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Roberto Azevedo

A operação abafa de Kassab


Raimundo Colombo e Gilberto Kassab, do PSD: unidos para evitar a debandada da bancada federal.

Na última segunda-feira, enquanto participava de um jantar a convite do PP, com as bancadas estadual e federal da sigla e do PSD, o deputado Gelson Merisio saiu do encontro direto para a Casa d’Agronômica. Deixar o compromisso com o parceiro preferencial nas próximas eleições tinha um motivo: Merisio, pré-candidato ao governo pelo PSD, participaria de um encontro com o ministro Gilberto Kassab (Tecnologia, Informação e Comunicação), presidente nacional da sigla, que veio exclusivamente a Florianópolis para evitar que os deputados federais João Paulo Kleinübing, João Rodrigues e Cesar Souza venham a deixar o partido diante um ofensiva do DEM, de onde saíram para virar pessedistas.

Kassab se reuniu com o governador Raimundo Colombo, os três federais e  Merisio, presidente da legenda no Estado. A conversa durou duas horas, em torno da mesa de jantar, mas foi Colombo quem fez os mais enfáticos apelos para que Kleinübing, o mais próxima do DEM, com a possibilidade de assumir o comando no Estado, Rodrigues e Souza não fizessem a troca em nome da unidade para 2018. Curiosamente, participantes do encontro disseram que Kassab não deu a ênfase esperada no pedido pela permanência. A simples participação dele na reunião indicava a preocupação: perder espaço na Câmara às vésperas de um reforma política e ver o enfraquecimento da sigla, que, hoje, frequenta o centrão, comprometeria uma série de questões, do tempo de TV ao fundo partidário.

 

Três cenários

João Paulo Kleinübing está muito próximo do DEM e nas palavras do presidente estadual da sigla, o suplente de senador e ex-deputado Paulo Gouvêa da Costa, dependeria da nova janela de troca para não comprometer o mandato, a ser aberta a partir da reforma política em outubro ou entre março e abril de 2018, já prevista em lei. Cesar Souza confirma que há contatos com as lideranças do DEM, principalmente colegas de Câmara, mas sem o caráter oficial. João Rodrigues é o menos propenso à debandada, porém condiciona sua permanência a uma posição na chapa majoritária (governo ou Senado).  

 

Detalhe

No jantar entre as bancadas do PP e PSD, a convite do atual presidente pepista Esperidião Amin, os deputados federais do PSD não apareceram pelo compromisso com Kassab, na Casa d’Agronômica. Só não ficou mais marcante porque o deputado federal pepista Jorge Boeira também não foi dar umas garfadas.

 

Imprevisível

Uma debandada da bancada federal do PSD ou de parte dela teria repercussão imprevisível no projeto de Merisio ao governo. Também respingaria na campanha de Raimundo Colombo ao Senado. Não que os eleitores do DEM não aprovem ou votem no governador, mas as articulações da sigla, que ainda é forte em números de filiados no Estado,  

 

Relação

O deputado Cesar Souza teria outros motivos para rumar com o filho Cesar Júnior, ex-prefeito da Capital, para o DEM em função da relação com a família de João Paulo Kleinübing. Lembra que, em 1986, quando o pai do colega de Câmara perdeu a eleição ao governo para o peemedebista Pedro Ivo Campos, usou o próprio carro e virou “motorista” de Vilson Kleinübing, que percorreu o Estado, principalmente o Vale do Itajaí, para agradecer pelos votos recebidos. Souza havia sido eleito deputado estadual pelo PFL, depois de passar pela Câmara de Vereadores da Capital.   

 

VITOR LOUZADO/GVG

PRÉVIA TUCANA

Amigo do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com quem foi Constituinte na década de 1980, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, no exercício do governo com a viagem de Raimundo Colombo aos Estados Unidos, é nome certo na visita que o tucano paulista fará ao Estado neste sábado. Antes, nesta quinta, Moreira recebeu o presidente estadual do PSDB, o deputado Marcos Vieira, acompanhado do peemedebista Valdir Cobalchini. Moreira nunca escondeu a preferência pessoal por Alckmin à Presidência, mesmo que o PMDB decidisse outro apoio, mas a conversa prévia foi para falar do quadro político. Tucanos e peemedebistas catarinenses têm conversado muito ultimamente com perspectiva a 2018.

