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Roberto Azevedo

Colombo manterá discrição sobre as delações


A última foto de Raimundo Colombo no site do governo, a gravação do Programa Com a Palavra, de antes do feriadão. JULIO CAVALHEIRO/SECOM

Atualizado às 14h17min

 

O governador Raimundo Colombo foca em um ritmo de trabalho administrativo e viaja, nesta terça, a Brasília onde buscará junto à Secretaria do Tesouro Nacional as últimas garantias para implementar o programa Fundam II, cerca de R$ 700 milhões para financiar projetos de prefeituras, onde o Estado paga os valores. A viagem deveria ter ocorrido nesta segunda, mas a forte chuva fez o governador adiar o embarque e já se sabe que a agenda na capital federal deve se esticar até quinta, véspera do feriadão, embora ainda dependa de confirmações. Há uma certa blindagem por estar longe do estado neste momento. 

Colombo despachou na Casa d’Agronômica boa parte desta segunda, onde recebeu os secretários Nelson Serpa (Casa Civil) e Antonio Gavazzoni (Fazenda), entre outros assessores mais próximos. Na avaliação de quem conversou com o governador, ele parece mais tranquilo do que na última quinta-feira, quando emitiu uma pesada nota contra os delatores da Odebrecht, Fernando Reis e Paulo Welzel, que o ligaram à distribuição de dinheiro de caixa dois, de 2010 a 2015. A melhor estratégia de Colombo será deixar o assunto, junto ao STJ, para saber a extensão do pedido de abertura de investigação na Operação Lava Jato e manter a rotina sem afetar o governo.

 

Sem descartar

No núcleo do poder estadual, as delações da Odebrecht fizeram o governo pensar em várias hipóteses que levariam ao tal “revanchismo” contido nas delações e alimentado na versão oficial de Raimundo Colombo. Nem mesmo a possibilidade de algumas pessoas terem arrecadado recursos em nome de Colombo e dado outro destino aos valores está descartado.

 

Lacônico

O secretário Antonio Gavazzoni (Fazenda) tem feito relatos informais aos colegas de governo para afirmar que nada do que os ex-executivos da Odebrecht disseram sobre pedidos dele para campanhas, entre elas as dos deputados Gelson Merisio e José Nei Ascari, deputados do PSD, é verdadeiro. Simplesmente não ocorreram. Advogado, Gavazzoni mantém a fleuma: não é investigado nem reponde a processo algum, por isso não tem porque se manifestar.      

 

Máxima
Se outras delações que envolveram Lula (PT), Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Romero Jucá, todos do PMDB, e tucanos como Aécio Neves e Geraldo Alckmin ganharam notoriedade, só para citar alguns nomes, por que não considerar as que envolvem políticos catarinenses. O errado é dar às delações caráter de sentença, uma condenação prévia, quando, sem provas materiais e documentais, tendem a não valer no processo.    

 

JAKSSON ZANCO/PMJ

ALÉM DE JOINVILLE

A reunião é com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Fórum das Mulheres e Conselho de Igualdade Racial e Centro de Direitos Humanos de Joinville onde o prefeito Udo Döhler (PMDB) e o secretário Vagner Ferreira de Oliveira (Assistência Social). Mas consta que o cenário para 2018 tem tomado parte da audiência de Udo, como revela o jornalista Marcelo Lula, de Chapecó, que soube de um encontro que o prefeito de Joinville teria proposto ao colega Luciano Buligon (PSB), quem sabe para acertar uma dobradinha. O contato ocorreu em meio ao turbilhão que pôs o nome do pré-candidato do PSD ao governo, o deputado Gelson Merisio, como suposto beneficiário de R$ 550 mil para a campanha em 2014, em delação de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Resta saber como reagirá o deputado Paulo Bornhausen, presidente do PSB, que está fechado com Merisio e também apareceu em uma outra delação de gente ligada à empreiteira, na eleição de 2010.  

 

Em outro campo

O que seria a defesa pelo deputado Gelson Merisio de determinado candidato ao quinto constitucional ao Tribunal de Justiça pela OAB tem gerado muita reação e há quem diga que o fato rachou o Conselho Estadual da Ordem. Adjetivos não faltam e um dos mais fervorosos críticos à indicação, que dizem já definida, é o conselheiro João Martins, de Itajaí, que pôs a boca no trombone e sugere que a postulação é de um “alienígena” à maioria do Conselho, dos advogados e da própria diretoria entidade, o que mostra a inaceitável partidarização da escolha, um jogo de cartas marcadas.

 

Ele, o da direita!

A passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por Santa Catarina, no próximo 18 de maio, promete ser algo mais delirante do que o roteiro que se inicia em Florianópolis, passa por Jaraguá do Sul e Blumenau, e encerra em Joinville. Com discursos afiados e radicais, Bolsonaro quer chegar ao Palácio do Planalto, ano que vem, embalado por uma crescente onda de crescimento da direita, como na eleição do republicano Donald Trump, nos Estados Unidos, e por teorias como a de seu cicerone no Estado, o deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB), homem da bancada denominada da Bala, que defendeu o fim do Estatuto de Desarmamento.

 

RÁPIDAS

 

* A partir do que for esclarecido pelo Superior Tribunal de Justiça, não será o governador Raimundo Colombo que passará os detalhes em coletiva à imprensa, caberá aos advogados que o assistem no envolvimento na Operação Lava Jato, com a clara supervisão do secretário Nelson Serpa.

 

* O deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB) acredita que, com as alterações que permitiu ao texto, Michel Temer deve levar à aprovação da Reforma da Previdência e se diz impressionado com a capacidade de costura do presidente da República.

 

* Mas o que mais se fala em Brasília e é o quanto custará a barganha entre o Palácio do Planalto e os sedentos parlamentares.  

 

* No segundo round da sessão da Assembleia, nesta terça, são aguardadas novas manifestações de parlamentares sobre as delações da Odebrecht, que atingem deputados estaduais do PT, PSD e PSDB, bastante plural.

 

* Quem manda exagerar. Lula arrolou 87 testemunhas de defesa e o juiz federal Sérgio Moro aceitou e determinou que ele esteja presente em cada uma delas.



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