Sem Travas

Impasse e estratégia


O governador já discutiu a dimensão do “princípio de incêndio” no PMDB, provocado pela iniciativa de Eduardo Moreira de insistir com o prefeito Udo Döhler, de Joinville, para ser candidato ao governo em 2018. A reação do senador Dário Berger e de outros integrantes do partido, em defesa da candidatura de Mauro Mariani, colocou a legenda em curto-circuito.

No PDS, a estratégia é aproveitar esse impasse no PMDB para avançar com a candidatura de Gelso Merísio. Fala-se na cooptação de cerca de 10 prefeitos peemedebistas para a legenda do governador.

  • CRISE DE COMPETÊNCIA

O grave e epidêmico problema da gestão pública brasileira é a crise de competência, produzida justamente pelo corporativismo e fisiologismo político-partidário, que transforma os cerca de 1.8 milhão de cargos públicos (federais, estaduais e municipais) em balcões de negócios eleitorais. É o caso, por exemplo, do prefeito Gean Loureiro, que prometeu preencher os cargos comissionados da prefeitura de Florianópolis somente por competência técnica, mas acabou nomeando até políticos citados em processos judiciais.

O problema é tão grave e impactante que a gestão pública, em todos os níveis, é refém dos dirigentes comissionados, que regem a orquestra de acordo com os interesses do seu partido. Com isso, comprar medicamentos para hospitais, merendas para escolas, consertos e reparos em patrimônio público são tarefas emergenciais do serviço público, só consegue minimizar problemas depois de denúncias feitas pelas mídias tradicionais e sociais.

Não há uma partitura administrativa capaz de fazer a estrutura pública funcionar como uma organização exemplar. Por que o Hospital do Câncer funciona bem? É porque a gestão é de uma fundação de direito privado, assim como as universidades comunitárias, criadas por leis municipais, portanto, públicas, mas com gestão privada.

Por que o professor é mal remunerado no Brasil? Porque não há uma política educacional, assim como também minguam os profissionais de saúde, da segurança, etc.

O serviço público é demasiadamente desorganizado, obeso e desnutrido porque é o combustível que move a política partidária brasileira. No dia em que acabarem com os cargos comissionados, profissionalizarem as estruturas públicas, o número de partidos políticos desaba para, no máximo, cinco, porque o combustível vai faltar.

  • REFÉM DO LEGISLATIVO

Na verdade, a Constituição de 1988 tornou o executivo refém do legislativo. Tudo que um presidente da República pensa em fazer precisa da benção do Congresso Nacional. Por isso, entre o executivo, o legislativo e o judiciário instalou-se um gigantesco balcão de negócio. E isso acontece também em níveis estadual e municipal.

  • CRISE DE LIDERANÇAS

A Constituição de 1988 realmente deu ao legislativo um poder incomensurável para negociar, mandar e contaminar as essências democráticas. Por isso, o político tornou-se uma figura odiosa no Brasil, mergulhado na descrença. A situação política é tão grave que o deputado extrema-direita Jair Bolsonaro promete, se eleito presidente da República em 2018, dar aos militares 50% dos ministérios e usar a violência para combater a violência, e ainda desafia a justiça e a imprensa de tentar impedi-lo.

Por que Bolsonaro realimentar esse discurso? Justamente para ir ao encontro da grande massa social, descrente com os rumos da Nação. Bolsonaro aproveita a complexa situação política para prometer ao povo austeridade e mão de ferro, usado quepe e pegando em armas.

Esse contexto enigmático e de riscos extremos decorre da escassez de lideranças capazes de contrapor ideias, projetos e propostas. Os políticos estão mergulhados em uma roda vida contaminada de drogas que os entorpecem numa redoma, em que a alucinação eleitoral projeta-os num esparrame e ostentação nutridos pela ambição.

Explica-se, assim, o motivo pelo qual o Congresso Nacional parou ontem – e com certeza hoje também – para aguardar a “lista de Janot”, em que o procurador da República, Rodrigo Janot, deve pedir ao STF autorização para processar mais de 80 políticos, em complementação à operação Lava Jato.

Os parlamentares vão se unir para uma blindagem, atacando o ministério público, juízes e até mesmo o STF. O legislativo tem o poder concentrado de fazer e mudar leis. Logo, os parlamentares mandam no Brasil, com a conivência de ministros do STF, que temem  ser desmoralizados pelo Congresso ou, tudo indica, porque estariam reféns de segredos políticos que os teriam guindados ao Supremo.

Infelizmente, a Nação está enferma, na mira e ações de bisturis tomados de bactérias.



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