Roberto Azevedo

O problema de Colombo é estar na lista


Um emocionado Colombo na coletiva em que falou sobre a lista de Janot e a Odebrecht. JAMES TAVARES/SECOM

Foram muitos goles de água emborcados com poucas pausas para o governador Raimundo Colombo explicar para jornalistas, em seu gabinete, que não sabe o porquê de estar entre os envolvidos na lista que o procurador-geral da República Rodrigo Janot enviou ao Superior Tribunal de Justiça. A solicitação de Janot é a de abertura de investigação, não existe, portanto, nem inquérito nem denúncia do Ministério Público ao Judiciário. Porém, constar como citado nas delações de executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht sobre ser beneficiário de supostas doações de campanha em caixa dois ou fruto de propina incomoda qualquer político em tempos de combate severo à corrupção. Muito mais a Colombo, um dos líderes nacionais do PSD, governador com melhor desempenho em meio à crise política e econômica, além de ter como projeto concorrer ao Senado no ano que vem. O futuro sai do controle do governador e depende de desdobramentos da solicitação de Janot.

 

Posição

Colombo tem justificado, desde que começaram os rumores de que estava na lista da Odebrecht, com o codinome de Ovo, um repasse de R$ 4,5 milhões em duas parcelas, que seu governo não possui contratos com a Odebrecht em suas duas administrações, e que o foco da empreiteira seria a compra da Casan, que sequer está em processo de privatização. Mas houve movimentos, na Assembleia, para que a estatal pudesse receber aporte financeiro de até 49% de suas ações. Colombo, que avisou que pretende contratar um advogado para saber de mais detalhes do que sequer é um processo ainda e depende da decisão do STJ, que será técnica e política. E terá, de fato, a oportunidade de esclarecer os fatos e sabe que muitas lacunas precisam ser respondidas.

 

As dúvidas 1

No campo das suposições, Raimundo Colombo e seus defensores deverão esclarecer quem dentro do DEM (depois o grupo do governador fundou o PSD) teria, eventualmente, pego o dinheiro sujo da Odebrecht, e se o fato ocorreu mesmo. Recurso não contabilizado de campanha, caixa dois, constitui infração penal, mesmo que à época das duas eleições ao governo era lícito receber doações de pessoas jurídicas, em bom português, empresas privadas.

 

As dúvidas 2

Há também o depoimento que o advogado Rafael Agostini Moreno, assessor da Casa Civil, prestou à Polícia Federal no ano passado, muito antes das delações dos executivos da Odebrecht, sobre uma visita feita a um hotel em São Paulo, em outubro de 2014, onde, de acordo com a investigação, teria ido pegar R$ 1 milhão. Agostini Moreno, que é parente de Colombo e trabalhava na coordenação da campanha de reeleição, nega o recebimento de valores e se diz “injustiçado” por ter o nome exposto na Operação Lava Jato. 

 

Sem antecipações

Colombo não deve ser visto como culpado antes de ter o direito de se defender. E pode, até mesmo, ficar sem responder a processo algum. No contexto como os assuntos da Operação Lava jato são tratados pela sociedade ser citado tem cheiro de condenação, um erro de antecipação que vale em relação a qualquer político, empresário, delator ou delatado.

 

SIMONE SARTORI/DIVULGAÇÃO

ATÉ DE MULETA

A festa do PMDB Mulher, neste sábado, era para 500 filiadas, que lotaram o Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia, mas o assunto mesmo foi a eleição em 2018. Aos que apontam um partido dividido, sem medo de repetir erros do passado, levou uma lição de seus líderes. Não só as deputadas estaduais Ada de Luca (presidente do PMDB Mulher) e Dirce Heiderscheidt, anfitriãs, reforçaram a ideia de unidade. O vice-governador Eduardo Pinho Moreira, de muletas, porque se recupera de um cirurgia no menisco (joelho), e o senador Dário Berger, quase sempre em lados opostos sobre a eleição ao governo no ano que vem, eram a imagem da alegria. Com eles estavam a namorada de Moreira, a advogada Nicole Torret Rocha (ao funcho), e a prefeita de Rancho Queimado, Cleci Veronezi (à direita).

