Making Of Sem Travas

Sem Travas

A nova república


O Brasil novamente desconstruído. O império acabou nas mãos de uma ditadura, a República da Espada, do Marechal Deodoro e do seu vice marechal Floriano Peixoto, o mão de ferro que baniu à força a resistência federalista, inclusive em Desterro, onde mandou matar líderes políticos na Ilha de Anhatomirim.  Depois veio a República Café com Leite, liderada por Campos Salles, beneficiando as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, produtoras de café, açúcar e leite. Esse ciclo morreu com a ditadura de Getúlio Vargas, que promoveu reformas radicais para tirar o trabalhador do regime escravocrata, apesar de o escravismo ter sobrevivido até os anos 90. Com a queda de Vargas, surge a República Populista, com marechal Eurico Gaspar Dutra, novamente Getúlio Vargas, que se suicida, Juscelino Kubitschek e se encerra com Jânio Quadros, que renúncia e dá início a um processo truculento, com o parlamentarismo, depois o presidencialismo de João Goulart e, em seguida, o golpe militar que durou 21 anos.

A sexta e nova República inicia-se em um turbulento processo. Os militares impõem a eleição indireta para a volta dos civis ao poder e Tancredo Neves é o candidato, mas morre antes de assumir. José Sarney, civil de quepe e líder da Arena (partido dos militares), ingressa no MDB para ser vice de Tancredo. E assume o governo, em uma desastrosa gestão. Collor de Mello é o primeiro eleito pelo povo depois da ditadura, mas é derrubado por um impeachment. Itamar Franco, o vice, assume e conserta a economia. Depois vêm Fernando Henrique, Lula, Dilma e agora Temer.

Não há dúvida de que a Nação caminha para a sétima república, a República Lava Jato, que tenta oxigenar a Nação contra as facilidades de se roubar dos cofres públicos. Mas não é fácil. Contudo, a sociedade acredita que as operações nacionais e estaduais vão ganhar reforço com a adoção de políticas municipais anticorrupção, capazes de também mandar para a prisão o funcionário do quarto ou quinto escalão que recebe propina em troca da liberação de alvarás, de certidão, etc.

Mas, para que a República Lava Jato aconteça, é necessário primeiro haver a consciência dos políticos de que os acusados precisam deixar o poder e o Congresso promover reformas profundas, no sentido de “lipoaspirar “ o quadro partidário, criar leis severas contra a corrupção, acabar com a reeleição, reestruturar os tribunais de conta, autonomia total à justiça, com critérios transparentes e democráticos de indicação de ministros do STJ e STF.

Enfim, as estruturas públicas precisam ser profissionalizadas, com o fim dos 1,5 milhão de cargos comissionados existentes em todo o Brasil, e modernizadas, para que o cidadão desonesto não encontre mais brecha para roubar dos cofres públicos.

  • SC DEVERIA DAR EXEMPLO

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina deveria constituir um grupo de trabalho com a incumbência de propor medidas severas de combate à corrupção com dinheiro público. A menos, é claro, que os parlamentares não tenham interesse de colaborar com a operação “Brasil Limpo”. Os prefeitos que apoiam as iniciativas de combatem à corrupção, deveriam, da mesma forma, criar mecanismos de defesa dos cofres municipais e acabar com esse princípio chulo de que necessitava contar com políticos em sua estrutura de secretarias para poder viabilizar seu governo. Quando os governantes começarem a pensar na sociedade, ao invés de promover costuras políticas, com certeza os resultados serão extremamente benéficos para a sociedade.

  • ELEIÇÃO

Se houvesse eleições gerais este ano no Brasil, os resultados seriam altamente benéficos para a reconstrução de uma república imune aos vícios históricos da política partidária. O povo estaria votando no clima contagiado pelo clamor social em defesa de uma Nação pautada na ética e justiça. O voto de cabresto não iria sumir, mas perderia sensivelmente a força para a uma tomada histórica da consciência nacional.

Mas, com certeza, os inquilinos do poder não pensam na Nação. Brasília ainda é um país à parte.

  • ODEBRECHT EM BLUMENAU

A origem dos recursos da Odebrecht a políticos de Santa Catarina tem origem em Blumenau, nas gestões de 2005 a 2012, quando a empresa mergulhada em escândalo começou a operar através da sua subsidiária Odebrecht Ambiental. O que a Polícia Federal e o Ministério Público querem descobrir são os mecanismos utilizados para viabilizar a empreiteira em serviços de saneamento básico na maior cidade do Vale do Itajaí.



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