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Roberto Azevedo

Colombo age em várias frentes contra as delações


O governador Raimundo Colombo na Secretaria do Tesouro Nacional: boas notícias depois das delações. FERNANDA RODRIGUES/ARTICULAÇÃO NACIONAL

O cenário era de boas notícias, em meio à autorização dada pela Secretaria do Tesouro Nacional para que o Estado faça um acordo com o BNDES para liberar os R$ 700 milhões para o Fundam 2, que ajudará prefeituras, mas o governador Raimundo Colombo não se negou a falar com os jornalistas, em Brasília, sobre as delações da Odebrecht que envolvem seu nome. Colombo foi enfático em afirmar que passa por um momento de “dor e sofrimento” e que esclarecerá todos os fatos, ponto por ponto, ao negar, mais uma vez, que tenha recebido doações via caixa dois, que chegariam a R$ 17,1 milhões, de acordo com os ex-executivos da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis e Paulo Welzel, entre 2010 e 2015.  

O governador rompeu o silêncio em público e a prática de notas oficiais longe de casa, acompanhado, entre outros, pelo secretário Antonio Gavazzoni (Fazenda), também citado pelos delatores, um gesto de coragem, admitamos. Enquanto Colombo fazia a declaração sobre o espinhoso assunto Odebrecht, sobre quem não negou encontros como também com outras empresas nacionais e estrangeiras, em seis anos e quatro meses de administração estadual, duas outras frentes agiam em paralelo: o secretário Nelson Serpa (Casa Civil) fazia esclarecimentos pontuais sobre as relações do governo com contratos e empresas, e os advogados do governador buscavam informações sobre o pedido de abertura de inquérito no STJ e a extensão das investigações a partir do despacho do ministro do STF Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato.  

 

Equívoco

Raimundo Colombo e outros citados pelas delações dos ex-executivos da Odebrecht como beneficiários de doações ilegais em Santa Catarina insistem, de maneira equivocada, em utilizar uma contradição entre Fernando Reis e Paulo Welzel como argumento. Isso não elimina a sequência das declarações, que envolvem todos os citados em um crime, enquanto uma acareação entre Reis e Welzel resolve a mínima falha no discurso.

  

Providencial

O assunto interessava ao Estado, mas a ida do secretário Antonio Gavazzoni (Fazenda) a Brasília, na agenda com o governador, também o tira do epicentro do terremoto. Antes e neste momento, as palavras de Gavazzoni são as mesmas de Colombo, porém sair na foto ao lado do governador, depois de ser envolvido nas delações da Odebrecht, significa que o secretário ainda goza de muito prestígio.

 

Estratégico

Secretário João Debiasi (Comunicação) passou a acompanhar, pessoalmente, as agendas do governador Raimundo Colombo. Em Brasília, a presença foi notada.

 

Sempre tem mais

Da “chicleteira” e publicitária Mônica Moura, participante das campanhas coordenadas pelo marido João Santana, que trabalhava para o PT, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, uma declaração que mostra o tamanho do descalabro, que não envolve só os políticos e empresários mal-intencionados. “Não há um marqueteiro no Brasil que não trabalhe com caixa dois (recursos não contabilizados)”, sobre a forma de receber o pagamento pelos serviços prestados aos partidos e candidatos.

 

Feliz da vida

Em tempos em que uma delação já balança qualquer governo, mesmos antes do conteúdo delas estar inserido em um processo ou investigação, livrar-se de um denúncia do Minsitério Público que virou processo e até condenação, pelas mãos do Supremo Tribunal Federal, vira motivo para uma grande comemoração. Por esta lógica, o deputado federal Marco Tebaldi (PSDB) não larga o sorriso do rosto depois que o Supremo Tribunal Federal rejeitou uma denúncia da Procuradoria Geral da República que o acusava de dispensa indevida de licitação para a aquisição de softwares para a rede de ensino estadual quando era secretário de Educação de Santa Catarina, em 2012, tese derrubada por uma perícia, que comprovou que o produto adquirido era o melhor para a execução da tarefa. E os ministros consideraram que não houve intenção de fraudar a lei nem enriquecimento ilícito e mandou arquivar a investigação.

