Roberto Azevedo

Reformas dão munição aos opositores de Temer


Os milhares de manifestantes nas ruas de Florianópolis: contra Temer e as reformas. HERMINIO NUNES/REPRODUÇÃO INTERNET

Os milhões que saíram às ruas contra as reformas da Previdência e Trabalhista, milhares deles em Santa Catarina, demonstraram força contra o governo do peemedebista Michel Temer, real alvo dos protestos, mas os manifestantes sabem que o campo de discussão dos dois temas polêmicos está longe dali, no Congresso Nacional. Tampouco aumenta a pressão sobre o parlamento o discurso, em tom de comício, do ex-presidente Lula, na Avenida Paulista, em São Paulo, de que o “golpe” que apeou Dilma Rousseff do poder foi forjado para tirar direitos dos trabalhadores.

Os quase 14 anos do Partido dos Trabalhadores no Palácio do Planalto evitaram que o assunto Previdência, calcanhar de Aquiles de qualquer governo no mundo inteiro, fosse debatido à luz da razão, ao contrário sobraram posições ideológicas para represá-lo, assim como outros tantos temas cruciais para modernizar o Estado brasileiro. Saibam, portanto, os defensores da manutenção das coisas como estão, erradas, e os que apregoam as alterações radicais que, no Congresso, pesa mais a divulgação de listas de Janot para arrepiar e trazer pânico aos deputados federais e senadores do que as palavras de ordem pronunciadas contra Temer. A opção, se não mexer nas contas públicas, é quebrar o Estado.

 

O que falta

O governo federal perdeu o monopólio da informação sobre a reforma da Previdência, não soube sequer responder aos que dizem que não é deficitária, teve cancelada a divulgação da propaganda sobre o tema pela Justiça Federal e ainda tropeça ao tentar esclarecer o porquê da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem ou os propalados 49 anos de contribuição para ganhar o teto. Agora, o presidente Michel Temer bate na tecla de que ninguém que tem direitos os perderá, sem explicar, de novo, o porquê do rombo do sistema solidário que concede benefícios depois de anos de trabalho duro ser capaz de desestabilizar e ser nocivo ao mesmo país que foi às ruas nesta quarta-feira.   

 

DIVULGAÇÃO/FACEBOOK

ATÉ DEBAIXO D’ÁGUA!

O deputado estadual Dirceu Dresch postou em seu perfil no Facebook esta foto, tirada durante as manifestações contra as reformas, em Florianópolis, ao lado do deputado federal Pedro Uczai. Até debaixo de chuva os dois petistas não arredaram o pé dos protestos. E Dresch ainda provocou seus seguidores a cobrarem dos deputados federais em Brasília uma posição sobre a reforma da Previdência.

 

Outra lista

Além de incluir mais deputados e senadores, além de mais uma ministro de Michel Temer, Marcos Pereira (PRB-RJ), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em nova lista enviada ao STF, o pr5ocurador-geral da República Rodrigo Janot também mandou para o STJ a tal lista com governadores. Eles foram citados em delações por executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht sobre dinheiro de caixa dois para campanhas eleitorais. Por enquanto, apenas os nomes de Renan Filho (PMDB, Alagoas), Luiz Fernando Pezão (PMDB, Rio de Janeiro), Fernando Pimentel (PT, Minas Gerais), Tião Viana (PT, Acre) e Beto Richa (PSDB, Paraná) vazaram, mas no total seriam 10, o que aumenta rumores em torno de Geraldo Alckmin (PSDB, São Paulo) e até Raimundo Colombo (PSD, Santa Catarina).

 

ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

QUE TIME!

O tema neste encontro, divulgado aos quatro cantos, é a reforma política, uma saída para amenizar o lamentável quadro de degradação que vivemos no país em um dos mais importantes segmentos da democracia, agravado pelas denúncias de corrupção. Na foto, onde ainda faltava o líder Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do governo na Câmara, os presidentes do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) e da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), dois citados nas listas de Janot, com pedido de autorização para abertura de inquérito no STF, apresentaram propostas que não agradam: lista fechada para candidaturas aos cargos do legislativo, de vereador a deputado federal, e a criação de um fundo com verba pública, gerido pelo Tribunal Superior Eleitoral, para financiar as campanhas sem acabar com o atual Fundo Partidário. O presidente Michel Temer escutou e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, presidente do TSE, observou.    

 

Ainda não

A pressão é grande sobre o governador Raimundo Colombo para nomear o ex-prefeito de Florianópolis Cesar Souza Júnior (PSD) para a Secretaria Executiva de Assuntos Estratégicos, função antes ocupada pelo pai dele, o deputado federal Cesar Souza, o grande incentivador da ideia. A maior crítica é a de que entrar no colegiado de Colombo seria um prêmio ao ex-prefeito, cujo desempenho na administração da Capital é mal avaliado até mesmo por graduados do PSD, que admitem: mais cedo ou mais tarde, Cesar Júnior assume.

 

Na defesa

O advogado Noel Baratieri, que defende o deputado estadual Nilson Gonçalves (sem partido) no processo movido pelo PSDB de Joinville que pede o mandato dele, segundo suplente eleito pela sigla, por ter se filiado ao PR, argumenta que o parlamentar não tinha como permanecer no ninho tucano. Nilson alega que sofreu grave perseguição e chegou a ser expulso do diretório por ordem do deputado federal Marco Tebaldi. “Fui três vezes deputado estadual pelo PSDB sem convivência nenhuma com diretório de minha sede Joinville. Não havia mais clima”, sustenta Nilson. 

 

Plural 
Com firmeza, o deputado federal João Rodrigues afirma que continua no PSD e que a vinda do ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicação), confirmada antes do nome dele figurar na lista de Janot, foi sinal de força dele no partido. Com isso, João mostra-se focado, afasta qualquer interferência do deputado Gelson Merisio, e faz mais: convidou pessoalmente a cúpula do PMDB para participar da festa de aniversário de 50 anos, em Chapecó, nesta sexta, além do governador Raimundo Colombo.   

 

RÁPIDAS

* Deputada Geovânia de Sá (PSDB) apresentou emenda à PEC da Reforma da Previdência em que pede a preservação das aposentadorias especiais para categorias de trabalhadores e servidores públicos que já constam na atual legislação.

 

* Deputado estadual João Amin (PP) não quer deixar a mínima chance de privatização da Casan e, em emenda, pede que seja mantido o máximo de 49% de ações para quem não esteja na estrutura do governo do Estado.

 

* Estreante na Câmara da Capital, o vereador Bruno Souza (PSB)  recolhe assinaturas para um projeto interessante de sua autoria: o custo das honrarias e medalhas entregues a homenageados pela Câmara passaria aos parlamentares proponentes. Excelente!   

 

* O evento era da prefeitura e Gean Loureiro falava de parceria público-privada para fazer desapropriações na região, diminuição das lombo-faixas no Sul da Ilha, na SC-405, mas foram o vice-governador Eduardo Pinho Moreira e o secretário Luiz Fernando Vampiro Cardoso que deram o maior presente: a autorização para a Secretaria da Infraestrutura abrir processo licitatório para a segunda etapa da terceira pista da SC-405, cerca de um quilômetro, entre os trevos do Rio Tavares e da Avenida Pequeno Príncipe, no Bairro Campeche.

 

* O PDT da Capital divulgou nota oficial onde informa que os sete filiados à sigla, que foram nomeados pelo prefeito Gean Loureiro, foram notificados para deixarem a sigla.



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