Roberto Azevedo

Moreira se debruça sobre a estrutura


JAMES TAVARES/SECOM

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira, a uma semana de assumir o governo do Estado, decidiu livrar-se da pressão que qualifica como “estresse”, provocada pela constante romaria ao seu gabinete com pedidos “absurdos”, por isso participou do último ato oficial, na quarta (7), a passagem do comando da Casa Civil de Nelson Serpa para Luciano Veloso Lima (foto), antes de viajar. Moreira, acompanhado da mulher, a advogada Nicole Torret Rocha, passará quatro dias em Portugal, para avaliar números, fazer cálculos e pensar na estrutura de sua administração, que inicia depois do Carnaval.

Moreira confirmou que, no dia 21, cinco após a posse, concederá uma coletiva para anunciar o programa de seu governo de 11 meses e apresentar a maior parte de sua equipe, “quase toda definida”, como relatou ao blog. Pelo menos em um dos pontos pré-anunciados, o de que todos os deputados-secretários e comissionados que forem concorrer em outubro deveriam deixar os cargos em fevereiro, o vice-governador mudou o tom. Admite que não deixará todos até abril, data da desincompatibilização, porém o desembarque se dará aos poucos. Moreira retorna ao Estado na terça-feira Gorda (14).

 

O porquê

A decisão de Eduardo Pinho Moreira fará com que pelo menos dois deputados suplentes, Manoel Mota (MDB) e Roberto Salum (PRB), permaneçam na Assembleia até abril. Salum disse que está de malas prontas para se filiar no PMDB e concorrerá a deputado federal, apoiado pelo padrinho que o trouxe ao Legislativo, nada mais nada menos do que Moreira. Mota é uma situação singular por respeito à bancada e à história dele na sigla.  

 

Fora

“Não tem sentido nem graça”, afirmou Pinho Moreira sobre a possibilidade da permanência prolongada do secretário Valmir Comin (Assistência Social, Trabalho e Habitação) na sua administração. Comin, deputado pelo PP, e Moreira têm um bom relacionamento, são do Sul catarinense, mas a coexistência de emedebistas e pepistas no governo ainda será algo a equacionar no futuro. A saída de Comin do governo entra naquela famosa expressão, de origem incerta, que assegura que “quem pariu Mateus que o embale”. Com a palavra Raimundo Colombo (PSD).

 

Otimismo

Deputado Gabriel Ribeiro (PSD), sobrinho de Raimundo Colombo, era uma alegria só nos corredores da Assembleia ao saber do retorno do governador de São Paulo com a possibilidade real da Caixa Econômica Federal fazer a operação de crédito de mais de R$ 700 milhões do Fundam 2. Antes, Colombo admitia que o Estado honraria o compromisso de repassar os recursos para municípios de até 10 mil habitantes e a parte da União, via BNDES, seria entregue às maiores prefeituras. A burocracia entrou em campo de novo.

 

Motivo a mais

Erivaldo Nunes Caetano Júnior, o Vadinho, atual presidente da Fesporte, tinha um motivo a mais para prestigiar a posse de Luciano Veloso Lima, um servidor de carreira, na importante Casa Civil. Quando ocupou o comando da pasta, no governo de Leonel Pavan, Vadinho tinha Luciano como adjunto.

  

Bastidor 1

Antes de anunciados oficialmente, os futuros secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira Pinto Júnior;  comandante-geral da PM, coronel Araújo Gomes; e delegado-geral, Marcos Ghizoni Júnior, foram vistos, na manhã de terça (6), a tomar café juntos no Hotel Ibis, de São José. Mais tarde acabaram confirmados. Pois, nesta quarta (7), o ex-secretário Derly de Anunciação e o atual titular da Comunicação Social do governo, João Debiasi, estavam em longa conversa, em um café no Beiramar Shopping, durante a tarde. Seria um indício? 

 

Bastidor 2

A especulação de que quem for ligado a Raimundo Colombo e indicado por ele permanece no cargo, basta querer, se enquadraria na cena, até porque Derly nem quer ouvir falar em voltar ao serviço público. Mas não há confirmação nem fumacinha branca em torno do nome de Debiasi. O assunto ainda está em aberto, assim como a diretoria de Imprensa da Secom.

 

RÁPIDAS

* Conhecido pela sua competência operacional, o tenente-coronel André Gomes Braga, que serviu como ajudante de ordens do vice-governador Eduardo Pinho Moreira, será o novo diretor Administrativo e Financeiro da Polícia Militar. Missão passada pelo futuro governador.

 

* Deputado João Rodrigues (PSD) planejava ficar no Paraguai até a próxima segunda, quando venceria a prescrição do crime pelo qual foi condenado, mas a Polícia Federal, que recebeu o mandado de prisão do STF, já havia emitido o alerta vermelho à Interpol, ao rastrear a troca de passagem na Flórida (EUA) e aguardar na chegada ao Aeroporto Silvio Pettirossi, em Assunção (Paraguai).  

 

* Embora passe agora a ser objeto da ira das redes sociais e seus especialistas, quem leu o processo que condenou João Rodrigues não tem dúvida de que a sentença foi pesada para uma dispensa de licitação que sequer trouxe problemas ao erário, leia-se a prefeitura de Pinhalzinho, descrito na peça pelos próprios magistrados. O problema é que João nunca deu a devida relevância às acusações até ter sido condenado no TRF4, em 2009.



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