Roberto Azevedo

A pré-eleição entra no modo blefe


ALAN SANTOS/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

A menos de uma semana da convenção que elegerá o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidente nacional do PSDB, para contornar uma crise interna, nem o encontro com o presidente Michel Temer (foto) e o ministro Henrique  Meirelles (Fazenda), durante um evento do Minha Casa Minha Vida, minimizou o desconforto do desembarque tucano do governo. Alckmin e parte da cúpula do partido não querem ser contaminados pelos baixos índices de aprovação de Temer, mas também não pretendem se afastar da pauta, principalmente da Reforma da Previdência, que sempre defenderam e agora fazem de conta que não estão muito a fim de aprovar.

Um dos problemas para que isso se materialize está bem ao lado de Temer, a já não tão improvável candidatura de Meirelles pelo PSD, que depende de algumas variáveis, a principal justamente a retomada do crescimento econômico. O movimento de Meirelles tornou-se o bode na sala para Alckmin, que não terá muito tempo para mudar de ideia, pois as pesquisas, como a do Datafolha, divulgada neste fim de semana, mostram que o alvo dos eleitores é outro, com Lula (PT) na liderança, mesmo com todas as ações que responde por corrupção – inclusive uma condenação – e o histriônico Jair Bolsonaro (futuramente no Patriotas) logo atrás, pré-candidato que começa a ser bombardeado, pois prega o moralismo, porém teria contratado parentes, o que é vedado por lei, o tal nepotismo.

 

Efeitos locais

Enquanto os tucanos nacionais exercitam o que mais sabem, ficar em cima do muro, a perspectiva de não ter o apoio de PMDB e PSD à Presidência teria consequências imediatas nas alianças em todo país. Em Santa Catarina, os tucanos têm falado grosso em nome de uma candidatura própria, sem interferência da cúpula ou de Alckmin. O futuro dirá se o projeto, com quem quer que seja o candidato, resiste à falta de uma composição mais robusta, daí a aproximação com o PP e disparo em direção ao PR, para evitar o isolamento.

 

Novidade

Se Meirelles, o sem carisma, emplacar a pré-candidatura à Presidência, com o apoio de Temer, o PSD catarinense estará cada vez mais próximo do PMDB, para o terror do pessedistas que não desistiram da pré-candidatura de Gelson Merisio ao governo. Melhor para o deputado João Rodrigues, que quer bater chapa na convenção estadual e não teria dificuldades em conversar com os peemedebistas locais.

 

Mais claro

Até o dia 20 deste mês, o governador Raimundo Colombo deverá confirmar como se dará o processo de passagem do cargo ao vice Eduardo Pinho Moreira. A transição já teria começado, na versão de alguns assessores de Colombo, o que da para avaliar a partir de fatos, como o da última sexta-feira, quando governador e vice foram a Brasília e se encontraram com o ministro Henrique Meirelles e o presidente Michel Temer, em função do programa de ajuste financeiro e a liberação de uma parte de um financiamento existente do Banco do Brasil no valor de R$ 600 milhões. A fumaça branca não demora a sair, garantem, pelo menos o fogo já foi posto.

 

Informação

Antes de se encontrarem com Michel Temer, Colombo e Pinho Moreira ouviram das responsáveis técnicas do Tesouro Nacional uma realidade diferente sobre a necessidade da reforma da Previdência: a linha da Previdência Pública é descendente em benefícios e a do Regime Geral (do INSS) está em grande ascensão.

 

Criminalizar, não!  

O mesmo caráter que pretende criminalizar a classe política no com bate à corrupção, ao jogar todo e qualquer mandatário em uma vala comum da corrupção, atinge agora o servidor público, em todos os níveis, quando o assunto é reforma da Previdência. Não se sustenta a máxima de que o funcionalismo corresponde ao estereótipo de que todos ganham muito além do ideal, acima do teto da Previdência Oficial (R$ 5.531,31) e de que se aposentam com pouco tempo de trabalho. Os servidores ainda continuam a pagar a pr5evidência depois de aposentados.  

 

Mais força

O deputado João Rodrigues reúne em seu escritório em Florianópolis, nesta segunda, cerca de 50 prefeitos do PSD, em um jantar para reforçar o apoio à pré-candidatura ao governo. O PSD tem 61 prefeitos, e, mesmo em Chapecó, base de Merisio, os vereadores da base apoiam João, enquanto o prefeito Luciano Buligon (PSB) mantém o compromisso com o presidente estadual pessedista.

 

FOTOS ROBERTO AZEVEDO

O ETERNO DESAFIO

Com investimento de R$ 300 mil a prefeitura de Florianópolis revitalizou o Parque de Coqueiros, uma das áreas mais bonitas da Capital do Estado. Outro anúncio foi a criação do Parque do Abraão. Mas um grande espaço público, praticamente abandonado, merece a atenção do prefeito Gean Loureiro (PMDB). Oficialmente, a prefeitura procura uma parceria com a iniciativa privada para dar uma melhorada de qualidade em pleno Centro de Florianópolis, a Praça Tancredo Neves, que já foi chamada dos Três Poderes, que separa Assembleia e Tribunal de Justiça do Tribunal de Contas. Os sinais do descaso com a área impressionam, e, se não fossem as assembleias de sindicatos de trabalhadores do serviço público, não teria outra utilidade anual.

 

Projetos

A Praça Tancredo Neves, que já sediou o Executivo Estadual, quando o Palácio Santa Catarina, um ex-prédio da Celesc, abrigava o gabinete do governador até 2002, já foi objeto de muitos projetos. Um deles, previa a construção de um estacionamento subterrâneo e a instalação de quiosques em um conceito de boulevard.

 

Responsabilidade social

A Assembleia entrega hoje o certificado de Responsabilidade Social a 31 organizações com fins não econômicos, 26 empresas privadas e três empresas públicas. A cerimônia será às 19h, no plenário da casa. A lista completa pode ser conferida em http://responsabilidadesocial.alesc.sc.gov.br/resultado/certificado.



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