação ser passada a limpo e merecer uma constituição capaz de, sobretudo, aniquilar a impunidade.

A lista, contudo, sempre é temível. Mas, se Schindler venceu o poderoso nazismo, porque o Brasil não pode desblindar  Brasília?

  • POR QUE NÃO?

O discurso dos neoliberais muda de acordo com o vento eleitoral. Por que a Casan não pode vender 49% de suas ações na bolsa de valores? Ou até mesmo 52%? Por que não dar ao Estado uma estrutura que privilegie o social? Por que Santa Catarina necessita de mais de 50 secretarias? Quais as desvantagens provocaria a privatização da Celesc?

Não pode – isto sim – privatizar hospitais, escolas, segurança... Ao Estado cabe o significativo papel de construir uma sociedade equânime, combater a pobreza, a marginalidade de famílias e, principalmente, crianças e jovens. E a reestruturação do Estado passa, necessariamente, pela desestatização de empresas quje encarecem o bolso do cidadão. O será que uma Celesc enxuta, bem estruturada, sem gorduras em seu quadro pessoal, elevaria o custo da energia para o consumidor? Não acredito!

É preciso que essa análise e resposta fiquem bem claras em planos de estudos. Os neoliberais têm que assumir a sua ideologia e trabalhar por um Estado melhor estruturado e comprometido com o social.

  • MESMOS ERROS

Os erros cometidos por César Souza Júnior estão sendo repetidos pelo seu sucessor Gean Loureiro. Nomear gestores com competência técnica cedeu espaço à composição política.

Por quê? É impossível imaginar que um prefeito esteja refém de 24 vereadores. É possível acreditar que as duas dúzias de edis querem o bem da cidade. Logo, o prefeito tem que trabalhar um discurso coerente com a população, neutralizando vereadores corporativistas e fisiológicos. Só que Gean faz o anti-jogo. Quer compor primeiramente com vereadores primeiro.

A continuar nessa contenda, os resultados do desempenho de Gean não devem se diferenciar muito do seu antecessor.



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