 

Discursos

Na presença do presidente estadual do PMDB, deputado Mauro Mariani, um dos que disputa a indicação para concorrer ao governo no ano que vem, os discursos foram na direção da participação das mulheres, 41% dos filiados. Além de Mariani, Moreira, Dário, Paulo Afonso Vieira (ex-governador), e dos prefeitos Mauro Candemil (Laguna) e Gean Loureiro (Florianópolis), as deputadas Ada e Dirce, Cynthia Camargo Mariani, Nicole Torret Rocha, Elianne Vieira, Cintia de Queiroz (presidente do PMDB Mulher de Florianópolis), Vitmária de Oliveira e a prefeita Cleci Veronezi estavam na mesa das autoridades. 

 

Em números

O PMDB tem oito prefeitas (um terço das 24 escolhidas em 2016) e 136 vereadoras eleitas, em outubro passado, entre as 80 mil filiadas. O PSD elegeu cinco prefeitas, o PR três, o PP duas, o PT duas e PSDB, PPS, PSB e PDT uma cada sigla. 

 

NEY BUENO/DIVULGAÇÃO

OS RECADOS DO JOÃO

Não houve festa política mais movimentada, com a presença de um Raimundo Colombo mais tranquilo, deputados estaduais e federais, 56 prefeitos, 35 vices e mais de duas mil pessoas para comemorarem os 50 anos do deputado federal João Rodrigues (PSD), na última sexta, em Chapecó. Gente que veio de longe como o prefeito Aldoir Cadorin, de Ermo (Sul do Estado), que sem mais delongas afirmou em discurso, escolhido para representar os demais mandatários, que “o sonho meu e todos os prefeitos e vices presentes nesta festa de aniversário é de poder votar em 2018 em João Rodrigues na chapa majoritária”. Palavras que soram forte em um palanque onde estava o presidente estadual pessedista, o deputado Gelson Merisio, que antecipou o debate e se lançou pré-candidato ao governo, e o deputado federal João Paulo Kleinübing, volta e meia lembrado para a majoritária, assim como João. O homenageado preferiu minimizar e disse, a quem esperava pelas garfadas e conversas políticas, que o projeto político dele era “hoje à noite”, mas antes, em entrevistas nas rádios da região, disparou que, caso a candidatura do PSD busque apoio do PT e do PCdoB, ele, João, troca de palanque na mesma hora, sem problemas de estar com PMDB, PSDB ou outras siglas.

 

Não foram

Representantes de PMDB e PSDB não foram à festa de João Rodrigues, mas enviaram mensagem ao evento transmitido ao vivo, com, três câmeras, pelo Facebook. Eduardo Pino Moreira, que se recuperava de uma cirurgia gravou até vídeo.

 

Na dele

Já o pré-candidato Gelson Merisio preferiu valorizar a presença de Colombo e do deputado federal Esperidião Amin, presidente estadual do PP, com quem costura uma aliança e chamou ambos de “dois grandes governadores”. Quanto a João Rodrigues disparou: “Se o Oeste tem a condição de ter uma candidato a governador isso se deve ao João!” E foi aplaudido no gesto para tentar dirimir certo distanciamento nos últimos meses.   

 

DIVULGAÇÃO

DE BEM COM A CÚPULA

Em uma das comemorações dos 267 anos de São José, o líder do PSD na Câmara, vereador Moacir da Silva ganhou pontos valiosos com a a cúpula e com o projeto do partido para o ano que vem ao ser o autor da indicação que concedeu o título de cidadfão josefense ao deputado estadual Gelson Merisio. Além de citar a gestão eficiente de Merisio como deputado, três vezes presidente da Assembleia e seus reflexos na cidade depois do Rio Araújo, salientou como um dos feitos do deputado Gelson Merisio foi a PEC da Saúde, que autorizou aumentar o gasto de 12% para 15% o investimento obrigatório até 2019, que foi um projeto costurado a partir da sugestão de câmaras de vereadores de todo o Estado e Meriso.

 

Menos Xenofobia e bairrismo

O problema não está localizado nas empresas que operam em Santa Catarina, com exceção da Peccin, sediada em Jaraguá do Sul, mas a Operação Carne Fraca serve de alerta para um traço crescente entre os empresários e políticos catarinenses de darem um valor exagerado ao que o modelo estadual sustenta como seu padrão. O negócio agora é cobrar um aperto na fiscalização do Ministério da Agricultura e punir exemplarmente fiscais sanitários e donos de frigoríficos que admitem esta prática, que com os crimes que cometeram mancharam umas das atividades mais bem conduzidas em Santa Catarina. Com efeitos imprevisíveis nos marados consumidores.

