Sem Travas

A prepotência do poder


A presença do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao lado do presidente Michel Temer, no avião que os levou a Portugal, pode não significar nada para a maioria dos brasileiros, quem sabe por não alcançar a dimensão das relações dos poderes brasileiros. Mendes é o relator do processo que julga se as contas das eleições de Dilma e Temer devam ou não ser desmembradas no processo judicial que denuncia a influência de muito dinheiro de empresários.

Madame de Stael, com seu espírito iluminista, dizia que os homens que estão no poder acreditam que o presente é infindável. Os encastelados de Brasília sabem o que fazem para conservar o poder e conseguem abafar com facilidade os episódios, justamente porque a reação do povo não tem sido política, mas uma revolta circunstancial, um lampejo de moral, provocando uma levíssima dor de cabeça nos inquilinos do palácio, que se quer precisam de medicação.

O poder torna-se tirânico com a ausência da moral. Gilmar Mendes tem outro conceito de moral; ele se impele com o seu próprio princípio da arrogância do poder. Danem-se quem o julga de imoral, porque, mesmo livrando Temer do processo, a sua arguição jurídica convencerá muitos jornalistas de que ele tem fundamentação teórica. E pronto!
O dramaturgo espanhol Molina tinha uma frase, há mais de quatro séculos, que se encaixa no Brasil do século XXI: “o poder imita o raio: ofusca e mata ao mesmo tempo”.

O poder enche os homens de soberba, imergindo-os no delírio. Vivemos, sim, ofuscados pelos poderes de Brasília, que a cada dia matam as boas células da democracia. Gilmar Mendes é um exemplo de que tão cedo os donos dos três poderes do Brasil deixarão de impor suas ambições, conchavos e atos de libertinagem. Querem um exemplo de estratégia golpista? O regimento interno da Câmara Federal proíbe a reeleição do seu presidente, mas Rodrigo Maia, numa articulação com Michel Temer e membros da corte judicial, vai continuar presidindo o legislativo, para justamente aprovar as reformas que podem dar fôlego ao governo.

  • JORNALISMO EMBRIAGADO

Que me ajudem os companheiros dos anos 70 e 80, principalmente os que contribuíram à transformação de O ESTADO em um dos melhores jornais do sul do país, nesta interpretação:

A sensação é de que a maioria dos profissionais de imprensa está embriagada no tempo pela sensação de beber e beber na velocidade instituída pela tecnologia. Infelizmente, não há como nos deliciarmos um porre. É necessário saber apreciar a informação, agora com uma boa dosagem de conhecimento. Precisamos parar com urgência com o vício de querer experimentar ao mesmo tempo todas as bebidas e fugir à alucinação provocada pela tecnologia veloz.

  • APOSTAR PARA ACREDITAR

Gean Loureiro inaugura um novo estilo de governar Florianópolis, fugindo à burocracia e atacando de frente os problemas. Está certo! Um gestor público não pode descentralizar de forma a apenas responsabilizar os assessores por tudo. Não!  Prefeito precisa de uma agenda que o permita ver e sentir o tempo passar mensurando, a cada hora, os resultados.

Vamos aguardar para saber se esse fôlego resistirá o quadriênio.

  • PERGUNTAR NÃO OFENDE:

O ex-jovem alcaide César Júnior se sente aliviado por deixar o imensurável “pepino” da prefeitura, ou está à base de analgésico para curar as dores da alucinação do poder, que não o permitiu cumprir o seu planejamento de governo?

  • INDAGAÇÃO DO TURISTA

Onde posso levar meus filhos, além das praias? A resposta parece aquela automática, a da publicidade do posto Ipiranga: logo ali, no shopping. Sim, Florianópolis tem um número de shopping desproporcional às áreas de lazer, que a caracteriza como uma cidade despreparada para a competição e atração dos milhões de turistas que passeiam todos os dias na América Latina.

  • AGORA, QUEM SABE

Cacau Menezes criticou, em sua coluna, a Comcap por estar coletando lixo na praia quando as areias estão tomadas pelos turistas. Quem sabe agora a empresa se convença da necessidade de se adequar, pelo menos, ao movimento de verão.

  • TÁ FEIO PARA O DUDU

A decisão estratégica do senador Dário Berger, de abrir mão da disputa ao governo em 2018 e apoiar o deputado Mauro Mariano, foi apenas o primeiro ensaio para a “jovem guarda” assumir o poder dentro do PMDB. O vice-governador Dudu Moreira parece não ter mais as rédeas do partido nas mãos. Pelo menos Dário esboça um sorriso malicioso ao ser questionado sobre essa nova realidade do PMDB.



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