Sem Travas

Engarrafamento e a burrice


Florianópolis é uma cidade engarrafada pela falta de uma engenharia de trânsito competente, capaz de planejar no dia a dia cada ponto de estrangulamentos. Vamos a exemplos típicos:

Os ônibus quando param em qualquer rua do centro e dos bairros provocam engarrafamento, porque simplesmente não há refúgio que, além de manter o fluxo no trânsito, daria maior segurança ao usuário no embarque e desembarque. Se houvesse planejamento, os novos edifícios em construção nos balneários teriam deixado espaço para pontos de ônibus. No Sul da Ilha, até na SC-405 os ônibus param na pista.

Na SC-401, a ausência de planejamento do trânsito responde também pelos engarrafamentos. Só a Polícia Rodoviária Estadual desconhece os pontos de estrangulamento. E se conhece, faz vistas grossas.

Além do afunilamento no acesso a Jurerê, na rodovia Maurício Sirotsky Sobrinho os veículos param na entrada do balneário internacional porque a prioridade – muito claro – é de quem trafega na rodovia. Mas a PRE poderia estar presente para dar vazão à maior demanda. Como ele tem sido omissa, o engarrafamento se inicia lá na entrada de Jurerê Internacional e termina no cemitério Jardim da Paz.

Infelizmente, só se vê viaturas da PRE para socorrer acidentes ou instalar radares de multa. Aliás, fica muito difícil querer planejar o trânsito em rodovias estaduais com o Deinfra.

  • PERPLEXIDADE

Quando se passa pelo posto policial da PRE, em Ratones, na SC-401, surge automaticamente uma pergunta: será que eles não estão vendo o engarrafamento? E por que não fazem nada? Não adianta? Ou será que a verdadeira causa é o calor sufocante?

  • SAUDADES DO DER       

Sim, o Departamento de Estradas de Rodagem, antecessor do Deinfra, não era apenas um órgão de planejamento de rodovias e de fiscalização. Era uma organização de execução, com seus batalhões atuando em construção e recuperação de rodovias. O então ensaboado presidente Collor de Mello extinguiu o DNER - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem sob o argumento de que precisaria acabar com a corrupção. E foi ele cassado por corrupção. Hilariante! Sob efeito cascata, os DERs também foram extintos. Somos ainda uma federação com modelo de capitanias hereditárias.

Hoje, o Deinfra só administra obras contratadas e não é sem motivo que buracos estão disputando espaço na SC-401.

  • BRIGA FEIA

Vamos acompanhar o desenrolar dos episódios da briga dos supersalários. O jovem alcaide Gean tem razão, mas até onde a justiça lhe dará suporte? Salários de procuradores municipais, por exemplo, têm como referência os dos desembargadores.

A propósito, instituiu-se no Brasil, durante o regime militar, o chamado efeito cascata. Por exemplo: o aumento dado a senadores da república repercute até na remuneração de funcionários das mais de 5 mil câmaras municipais. Da mesma forma, os salários de ministros do STF, presidente da república, etc.etc.

As únicas funções que não são beneficiadas pelo efeito cascata são da saúde e educação.

Mas, voltando aos supersalários, tentaram bloquear os super, super, supersalários na Assembleia Legislativa. E os de juízes e promotores?

Há um ditado no Brasil que virou lei: supersalário é direito adquirido. E pronto!

Para derrubar esse ditado “constitucional”, o STF teria de impor limites aos salários com base no que ganham o presidente da república, o governador do estado e o prefeito municipal.

Mas onde fica o corporativismo? É justamente o que dá suporte ao ditado “constitucional”.

  • E A COMCAP?

Correta a decisão de caracterizar uma intervenção na Comcap, até porque essa empresa vem cambaleando há muitos anos a um custo muito alto para a cidade. Precisa, sim, de um saneamento estrutural e financeiro urgente, para ganhar fôlego e crescer com qualidade e autossuficiência.

  • A INJUSTIÇA SOCIAL BRASILEIRA

O descalabro social brasileiro expressa-se no discurso do ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, que, em sua soberba, tomou duas providências rotineiras ao saber da chacina na penitenciária de Manaus: oferecer apoio da Força Nacional e sugerir transferência de presos para presídios federais.

Já disseram ao ministro que o Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde ocorreu a chacina, tem gestão privada desde 2014 e que recente vistoria denunciou que havia 1.224 presos para 454 vagas?

Será que Alexandre de Moraes sabe o significado de cidadania?

Justiça e Cidadania são termos aplicados equivocadamente no Brasil. São compreendidos apenas sob a ótica da segurança, quando o correto seria o governo desencadear um processo, através de um pacto com estados e municípios, visando à humanização dos bairros. O Brasil supera a Índia e bolsões de pobreza. Favelas no Rio de Janeiro concentram mais de cinco milhões de pessoas, onde novas gerações se criam em ambiente de criminosos.

Veja Florianópolis, que já está assustadoramente em zona de risco, de vulnerabilidade que impede a polícia de entrar no mínimo em quatro favelas só de Florianópolis.

Enquanto não se pensar em soluções sociais, a segurança brasileira, sem contar com a segurança privada, vai se tornando em estruturas caríssimas, de causar inveja a países em guerra.

  • SÓ PODE SER

Dizem as más línguas que o jovem alcaide está em silêncio sepulcral em relação às mudanças introduzidas no IPTU por seu antecessor, em função dos cofres vazios. Só vai falar depois de quinta-feira, prazo para o pagamento em conta única.

Vamos e convenhamos: antecipar o pagamento do IPTU em dois meses significa uma “traição”. O cidadão, habituado a planejar seu orçamento, prevendo o pagamento do IPTU em março, é obrigado a mudar tudo, por uma única causa: a bagunça que se instituiu na gestão municipal de Florianópolis.



Receba Novidades da
Making Of por email! Cadastrar email