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Roberto Azevedo

A qualidade da carne deve ser valorizada


Raimundo Colombo reunido com técnicos, empresários e deputados: evitar prejuízos é prioridade. CELSO BEVILACQUA/DIVULGAÇÃO

Desqualificar o trabalho da Polícia Federal na Operação Carne Fraca, que identificou fraudes em pelo menos três unidades e pôs sob suspeita 21 plantas frigoríficas no país, será a pior estratégia para solucionar o enorme problema que depõe contra credibilidade do produto que garante empregos e divisas para o país, principalmente Santa Catarina. O modus operandi da PF em relação aos maus fiscais e empresários que agiam em conluio para burlar a relevante fiscalização do Ministério da Agricultura e vender carne adulterada e estragada foi o mesmo utilizado até hoje na Operação Lava Jato, aplaudida, via de regra, pelos mesmos que agora a qualificam de irresponsável e condenam o que chamam de espetacularização das operações. Curioso foi ouvir críticas de agentes e até delegados federais à atuação de Maurício Moscardi Grillo, que coordenou a operação.

 

A questão é a mesma

A Polícia Judiciária Federal não julga, não condena, mas a impressão quando o comparamos os dois fatos é a mesma: investigado, detido ou conduzido coercitivamente pelos policiais federais são, automaticamente, tachados de culpados, mesmo antes que o inquérito seja concluído, que o Ministério Público – outra instituição que costuma fazer alarde de seus feitos – denuncie e que o Judiciário aceite os argumentos e transforme os indivíduos em réus. Se houve exagero antes, na Lava Jato, posturas que mereciam reparos, vale o critério similar para o episódio mais recente. Certamente não será a PF a responsável pelos desmandos, e cabe agora aos governos do Estado e Federal apertarem a fiscalização para evitar que os, até agora, poucos focos de irregularidades tornem-se caso comum, e que empresários que não atacam a ganância de determinados frigoríficos culpem quem investiga pelo crime cometido pelos seus pares.

 

Lições

Bater na classe política e chamar de bandido os envolvidos em qualquer investigação da PF é fácil, admitir que a rede de corrupção é muito maior e que inclui o mau empresário corruptor e o servidor público corruptível já é outra conversa. Nesta triste relação, Santa Catarina, que tem dados robustos na produção e venda de carne, 5% do Produto Interno Bruto ou 18% se considerado todo o setor de proteína animal, perde por conta dos lastimáveis resultados da Operação Carne Fraca, sem que tenha sequer um fiscal do Ministério da Agricultura afastado e apenas uma unidade frigorífica, filial de uma empresa do Paraná, fechada em Jaraguá do Sul, em um universo de 600 estabelecimentos que abatem e produzem carne no Estado, mais da metade com fiscalização federal permanente.  

 

FABIAN LEMOS/DIVULGAÇÃO

COMEÇOU CEDO

Normalmente calmo, o clima nos corredores da Assembleia era de muita movimentação, nesta segunda, principalmente para o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Natalino Lázare, visitado e muito por comitivas do interior do Estado. No flagrante, Natalino, o prefeito de Videira Dorival Borga (PSD) e o presidente da Associação Comercial do município, um dos maiores produtores de suínos do Estado, de onde surgiu a Perdigão, se encontraram com o deputado José Milton Scheffer, também integrante da comissão, e engenheiro agrônomo por formação. O tamanho da crise aberta pela Operação Carne Fraca era a preocupação de todos, mas o consenso foi de que é cedo para dimensionar. Mais tarde, Natalino esteve na reunião com Colombo, mesmo encontro acompanhado pelos deputados Mauro De Nadal (PMDB) e Gelson Merisio (PSD), ambos com base no Oeste.

 

Ação

Depois de se reunir dois dias seguidos com assessores e técnicos das áreas relacionadas ao agronegócio e da vigilância sanitária, o governador Raimundo Colombo trouxe representantes da indústria e das associações de criadores e trabalhadores do setor para um encontro na Casa d’Agronômica. A partir desta terça-feira, Colombo participará de reuniões em Brasília com o presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para tratar de ações em conjunto dos governos estadual e federal, acompanhado por um grupo de técnicos, empresários e parlamentares. Colocou-se à disposição para visitar países importadores da carne para explicar a situação da produção no Estado e fazer a defesa das carnes de suínos e de aves.

