Roberto Azevedo

Entidades de SC emitem nota oficial sobre Operação Carne Fraca


Policias federais deflagraram a operação sobre a atuação de agentes públicos que facilitavam a comercialização de carne estragada. REPRODUÇÃO/INTERNET

Depois que a Polícia federal deflagrou a Operação Carne Fraca, nesta sexta-feira, os consumidores de carne (frango, suíno e gado) tem com o que se preocupar ao saberem que agentes públicos federais cometeram crimes contra Saúde Pública para permitir que o produto era adulterado para mudar o aspecto após o vencimento da validade e fazer a carne chegar ao mercado. Gigantes do mercado como a JBS e a BRFoods estão sendo investigadas. Santa Catarina é um dos maiores produtores derivados de animais e duas entidades, o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne) e a Associação Catarinense de Avicultura (Acav), divulgaram nota oficlal onde pedem rigor na investigação e confiança do consumidor nos produtos. O futuro dirá se as exportações serão afetadas, embora a investigação seja centrada na venda dos produtos para o consumo interno.

O assunto tem  ramificações políticas, pois parte do dinheiro da propina dada aos fiscais, afirma a PF, foi direcionada para as campanhas políticas do PMDB e PP, além de uma gravação do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), hoje ministro da Justiça, em uma conversa suspeita com o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura  no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, que é chamado de “grande chefe” pelo parlamentar gerar uma série de especulações. Serraglio não teve a conduta considerada crime. Detalhe: o deputado federal paranaense tem a PF sob sua responsabilidade de ministro. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio, que se alastrou nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e São Paulo, além do Distrito Federal. Segundo a PF, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’.

A Peccin Agroindustrial, de Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR), que trabalha com linguiças e mortadelas, e uma unidade da BR Foods (detentora das marcas Sadia e Perdigão) , em Mineiros (GO), que produz carne de aves, foram interditados. A promessa de Eumar Novacki, secretário-executivo do Ministério da Agricultura, é de as empresas receberão todas as punições pelas irregularidades. Unidades da JBS (dona das marcas Friboi, Seara e Swift, entre outras) também estão sob investigação.  

Leia na íntegra a nota oficial dos produtores de carnes de Santa Catarina  sobre a Operação da Polícia Federal:

                        Nota oficial
 
 
O Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (SINDICARNE) e a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), em face da deflagração da “Operação Carne Fraca”, vem a público para manifestar:
A indústria brasileira de carne e, em especial, a indústria catarinense, atingiram nas últimas décadas um elevado nível de segurança e qualidade em sua operação, condição internacionalmente admirada e reconhecida.
Os padrões de biosseguridade, os avanços genéticos e a atenção extrema à sanidade e ao manejo fizeram da nossa produção agropecuária uma das mais seguras de todas as cadeias produtivas, graças ao empenho e profissionalização dos produtores rurais e aos pesados, intensos e contínuos investimentos das agroindústrias.
As indústrias brasileiras e catarinenses de carnes, notadamente as de aves e suínos, adotam o que há de mais avançado em máquinas, equipamentos, processos e recursos tecnológicos, assegurando alimentos cárneos confiáveis e de alta qualidade.
Por outro lado, sistemas de controle de qualidade das próprias indústrias e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) eliminam a possibilidade de erros ou de não-conformidades.
Essas características permitiram à agroindústria brasileira e catarinense exportar carne para mais de 160 países, entre eles, os mais exigentes do planeta em termos de qualidade e sanidade.
É necessário compreender a dimensão, a complexidade e o elevado grau de desenvolvimento desse importante setor da indústria nacional para considerar que os fatos apurados pela Polícia Federal são isolados e representam lamentáveis exceções dentro da cadeia produtiva.
O compromisso supremo das indústrias de alimentação é a oferta de proteína segura e de qualidade para a nutrição das pessoas e das famílias. Por isso, o SINDICARNE e a ACAV defendem a rigorosa apuração dos fatos e a exemplar punição daqueles que atuaram fora dos padrões exigidos.
Jamais pactuaremos com o erro e a omissão. Nosso compromisso é com a segurança alimentar da população.
 
Florianópolis, 17 de março de 2017.
 
 
Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (SINDICARNE)
 
Associação Catarinense de Avicultura (ACAV)


Receba Novidades da
Making Of por email! Cadastrar email