Roberto Azevedo

A lista de Janot é o rol da vergonha


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que agitou o país com o pedido feito ao STF. JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Como deixar de avaliar que a lista de 83 nomes, enviada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal, é o maior golpe no sistema político brasileiro da história, que necessita de uma revisão imediata sob pena de sucumbir à corrupção. Na lista constam cinco ministros de Estado, dois ex-presidentes da República, pelo menos quatro presidenciáveis, dois presidentes nacionais de partidos, seis senadores e os comandantes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que também preside o Congresso Nacional. Não foram condenados, sequer denunciados ou viraram réus, mas representam uma fatia significativa do poder, agora chamuscada, mais ainda, pelas delações de executivos, ex-executivos e do presidente da Odebrecht. Liberar os documentos para a sociedade é fundamental.

 

Um pesadelo

O rol de Janot, que contém pedidos de abertura de inquérito, revela que os maiores partidos do país, PMDB, PSDB e PT, além de uma legenda em ascensão, o PSD - o PP já havia sido maculado antes -, mancharam a trajetória democrática no país em nome de abocanhar doações de campanha com dinheiro oriundo de propinas e caixa dois, portanto, nada contabilizado. O impacto é tão grande que atende a um desejo da oposição que será frear a análise de temas importantes no parlamento, como as reformas da Previdência e Trabalhista, embora a maior parte de quem é contra o governo de Michel Temer esteja enlameada no que o Ministério Público quer transformar em denúncia. Nesta terça, perdemos todos, embora o processo de depuração política no país tenha ganho pontos preciosos.

 

Os nomes

Entre os citados no pedido de abertura de inquéritos estão os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil, PMDB), Wellington Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência, PMDB), Bruno Araújo (Cidades, PSDB), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações, PSD) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores, PSDB); os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB- MA), José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG). E os petistas Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci e Guido Mantega.

 

Deve aumentar

Com base nas mesmas delações premiadas da Odebrecht, o procurador-geral da República quer pedir autorização para abrir inquérito para investigar quatro governadores, no Superior Tribunal de Justiça, em uma nova lista. As especulações de quem teria recebido dinheiro de caixa dois para campanha eleitoral da empreiteira levam Rodrigo Janot a mirar em Geraldo Alckmin (PSDB, São Paulo), Raimundo Colombo (PSD, Santa Catarina), Luiz Fernando Pezão (PMDB, Rio de Janeiro) e Fernando Pimentel (PT, Minas Gerais).

 

Não vem

Com toda a pressão da nova lista de Janot, mais os protestos que incluíam um tratoraço de produtores de cebola, e o foco na reforma da Previdência, o presidente Michel Temer, em comum acordo com o governador Raimundo Colombo, resolveu transferir a visita à Barragem de Ituporanga e um sobrevoo na Barragem de Taió para o mês que vem, em data que ainda será definida. A viagem de Temer a Santa Catarina para inaugurar as obras de elevação das barragens, marcada para esta sexta-feira, estava sem confirmação, conforme a coluna antecipou, e não havia clima para festa.   

 

Até comemorou

Ex-secretário estadual da Defesa Civil e um dos defensores da obra de elevação das barragens de Ituporanga e Taió, parte do sistema de contenção de cheias do Vale do Itajaí, o deputado Milton Hobus (PSD), que é da região e já foi prefeito de Rio do Sul por duas vezes, não reclamou da transferência do evento para abril. É que, nesta sexta, ele seguirá para uma viagem à China e não estaria presente à visita presidencial, agora cancelada.

 

GUTO KUERTEN/AGÊNCIA AL

CADA VEZ MAIS PRÓXIMOS

Na semana que vem, o presidente da Assembleia Silvio Dreveck (PP) começa um roteiro oficial pelo Norte catarinense, que inclui São Bento do Sul, base do parlamentar, na companhia do ex-presidente da casa, o deputado Gelson Merisio (PSD). É mais um gesto que demonstra a aproximação de pepistas e pessedistas, um complemento da política da boa vizinhança entre os dois partidos, cada vez mais alinhados para 2018.

 

Cumpriu

Aliás, o deputado Silvio Dreveck começou nesta terça a votação de cinco vetos do governador Raimundo Colombo por sessão, além das demais matérias que chegarem ao plenário, uma forma de desafogar a fila de deliberações na casa. Um dos vetos foi derrubado, o de um projeto de autoria do deputado Antônio Aguiar (PMDB), que obriga Estado a contratar apenas professores com graduação na área para atuar na disciplina de Educação Física.

 

MARCELO TOLENTINO/DIVULGAÇÃO

ESTILO MANDA BRASA

Depois de muita conversa sobre uma animosidade entre o deputado federal Mauro Mariani, presidente estadual do PMDB, e o prefeito Udo Döhler, um encontro nesta segunda-feira, em Joinville, selou uma nova fase na relação dos dois líderes. Mapeados como dois pré-candidatos ao governo pelo partido, a tradição do “Manda Brasa”, estar unido quando uma eleição ocorre, fez com que Mariani e Udo tornassem público que não há “ruídos” na relação, tanto que marcaram agenda, em Brasília, na próxima semana, para tentar liberar US$ 70 milhões (cerca de R$ 230 milhões) já aprovados pelo BID. Na foto, da esquerda para a direita, Mariani, Udo, o secretário-deputado Carlos Chiodini (Desenvolvimento Econômico Sustentável) em um conversa descontraída com Waldemar Schulz Júnior, o Mazinho, presidente da Associação dos Comerciários de Joinville e região.  

 

RÁPIDAS

 

* Depoimento do ex-presidente Lula sobre a tentativa imputada a ele de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, principalmente quando afirma que não tinha relação com Nestor Cerveró, ex-diretor das Petrobras, e que tudo que o ex-senador Delcídio do Amaral fez foi por conta própria é patético. Só foi preciso ao dizer que é difícil acordar todas as manhãs e ter medo de ser preso.

 

* Prédio onde funciona a Associação dos Funcionários da Assembleia (Afalesc) e setores da casa, na Avenida Mauro Ramos, próximo ao Palácio Barriga Verde, está com problemas estruturais, de acordo com avaliação do Corpo de Bombeiros, e terá que ser desocupado para uma avaliação mais detalhada.

 

* Manifestações contra a reforma da Previdência terão efeitos, nesta quarta, na vida dos catarinenses, com paralisações e assembleias marcadas para a tarde.

 

* O que políticos governistas e a oposição no Congresso Nacional têm que responder à nação é o que ocorrerá caso não seja aprovada a reforma da Previdência e como ficará a solução matemática de cada vez menos pessoas participarem do sistema solidário enquanto aumenta o número de pessoas aposentadas.



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