Making Of Sem Travas

Sem Travas

Por que a nação é recheada de nódoas?


Quando se fala em político, um sinônimo ganha uniformidade em toda a Nação: corrupto. A palavra favela lembra tráfico de drogas. Penitenciária sugere bandidagem. Enfim, um escândalo dissemina-se contaminando toda a classe. E por que não há mais distinção? A única resposta compreensível é a de que a Nação perdeu a autoestima, enquanto a confiança nos poderes zerou completamente.

O segmento do governo que desfruta de confiança é o da Polícia Federal, que deflagra operações todas as semanas, no combate intenso à corrupção que inunda o Brasil.
As operações não ficam em segredo entre a PF e o Ministério Público. Em questão de horas, alcança aplausos da população através da comunicação de massa. E por que a PF faz questão de divulgar? Ou o vazamento não tem o aval da Polícia?

A explicação aceitável é de que a PF desconfia das reações dos três poderes, que conseguem abafar ou neutralizar operações, desde que não cheguem primeiro ao conhecimento da Nação.

Mas quais os efeitos nocivos à Nação?

Quando a nódoa é disseminada aleatoriamente, atingindo gregos e troianos, os efeitos da contaminação são extremamente perversos, porque inocentes pagam pelos criminosos. Na Europa, quando há denúncia contra um, duas ou mais organizações, o foco se limita elas, para evitar que outras empresas da área sejam indevidamente atingidas pela infamação.

Se todos os políticos fossem corruptos, com certeza a democracia brasileira já estaria numa desordem institucional fora do controle, e a Nação sujeita a sucessivos golpes de ditadores. Da mesma forma, não se pode generalizar em relação a milhares de famílias decentes que moram em favelas e confundidas com traficantes e consumidores de drogas.

O último episódio, resultante da operação carne fraca, praticamente pôs no mesmo saco todas as empresas que produzem carne de boi, frango e de porco, como se uma máfia estivesse dominando o agronegócio brasileiro.

Como mudar esse cenário?

No momento é muitíssimo difícil.  Para a Nação recuperar a sua autoestima, é necessário primeiro que os três poderes, que constituem o governo, readquirem a confiança da sociedade. Se pelo menos o poder judiciário desfrutasse de confiança, o caminho seria mais curto. Mas, infelizmente, Brasília também virou sinônimo de bandidagem. E olha que o Distrito Federal tem 2,5 milhões de habitantes, para cerca de 80 mil inquilinos palacianos. A imagem generalizada corrói o tecido social e econômico da Nação, que perde a noção dos conceitos de ética e de moral.

  • DADOS ASSUSTADORES

O relatório do Instituto Comunitário da Grande Florianópolis, bem descrito pela jornalista Ângela Bastos, hoje no DC, revela números assustadores e alerta a Capital, principalmente, para graves problemas envolvendo jovens e crianças. Uma entre cada grupo de sete crianças está vulnerável em ambientes de pobreza e abandono, onde vivem cerca de 67 mil pessoas. Somente em 2015 morreram 600 jovens na região metropolitana.

O Instituto apresenta alternativas de solução que já discutimos neste espaço, entre as quais a criação de áreas de lazer, parques, mais creches – há, só no norte da Ilha, mais de mil crianças à espera de vagas.

Sugerimos, recentemente, que a prefeitura executasse um projeto piloto de humanização das favelas, começando por Siri, em Ingleses. Com certeza, crianças e jovens estariam ingressando em um processo de enxergar um futuro melhor e de viver com dignidade.

O relatório do Instituto precisa acordar, sacudir a prefeitura, no sentido de obriga-la a correr contra o relógio. Ainda há tempo de salvar tantos jovens e crianças.

  • O BILIONÁRIO FILANTROPO

David Rockefeller, o bilionário mais antigo do mundo, morreu ontem aos 101 anos, nos EUA. É oportuno lembrar que em 2015 ele comemorou o seu centenário doando quatro mil quilômetros quadrados de terra para o Acadia Nacional Parque, no Maine, cercado de rios, cachoeiras, montanhas etc.

  • CENA COMUM

De um brasileiro cético: “Nós vimos pela TV o senador Jader Barbalho algemado, sendo preso e enviado para a Amazônia, sob a acusação de ter desviado quase R$ 1 bilhão da Sudam e do Banco do Pará. Hoje, ele continua senador”.

  • RIGOR NA APURAÇÃO

Um dos homens mais inteligentes de Santa Catarina, o agrônomo e professor Glauco Olinger, 94 anos, só vê uma solução para a crise no agronegócio, depois da operação Carne Fraca: “Identificar e fechar os frigoríficos que cometeram crime, prender seus executivos e os políticos envolvidos, para não denegrir a imagem de um setor industrial que é modelo para o mundo”. E conclui:

"Se houve patifaria foi depois da produção da carne, já no processo de comercialização. O ambiente de produção de carne nos frigoríficos é rigorosamente higiênico, tanto quanto o de um hospital”.



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