Sem Travas

Se descomplicar, Gean terá sucesso


Se Gean Loureiro optar por uma gestão pautada em soluções fáceis de problemas que fazem a cidade ainda agonizar, com certeza os resultados serão otimizados, com boas perspectivas de o novo alcaide receber aplausos da população.

A mobilidade, sem dúvida, é um grande desafio, mas não de Gean. O problema é da Grande Florianópolis, e o governo do estado abraça a causa com um bom planejamento coordenado pelo ex-prefeito de Curitiba, cassio Taniguchi.

Florianópolis precisa se tornar numa cidade agradável, que motive a sua população a gostar de nela viver. E quais as dificuldades que Gean pode equacionar com soluções fáceis?

1 - Calçadas e calçadões. Ruas foram pavimentadas sem infraestrutura. Simplesmente o asfalto foi jogado sobre a terra, sem redes de água pluvial e muito menos calçadas. Pessoas driblam veículos sobre o asfalto porque não têm por onde caminhar.

E por que não construir calçadões? A Comcap, por exemplo, é proprietária dos melhores terrenos disponíveis no Balneário de Canasvieiras.

2 - Refúgio para ônibus. Quando um ônibus para, filas se agigantam, porque o coletivo só pode parar na pista para subida e descida de passageiro

3 -   Iluminação. Sem dúvida, Florianópolis é uma das cidades mais escuras do Brasil. E há duas universidades que trabalham com projetos de pesquisas em energia solar: UFSC e Unisul. Por que não investir, com a Celesc, na iluminação pública à base de energia solar?

4 -   Praças e parques. Se o ex-jovem alcaide César Júnior, ao invés de vender o belo terreno em Canasvieiras, tivesse construído nele um parque, com certeza o balneário, que se deprecia dia a dia, teria sido um pouco mais humanizado. É preciso pensar a cidade sob a ótica da humanização.

5 – Despoluição. A casan precisa parar de fazer campanhas publicitárias folclóricas e investir na despoluição dos balneários. Estamos há 20 anos numa luta sem fim para despoluir rios como o do Brás, em Canasvieiras, Capivari, de Ingleses, e tantos outros do Sul da Ilha. A prefeitura precisa adotar uma política permanente de despoluição de seus mares, rios, lagoas, riachos, etc. etc.

6 – Resgate cultural. Florianópolis não se constitui só de praia. A Ilha, por exemplo, é um grande manancial de culturas e, no entanto, continuamos com nossas histórias e artes escondidas em gavetões da memória. Podemos caracterizar verdadeiramente a cidade como Ilha da Magia, resgatando e valorizando as artes cultivadas por Franklin Cascaes, por exemplo.

Bem, há mais desafios, mas vamos parar por aqui antes que o novo alcaide fique nervoso.

  • O LEGADO DE KARAM

O médico Francisco Karam, que publicou livros incentivando o consumo de produtos naturais, isentos de agrotóxicos, morreu aos 97 anos. Uma de suas grandes particularidades foi a de ter exercido a medicina cultivando uma relação íntima com a cidade onde morou por muitos anos e faleceu: Videira. Ele era pai de duas jornalistas: Elisabeth, conhecida por Beth Karam, Miriam, que atua em Curitiba, além de outros filhos: Carmen, Paulo, Vera.

Francisco Karam deixa um legado importante à sociedade sobre a vida como tem que ser vivida.

  • DEIXA PRA DEPOIS

O Brasil é típico do país subdesenvolvido em que tudo se deixa pra depois. Ou se dá um jeitinho. E podem acreditar: nem a matança em penitenciárias de Manaus e de Rondônia – aliás, assassinatos ocorrem diariamente nas cadeias brasileiras – vai abreviar solução para o problema da violência. Nem Carandiru e não serão os próximos atos de violência.

Impressionante é a omissão dos políticos. Parecem que eles vivem em outro mundo. Ou disfarçam com um discursinho da tribuna legislativa ou simplesmente ignoram, até pelo fato de esse assunto dividir radicalmente a sociedade. Por incrível que pareça, há autoridades sugerindo que haja mais chacinas nas penitenciárias para reduzir o número de presos.

Um outro exemplo típico de “deixa pra depois” é o Detran de Santa Catarina. A sociedade pensava que o motorista com excesso de pontos negativos na carteira fosse automaticamente notificado. Não! Agora que o Detran faz um mutirão para notificar mais de 11 mil motoristas. E a imprensa engole isso como se fosse um processo normal.

  • NÃO CUSTA ALERTAR DE NOVO

Há estudos no Ministério da Justiça advertindo que o estado Santa Catarina poderá ser surpreendido a qualquer hora com chacina em penitenciárias. Quais as providências já tomadas?

  • PERGUNTAR NÃO OFENDE     

Os piratas do Caribe do século XVI usavam roupas pesadas em pleno verão? Com certeza, não.

Quando se vê os casquilhos dos veleiros, que partem do improvisado porto de Canasvieiras levando turistas para conhecer nosso litoral, dá um calafrio só em imaginar a temperatura do corpo comprimido em mais de 30 quilos de roupa malcheirosa (?).

E como se isso não bastasse, os “piratinhas” ficam a pular sobre tablados nos veleiros, ao som de sertanejos universitários, expelindo suor e divertindo turistas que ao longo da viagem não recebem informações eficientes sobre nossa história e o papel das nossas ilhas, como a de Anhatomirim, na invasão de espanhóis e no episódio entre a república e os federalistas.

A propósito, são comuns perguntas de turistas: o que há de mais atrativos na Ilha, além das praias? A resposta pode ser lacônica: sertanejo universitário.

  • ACREDITE SE QUISER

A prefeitura, com o apoio da sua guarda municipal, faz uma varredura para apreender produtos contrabandeados vendidos na cidade. Não precisa ir muito longe: faça um cerco na praia de Canasvieiras. E se não souber fazer cerco, consulte os pescadores de tainha.

Mas primeiro consulte a sua procuradoria, porque os gringos vendem contrabando nas praias com credencial fornecida pela própria prefeitura.



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