Making Of Sem Travas

Sem Travas

Rubens Alves e Floripa


Rubem Alves publicou, em 2.03.2010, na Folha de S. Paulo, uma crônica em que declara seu amor a Floripa “para onde quero me mudar”. Mas enquanto ela se chamar Florianópolis – assegura Rubem -, “não serei inquilino da Ilha”. Ele lembra, na crônica, o fuzilamento na Ilha de Anhatomirim de inimigos da República, por ordem do “marechal de ferro”, apelido de Floriano Peixoto, homenageado pelo governador Hercílio Luz ao trocar o nome Desterro por Floriano (polis).
 
Rubem Alves termina a sua crônica assim: “Quero me mudar para a dita cidade. Mas não me dou bem com o seu nome. No dia em que a capital passar a ser oficialmente chamada de Floripa, cidade das flores, então eu me mudo...”.
 
Rubem Alves morreu quatro anos depois, em 19 de julho de 2014, dois meses antes de completar 81 anos de idade.
 
Intelectual polivalente, Rubem foi psicanalista, extremamente religioso, pastor presbiteriano, autor de várias publicações religiosas, além de belas crônicas e obras infantis, e um dos fundadores da Teologia da Libertação”. Autor de uma frase muito forte:
 
“Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só veem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si.” 
 
Humilhação 
 
A última revelação de Emílio Odebrecht à Lava Jato é revoltante, humilhante e faz o brasileiro desacreditar da justiça. O bilionário Emílio, que vive em Portugal, confessou que só suspendeu as atividades do departamento de propina da Odebrecht em 2015, quando seu filho Marcelo foi preso. Ou seja, independente da Operação Lava Jato, Emílio teria mantido a usina de propinas se seu filho não tivesse  ido para a cadeia.
 
O seu Emílio deve voltar em breve para a sua mansão em Portugal, com a convicção de que nada acontecerá a seu filho. E muito menos a ele, que com ironia, gargalhadas e arrogância participou das delações.
No país da impunidade, o seu Emílio tem liberdade para gargalhar diante de juízes.
 
E como será em 2018?
 
Com a revelação de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, de que dificilmente a corte terá tempo para julgar todo os processos da Lava Jato, podendo grande parte das ações prescrever e inocentar denunciados, as eleições de 2018 devem repetir os mesmos esquemas de falcatruas, com caixas 2, 3 etc. Etc.
 
O STF tem condições sim de julgar todos os processos, se montar uma força-tarefa, convocando juízes e até mesmo desembargadores.
 
Querer não é poder. Será mesmo? Mas basta querer em nome da urgente moralização da Nação.
 
E o que fizeram os uruguaios?
 
Os turistas uruguaios, que lotaram o litoral catarinense nesse feriadão, circularam bem mais que se sentaram nas areias das praias. O tempo não ajudou, mas os uruguaios descobriram o que as cidades da Grande Florianópolis escondem: águas termais, museus (embora precários), serra, vida campeira, artesanatos, enfim, muita coisa boa que o catarinense desconhece.
 
SC faz turismo por acaso. A desordem é do tamanho da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, cujo olhar está concentrado, periodicamente, em Balneário Camboriú.
 
Mais uma tentativa
 
Será instalada a Rede de Monitoramento Cidadão de Florianópolis, cujo objetivo é trabalhar pela transparência e participação social e avaliar as políticas públicas.
 
Bem, trata-se de mais uma experiência a ser lançada. Mas o que falta mesmo é o poder público fazer acontecer um projeto capaz de transformar a capital em uma cidade humana, atraente, limpa, florida, de cultura valorizada, passeios sem buracos, bem iluminada, enfim, uma cidade aplaudida por seus moradores.
 


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