Sem Travas

E agora, Gean?


As dificuldades financeiras representam muito pouco em relação aos grandes desafios do prefeito que começa a governar.

Uma turista gaúcha, casada há 9 meses, é morta ao entrar por engano em uma rua comandada por traficantes, no Norte da Ilha. Essa cena parece ser carioca, mas não é. Simplesmente é de Florianópolis.

E sabe, você leitor, o que isso representa?

Estamos na rota do Rio de Janeiro, cuja causa da violência é, sem dúvida, o abandono social. Florianópolis segue o mesmo roteiro em razão de alguns de seus bairros estarem abandonados, alguns dominados por traficantes. E as pessoas acham que a solução é aumentar o efetivo policial. Não!

É urgente a ação da prefeitura no sentido de humanizar essas áreas que a polícia considera de risco, mas que, no fundo, são abandonadas pelo poder público.
O descontrole social em Florianópolis define um futuro catastrófico para a Ilha e Continente.

  • REDUZIR A MÁQUINA. TÁ DIFICIL, NÉ GEAN?

É imprescindível um pacto por Florianópolis. Tanto o executivo quanto o legislativo da cidade precisam abrir mãos dos exageros político-eleitorais. Se o vereador se limitasse a legislar, nos parâmetros que estabelecem a constituição, com certeza não necessitaria de estruturas avantajadas. Bastariam um assessor e um salário compatível com a função. Antes de 1965, o vereador recebia jetom por reunião. Mas o marechal Castelo Branco, primeiro ditador do último período de domínio militar, instituiu salário e mordomias, para fazer média e buscar apoio político ao regime.

O prefeito consegue governar melhor com quatro secretarias municipais, além de subprefeituras nos bairros, cujos titulares deveriam ser eleitos pelas suas comunidades. A proposta do vereador Pedrão, que obrigaria o vereador a renunciar ao mandato para assumir cargo no executivo, teria sido uma medida moralizadora, se não fosse o corporativismo político-eleitoral da maioria dos edis.

  • GRANDE GRANDO

Sérgio Grando teve uma participação expressiva na política de Santa Catarina, ao inovar com um novo estilo, buscando credibilidade à esquerda ideológica. Conseguiu reunir um grande número de partidos para se eleger prefeito, dando prioridade a causas sociais, como pescadores, feiras livres – criou o programa direto do campo – e deu aos moradores dos morros condições de transporte. O ônibus passou a circular no Morro da Cruz, por exemplo.

Grando cometeu dois pecados como prefeito: liberou a construção do centro de convenções no aterro da Baía Sul, e transferiu moradores da favela de Canasvieiras para uma área improvisada na Vargem da Cachoeira, cujo projeto poderia ter tido sucesso se houvesse investimento em infraestrutura social.

Contudo, Sérgio Grande é um nome em condições de ocupar um lugar de destaque na política de Florianópolis, pela sua performance e dignidade.

  • PERGUNTAR NÃO OFENDE

Afinal, quanto custou o réveillon deste fim de ano, pago pelos empresários? Com certeza deve ter custado menos da metade do valor desembolsado no ano passado pela prefeitura. E 95% menor que aquele final de ano em que uma árvore de natal não saiu por menos de R$ 2 milhões e que ainda rende processo na justiça.

  • REAÇÃO DE SALVARO

O prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, desatou o nó da sua garganta numa entrevista a uma emissora local, apenas com uma pergunta:

- Por que o meu antecessor Márcio Búrigo pagava cerca de R$ 8 mil à sua secretária na Prefeitura se em suas empresas uma secretária do mesmo nível não ganha mais de R$ 1.500,00?

Com certeza, o nó foi para a garganta de Búrigo.



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