 

“Peraí”

Tem gente querendo fechar o Congresso para não analisar a reforma da Previdência. Pois quem defende isso ignora que, se não fosse esta batalha entre parlamentares e o Palácio do Planalto, e existisse um ditadura no país, com um super presidente, não haveria discussão do tema com a sociedade  nem mudanças de posições como sobre a idade mínima de aposentadoria para homens, mulheres e trabalhadores rurais.

 

Precatórios

Aqueles valores derivados de decisões judiciais, os precatórios, levaram a OAB catarinense a requerer ao Tribunal de Justiça a expedição de uma certidão de regularidade do governo do Estado. A Ordem, presidida por Paulo Brincas, quer, de fato, providências sobre eventuais descumprimentos, o que atrapalharia operações junto, por exemplo, à Secretaria do Tesouro Nacional.

 

Na boleia

Deputados derrubaram o veto do governador ao projeto, de autoria do deputado Mauro De Nadal (PMDB), que reconhece a profissão de condutor de ambulância. A ideia é garantir a qualificação dos profissionais, que cortam o Estado todos os dias, na não extinta “ambulanciaterapia”, e também reconhecer essa atividade.

 

Volume

Na sessão desta terça, o plenário da Assembleia derrubou o maior número de vetos do governo, desde que o presidente Silvio Dreveck decidiu zerar a pauta neste quesito legislativo. Além do reconhecimento da profissão de motorista de ambulância, foram mantidos os projetos do deputado José Nei Ascari (PSD), que estabelece a central de cadastro de emprego para pessoas com deficiências, e do deputado Cesar Valduga (PCdoB), que permite ao diabético mediar a glicemia e se medicar em locais públicos.

 

UIARA SOUSA ZILLI/DIVULGAÇÃO

NOVO DESAFIO

Com um slogan sugestivo #SÓDEPENDEDEVOCÊ, adotado pelo partido em sua campanha de divulgação, o ex-deputado estadual, ex-secretário regional da Grande Florianópolis e ex-presidente do Iprev Renato Hinnig assumiu a presidência estadual do PTB. Com direito a pose ao lado do ex-comandante da sigla, Fernando Camargo, o Cochi, Hinnig declarou que pretende catapultar os petebistas para outro patamar com a máxima de que desafio é com ele. O ex-peemedebista também agradeceu ao antecessor e ao presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, pela recepção que teve na nova sigla. 

 

Daqui a pouco

Comissão Especial que analisa a Reforma da Previdência na Câmara reúne-se para ler o parecer do relator, nesta quarta pela manhã. Oposição e governistas debatem a possibilidade de ser dada vista, uma manobra para retardar a votação para o final do mês.

 

RÁPIDAS

 

* Vivemos no país em que a cultura da judicialização de tudo e a gama de possibilidades recursais fazem com que a contestação de quem é o verdadeiro campeão brasileiro de Futebol, de 1987, isso mesmo, há 30 anos, seja resolvido agora, depois da longa batalha judicial entre Sport Club Recife e Clube de Regatas Flamengo.

 

* Os pernambucanos do Leão da Ilha do Retiro ficaram com o título depois que o STF negou mais um recurso do Flamengo carioca.

 

* PSC catarinense, presidido pelo deputado Narcizo Parisotto, reúne nesta quarta, em Itajaí, com a presença do pastor Everaldo Pereira, presidente nacional do partido, no Sandri Palace Hotel, a partir das 14h.

 

* O PSC terá candidato à Presidência, o deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), que vem ao estado dia 18 de maio, e não esta semana como a coluna informou em sua primeira versão da última terça-feira, mas também será interessante ouvir o pastor Everaldo, que nega ter recebido R$ 6 milhões para ajudar o tucano Aécio Neves, em debate ao Palácio do Planalto, em 2014.

 

* O deputado Gelson Merisio (PSD) nega ter qualquer envolvimento com a escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça pelo quinto constitucional da OAB e considera legítima qualquer postulação.

 

* Tentativa de invasão de policiais civis no Congresso Nacional mostra a mobilização da categoria, o que é legítimo, mas levanta uma questão preocupante: manifestante que tem o direito legal de portar arma de fogo, deveria ter outro tratamento quando vai à rua protestar. 



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