 

Corta e remenda

As decisões do governo federal em aumentar a meta fiscal, prova de que a coisa não anda nada boa na arrecadação, segurar o reajuste do funcionalismo federal e partir com tudo para aprovar a reforma da Previdência, motivo de histórico rombo nas contas públicas, merecem atenção especial. O quadro negativo atinge a lógica de todo o Estado Brasileiro, e que contou com a coerência da ministra Carmén Lúcia, presidente do STF, que vetou o reajuste de 41% para o Poder Judiciário, que teria efeito cascata nos demais, e obrigou o Conselho Nacional do Ministério Público a barrar os 16% para os procuradores da República, também com repercussão na categoria em todos os níveis. Não é hora para gastos fora da realidade do país, que tem quase 14 milhões de desempregados na iniciativa privada, que paga os salários do serviço público.

   

ROBERTO AZEVEDO

O DISTRITÃO EM DEBATE

Motivo de conversas em todas as rodas políticas, a possibilidade de implantação do Distritão nas eleições de 2018 (geral) e 2020 (municipal), onde o candidato a vereador, deputado estadual e federal mais votado será o eleito, e não haverá mais o quociente da proporcionalidade, era o pano de fundo deste encontro ao acaso. O deputado estadual Maurício Eskudlark (PR) seguiu, por alguns metros, à saída da Assembleia, uma verdadeira caravana do PDT, composta pelo secretário nacional da sigla, Manoel Dias, o deputado Rodrigo Minotto (presidente estadual), Luís Viegas (presidente municipal de Florianópolis) e o professor da Udesc Lucas Ferreira. Eles veem o Distritão com reserva, até porque se vigorasse em 2014 o PDT não teria uma cadeira na Assembleia. O PR também.

 

Ele vem

Na rota dos presidenciáveis, Santa Catarina recebe o ex-deputado, governador do Ceará e prefeito de Fortaleza Ciro Gomes (PDT) ainda este mês. Cumpre agenda em Chapecó, dia 22, e em Florianópolis, no dia 23. Professor universitário, Ciro passou por sete partidos e foi ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco. Na Capital, dará palestra na Udesc sobre “As Alternativas à Crise Econômica no País”, evento da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini e da Esag. Vale conferir.

 

RÁPIDAS

* Quando a Casan faz uma fiscalização e descobre que 11 caixas de inspeção foram lacradas, no procuradíssimo Bairro do Campeche, na Capital, por conta de ligações clandestinas, percebemos o quanto o cidadão deixa de fazer a sua parte no saneamento.

 

* É mais fácil dizer depois que determinado, ribeirão ou riacho está poluído, o que comprova a falta de responsabilidade de uns poucos que comprometem a saúde de milhares.

 

* Uma boa maneira de ficar atualizado com o que ocorreu na semana do Legislativo Estadual é o programa Direto do Plenário, ao vivo pela TV AL e pelo Facebook, todas as quintas, após as sessão, comandado pela jornalista Denise Félix.

 

* PMDB decidiu suspender seis deputados federais que votaram a favor da abertura da denúncia contra o presidente Michel Temer. Não trata-se de revanchismo, apenas o cumprimento do fechamento de questão.

 

* O risco da humanidade é grande quando histriônicos líderes impostos ou eleitos, como Kim Jong-um e Donald Trump, usam seus interesses na Coreia do Norte ou nos Estados Unidos tendo ogivas nucleares de pano de fundo. Tomara que seus arroubos não passem de blefes.  

 

* Até a mulher de Joesley Batista, Ticiana Villas Boas, desmente parte das delações do lobista Ricardo Saud, que atuava para o grupo J&F, detentora da JBS, sobre o deputado Fábio Faria (PSD-RN), marido da filha de Silvio Santos, Patrícia Abravanel, e a suposta entrega de propina. Êta joguinho ruim destes "Freeboys".



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