Sem Travas

A propaganda equivocada


A provocação que faço a seguir é no sentido de desencadear reações de todas as naturezas, visando, sobretudo, a colocar na mesa de discussão problemas seculares, diante dos quais nós sociedade habituamo-nos apenas a se espectadores.

O nosso estimado amigo jornalista Osmar Schlindwein, diretor por muitos anos do saudoso jornal O Estado, coloca no facebook sua crítica fundamentada a respeito da propaganda do governo. E sugere que pelas delícias do Estado de Santa Catarina, espocadas pelo governo na campanha publicitária, deveríamos, enfim, gozar nossas férias e licença prêmio.

Esse estilo de campanha de governo está vencido, amarelado e precisa mudar rapidamente. Ou quem sabe um parlamentar proponha mudanças na lei para coibir o fantasmagórico e exageros nos conteúdos elaborados por publicitários.

Por que não usar o dinheiro da campanha – que não é pouco – para estimular a autoestima dos catarinenses, exibir nossas riquezas naturais, nossa cultura, nosso hino, enfim, mostrar aos catarinas que a nossa singularidade não é a ação do governo, mas o legado dos imigrantes, a nossa cultura, nossa riqueza natural inigualável em nível de América Latina, etc. etc ?

Aí vai a primeira provocação. As agências de publicidade – e não cito exceções – têm apenas o olho financeiro e a meta de alcançar resultados para o chefe-mor do serviço público. Já numa empresa privada, o resultado precisa acrescentar algo à performance da organização no mercado. Por que com dinheiro público o objetivo é apenas político-partidário, para não dizer eleitoral?

A arguição de agência pode vir carregada do mesmo vício: o governador precisa alcançar índices de popularidade, etc. etc para sustentar-se na densidade eleitoral. Sim, e daí? Gostaria de ver uma pesquisa mostrando quantos catarinenses conseguem compreender o recado publicitário de campanhas como a que está no ar, recheada de equívocos.

No momento em que SC, a exemplo do restante do Brasil, enfrenta uma crise, não é para jogar confetes no governo e sim unir o Estado no sentido de produzir sinergia capaz de buscar alternativas para superar as dificuldades. Integrar o povo na compreensão e busca do problema proporciona, sem dúvida, maiores ganhos eleitorais confiáveis do que bajular o político.

Os marqueteiros e os donos de agências publicitárias precisam investir na qualidade de seus serviços em nível de inovação e valorização de seus produtos. Se a agência mostrasse ao governo que os resultados de uma campanha publicitária proporcionariam maiores dividendos se as peças visassem à valorização do Estado e não do governo, com certeza o seu trabalho ganharia repercussão, com direito a prêmio nacional. Até porque não dá mais para manter governo no pedestal em um Estado que se nutre do trabalho do seu povo e não das benesses públicas.

Afinal, já atingimos o 17º ano do novo século. E ainda insistimos com os mesmos vícios do século XX.

  • INUSITADO

Simplesmente inacreditável. Dois deputados do PSDB, Leonel Pavan e Vicente Caropreso, ignoram o apelo do seu partido e aceitam a oferta do governador Raimundo Colombo, para eles assumirem as Secretarias do Turismo, Cultura e Esportes e da Saúde. Aliás, Colombo, com a morte de Luiz Henrique da Silveira, consegue aglutinar as forças rivais do PMDB e do PP dentro do seu Governo, e  tantas outras siglas, inclusive da esquerda. O silêncio do Dudu Moreira deve refletir na anuência do PMDB à estratégia do governador.

E, como fato inusitado, os líderes do PSDB, Paulo Bauer e Marcos Vieira, vêm a público dizer que o seu partido não está no governo e que Pavan e Caropreso contrariam a orientação do partido. Simplesmente hilários!

Os políticos são tão criativos e ao mesmo tempo abstratos que acabam judiando e emporcalhando o teatro da democracia brasileira. Todos os dias há peças novas e nunca se viu tanta criatividade com essência de pobreza e humor negro. Só que a plateia, ou seja, o povo, é incapaz de rir.

  • VIRADA DE ANDRINO

O ex-deputado, ex-prefeito e empresário Édison Andrino deu uma virada surpreendente. Famoso na cozinha pelos seus pratos típicos – curvina ao molho de marisco e tainha escalada na brasa -, Andrino decidiu abraçar um novo cardápio: carne de ovelha ao molho de mirtilo.

Uma das causas é que ele se cansou da política. Realmente, respeitável mané Andrino, é preciso mudar e muito. Contudo, curvina e tainha também não combinavam com políticos.

  • E AGORA?

O governador acertou ao escolher o ex-reitor da UFSC, Rodolfo Pinto da Luz, para presidir a Fundação Catarinense de Cultura. Resta saber se o secretário Leonel Pavan, a quem está subordinada a FCC, vai deixar Rodolfo trabalhar com vontade, determinação e competência, da mesma forma como colocou a educação básica de Florianópolis entre as três melhores do Brasil.

  • SOCIEDADE LÍQUIDA

Com a morte, anteontem, do grande pensador Sygmunt Bauman, amplia-se a discussão de um dos temas polêmicos que ele arguiu com competência e singularidade. O mundo pós-moderno tinha solidez, com ideologia e as tradições, em que as experiências dos pais, por exemplo, eram absolvidas pelos filhos e a igreja a referência do comportamento humano, hoje pautado quase que somente nas leis e nos princípios éticos.

O mais interessante nesse estudo de Bauman é que realmente perdemos o sentido de se pensar e fazer a longo prazo. Os próprios países tinham planos e estratégias. Agora, tudo é hoje; tornou-se líquido, fazendo se derreter a plataforma sólida do pós-moderno. Imagine, Putin, da Rússia, ajudou a eleger o extrema-direita Trump!



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