 

E tem mais

Os maus empresários, corruptores de primeira, e maus fiscais da Agricultura avançaram em muito no sentido de jogar por terra todo o trabalho de qualidade que permitiu a venda da carne brasileira (bovina, suína e de aves) para consumo interno e para o exterior. A calamidade de usar o ácido sórbico para recuperar o aspecto da carne - utilizado em larga escala prejudica a saúde humana - e permitir papelão nos embutidos passa de todos os limites da decência e ética, com o fim da reputação do produtor honesto, a maioria para a nossa sorte. A ganância de uns poucos não deve interferir na qualidade dos produtos.

 

Na crise

Não dá para generalizar, mas é muito fácil chamar políticos e partidos de corruptos e esquecer quem viabiliza a maior parte das maracutaias com o financiamento de campanhas pelo caixa dois e na base da propina. Só para citar: quando os nomes Brazil Foods (BRF, Sadia e Perdigão, entre outras marcas) e JBS (Friboi e Seara) foram divulgados na investigação da Polícia Federal, não só políticos do PMDB e do PP, siglas que seriam beneficiárias em outros estados, ficaram preocupados. Basta ver a prestação de contas de muita gente, principalmente do PSD, para ver o tamanho do estrago em Santa Catarina.

 

Medidas

Governador Raimundo Colombo reuniu-se com técnicos da Cidasc e da Epagri, neste domingo, para avaliar as consequências da Operação Carne Fraca, e recebeu a garantia de que todos os procedimentos de sanidade animal estão sendo rigorosamente cumpridos. Colombo também conversou com o presidente Michel Temer, que tratava do mesmo assunto com o ministro Blairo Maggi. Colombo e Temer têm a mesma preocupação sobre os efeitos internos e externos, já que o Brasil é o maior exportador mundial de carne "in natura" e Santa catarina tem grande parte deste mercado.

 

Conjunto

Na conversa, na Casa d'Agronômica, estavam com Raimundo Colombo os secretários da Agricultura, Moacir Sopelsa; da Fazenda, Antonio Gavazzoni; da Casa Civil, Nelson Serpa, e da Comunicação, João Debiasi; o secretário-adjunto da Agricultura, Airton Spies; e os presidentes da Cidasc, Enori Barbieri, e da Epagri, Luiz Hesmann. Nesta segunda, Colombo fará uma reunião de emergência com o superintendente do Ministério da Agricultura (MAPA) em SC, Jacir Massi, o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do MAPA, Fernando Luiz Freiberger, a presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes, Irani Peters, e o secretário-geral do Sindicarnes, Ricardo Gouvêa, os presidentes da Associação Catarinense dos Avicultores, José Antônio Ribas Júnior, da Federação da Agricultura, José Zeferino Pedrozo, da Federação das Indústrias, Glauco Côrte, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Walter Dresch, e dos dirigentes da Associação Catarinense dos Supermercados. A preocupação é geral.
 
Detalhe
Se fosse uma preocupação em larga escala já seria um problemão, mas há o risco do cancelamento de exportações pela recpercussão negativa mundial que o assunto ganhou na América do Norte, Europa e Ásia, principais destinos da produção catarinense. Raimundo Colombo e Nelson Serpa também têm outro interesse, de caráter pessoal, pois ambos participam da cadeia de produção de matrizes bovinas.  
 

RÁPIDAS

 

* Alerta feito pelo Iprev informa que tem bandido se fazendo passar por servidor do instituto e garante, em ligação telefônica, que as pensionistas têm dinheiro para receber, mas só com o pagamento de uma quantia, supostamente para quitar impostos.

 

* É um golpe sujo, onde o salafrário utiliza até o nome de servidores do Iprev para aplicar o tal golpe. E o instituto, que pede que o fato seja denunciado à Polícia Civil, aproveita para dizer que também não oferece empréstimos e seguros aos seus beneficiários.

 

* Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina, Anderson Vieira Amorim, lembra que a Operação Carne Fraca teve muito menos em Santa Catarina, apenas uma empresa envolvida, do que o grande trabalho realizado, na semana que passou, quando a Polícia Judiciária Estadual desmantelou uma quadrilha que, com a ajuda de empresas de software, fraudava impostos estaduais e federais, portanto, o que afetou todo o país.



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