Roberto Azevedo

O PSD vive uma disputa acirrada


NEY BUENO/DIVULGAÇÃO

A disputa interna pela indicação do candidato do PSD ao governo do Estado entre o deputado federal João Rodrigues e o deputado estadual Gelson Merisio, presidente da sigla, já é medida em números e apoios. João garantiu, mais uma vez, em jantar nesta segunda (foto), em Florianópolis, que sua pré-candidatura é para valer para uma plateia de 43 dos 61 prefeitos pessedistas, mais 25 vice-prefeitos da sigla, além de prefeitos do PSDB, PR, PPS e PDT, como Ana Paula da Silva, de Bombinhas, que rasgou o verbo para defender a postulação ao governo e de Raimundo Colombo ao Senado.

Merisio reuniu números mais modestos em termos de forças políticas no fim de semana em Xanxerê, uma de suas bases no Oeste, com a presença do prefeito Luciano Buligon (PSB), de Chapecó. Em tese, Merisio controla os delegados do partido, muito em função da maioria dos 295 diretórios ser comandada por comissões provisórias, mas sabe que uma ofensiva de João fará inevitáveis estragos e trocas de lado. Neste momento, os pré-acordos com  PP e PSB não estão em xeque, por enquanto, e, na pista do aeroporto pessedista, o verbo decolar significa tanto quanto sobreviver.

 

VALQUÍRIA GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO

UM PRESENTE SUGESTIVO

O defensor público-geral do Estado, Ralf Zimmer Junior, entregou um presente que simboliza muito a Gelson Merisio, um tabuleiro de xadrez para ser jogado a três. Não só pela pressão que recebe de João Rodrigues como pela ameaça de ver reeditada a aliança do PSD com o PMDB. Merisio, reconhecido com enxadrista, terá que exercitar e muito o próximo movimento no jogo da sucessão, pois corre para que o xeque pastor de João não se configure em xeque-mate em apenas quatro jogadas. Quem sabe com o apoio do ex-deputado Paulo Bornhausen, presidente licenciado do PSB estadual, que adentrava à porta do gabinete, à direita, como se fosse em uma operação de salvamento. O pessebistas estão fechados com Merisio, resta saber até quando.

 

O movimento cresce

Quando o PMDB catarinense decidiu boicotar a convenção nacional, que acabou adiada para o próximo dia 19, ganhou adeptos nos diretórios dos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná. A ideia, liderada pelo deputado Mauro Mariani, que prega a saída de toda a executiva nacional, contaminada pela corrupção em sua maioria, agora já tem o apoio de representantes de diretórios municipais de Porto Alegre e Curitiba, representados por Rafael Xavier e Antenor Ferrari, que foram com Celso Sandrini, do diretório de Florianópolis, à reunião na sede do PMDB estadual, em Florianópolis, nesta segunda. A propósito, convenção próxima ao Natal é para não ter quórum, principalmente para decidir pela troca do nome da sigla, que voltará a se chamar MDB.

 

Pressionado

Servidores federais de diversas categorias e policiais civis catarinenses fizeram um protesto no hall do Aeroporto Hercílio Luz, nesta terça (05), e um dos deputados federais que tiveram que ouvir as reclamações sobre a reforma da Previdência foi justamente Mauro Mariani. O peemedebista elogiou o caráter organizado da manifestação e conheceu mais um elemento de pressão para aprovar a matéria controversa. Mariani já criticou o texto anterior, vamos ver agora que a bancada fechou questão favorável à votação da matéria encomendada pelo Palácio do Planalto. 

 

FERNANDO WILLADINO/FIESC

O ADEUS A VICTOR FONTANA

Em uma das histórias mais pródigas do casamento da classe empresarial com a política, Victor Fontana deixa a cena aos 101 anos. Homem de capacidade intelectual invejável, marcou a vida catarinense no século XX, desde a formação em engenharia química, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1947. Nascido em Santa Maria, no Estado vizinho, faz parte da história dos chamados “gaúchos a pé” que colonizaram o Oeste catarinense e aceitou o convite do tio, Attilio Fontana, para trabalhar na Sadia, que fundara quatro anos antes, em Concórdia. Se Victor introduziu novas técnicas na linha de produção da empresa, também fez papel relevante na política, tendo sido vice-governador no governo de Esperidião Amin (PDS), de 1983 a 1987, deputado federal por dois mandatos, secretário da Agricultura, presidente da Celesc, conselheiro da República e presidente do Besc. Na foto, Victor Fontana durante a homenagem que recebeu da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

 

Curiosidade

Victor Fontana foi vice-governador e o tio, Attilio, também, quando ocupou o cargo no governo de Colombo Machado Salles (Arena), entre 1971 e 1975. A carreira de Attilio, que foi vereador e prefeito de Concórdia, deputado federal e senador, empurrou Victor para a vida pública, muito mais em nome dos interesses empresariais.  



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