 

Alô, alô!

Raimundo Colombo conversou com representantes dos governos que compram a carne produzida no Estado para reafirmar a qualidade do que foi exportado, e que passa por fiscalização também quando chega aos portos de destino no exterior. Não houve denúncia ou constatação sobre o produto catarinense, maior produtor de carne suína do país e seguindo maior produtor de frangos.

 

FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

DEMOROU, HEIN!

Somente por volta das 17h, desta segunda, finalmente o ministro Blairo Maggi (Agricultura) declarou, de forma oficial, que o brasileiro pode consumir a carne sem problema, garantiu a qualidade da inspeção e minimizou os efeitos da investigação da Polícia Federal. Maggi conversou com líderes de vários países que compram o produto, mas sabe que 80% do que sai dos frigoríficos ficam no mercado interno. Baixar o preço nas gôndolas dos supermercados e dos açougues significará uma tragédia tão grande quanto as suspensões pontuais de China, União Europeia e Estados Unidos.  

 

MARCELO TOLENTINO/DIVULGAÇÃO

DE CABEÇA EM SANGÃO

Quem não deve reclamar de apoio do partido para a eleição suplementar é Herivelto de Castro, que concorre à prefeitura de Sangão pelo PMDB.  Ao lado do vice Paulinho, Castro percorreu as ruas do Bairro Morro Grande  ao aldo do presidente estadual, deputado Mauro Mariani, o deputado-secretário Luiz Fernando Vampiro (Infraestrutura) e o deputado estadual Manoel Mota. A eleição será dia 2 de abril, próximo domingo.

 

A reforma

Ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, defendeu uma reforma política que se antecipe à eleição de 2018. Ao participar de um encontro com autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros, Mendes não teve dúvida em dizer que a imperfeição em propostas como a lista fechada para deputados, mas que pensar em financiamento público seria um equívoco além de oneroso demais.

 

GIANCARLO BARAÚNA/DIVULGAÇÃO

TUCANOS AFINADOS

Em reunião da executiva estadual do PSDB, o assunto eleição dos novos diretórios, dia 2 de abril, foi complementado pela informação, reforçada, de que, em dezembro próximo, a sigla realizará a sua convenção estadual para a escolha do candidato ao governo. O recado foi reafirmado pelo presidente estadual Marcos Vieira e ratificado pelo senador Paulo Bauer, o pré-candidato, que estava de aniversário nesta segunda-feira, mas gostaria de ganhar o presente em outubro do ano que vem.

 

MÁRIO MANTOVANI/DIVULGAÇÃO

COM O ZEQUINHA  

O presidente da Fatma Alexandre Waltrick Rates e o procurador jurídico da Fundação, João Pimenta, convidaram o ministro Zequinha Sarney Filho (Meio Ambiente) para participar de um seminário sobre a proposição da nova lei geral do licenciamento ambiental, em junho, em parceria com a comissão do meio ambiente da  OAB e Assembleia. Nesta quinta, a romaria prossegue quando o secretário Murilo Flores (Planejamento) acompanhado pelo adjunto Fabio Botelho e do presidente estadual do PV, Guaraci Fagundes, participam de concorrida reunião, em Brasília, com o ministro, momento ideal para tratar de despoluição de rios, bacias e mananciais dos municípios catarinenses.

 

RÁPIDAS

 

* Sessão das Assembleia, nesta terça, deve ser quase monotemática por conta da situação deflagrada pela Operação Carne Fraca e a viagem de alguns deputados com o governador Raimundo Colombo a Brasília.

 

* Um deles será Gelson Merisio, que não desgruda de Colombo, sem contar que retornou de recente viagem ao Japão para tratar da ampliação da venda de carne suína para a Coreira do Sul.

 

* Gerson Pedro Berti, presidente da Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina, elogiou a escolha de Giberto Odilon Eggers para a presidência da Eletrosul, a quem considera “competente, com larga experiência no setor e com habilidade de gestão de pessoas e negócios”.



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