Roberto Azevedo

A ironia que une os destinos de João e Lula


AGÊNCIA CÂMARA DOS DEPUTADOS

O deputado federal João Rodrigues sempre se apresentou como um ferrenho adversário do PT e ao ter a condenação por fraude e dispensa de licitação confirmada pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal viu o pedido de imediato cumprimento da prisão em regime semiaberto, de cinco anos e três meses, liga-lo ao destino do ex-presidente Lula. Se João for preso, Lula também irá, poderíamos assegurar, pelo placar de 3 votos a favor (ministros Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes) a dois (ministros Marco Aurélio Mello e Rosa Weber), que demonstra uma tendência, mesmo que apertada, na mais alta corte, ressalvado que ainda seriam colhidos os votos de outros seis ministros. Não é exagero afirmar que a análise do caso do parlamentar por Santa Catarina interessava ao PT.  

Um “milagre” jurídico, com um embargo que busque a confirmação da prescrição da condenação, sustentada pela defesa de João, desde 18 de dezembro passado, não evitará o desgaste que o afasta do projeto de concorrer ao governo. Melhor para Gelson Merisio, que se via ameaçado com a possibilidade de uma disputa em plena convenção do PSD e mesmo agora, já que há indícios de um prazo dado por gente graúda da cúpula para que a pré-candidatura ao governo decole até o mês que vem. Enquanto os petistas do Estado comemoravam a derrota de João, não avaliaram que se o resultado fosse outro, com o afastamento da prisão na segunda análise colegiada no Judiciário, a defesa de Lula ganharia argumentos valiosos para tentar reverter a situação de seu líder, também condenado a prisão por 12 anos e um mês por lavagem de dinheiro e corrupção passiva em função do rumoroso evento do tríplex da OAS, no balneário do Guarujá (SP).    

 

Miopia

Avaliar como positivo o infortúnio de João Rodrigues para os planos do PSD no Estado é, no mínimo, uma incongruência. Com o governador Raimundo Colombo citado, ao lado do ex-secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni, em duas delações premiadas de executivos da J&F (Frigorífico JBS) e da Odebrecht, na Operação Lava Jato, o que pode dar em nada, o mesmo efeito sobre Gelson Merisio, que teria sido o beneficiário de caixa dois, de acordo com relatos do delatores da Odebrecht, com direito ao apelido de Cunhado, apostar em mais um escândalo para afastar um forte adversário é questionável.

 

Com apoio

Dezenas de prefeitos, vices e vereadores, além de outras lideranças do PSD, do DEM e até de outras siglas, correram para prestar solidariedade a João Rodrigues, que está em Orlando, nos Estados Unidos, e só retornará ao Brasil nesta sexta-feira (9). Eram telefonemas e mensagens nas redes sociais e diretamente o parlamentar, onde os defensores do projeto de João ainda acreditam na prescrição e apostam que não demoram retaliações às comemorações internas pelo resultado do julgamento no STF.

 

JEFERSON BALDO/GVG

AO PÉ DO OUVIDO

Impossível não notar as trocas de confidências entre o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB) e o ex-deputado e conselheiro de Contas Julio Garcia, que retorna ao jogo político com tudo, nos bastidores da leitura anual do governador Raimundo Colombo na Assembleia. Julio mantém o mistério dos seus movimentos, mas como está alinhado com João Rodrigues e já teria conversado com Gelson Merisio sobre prazos, alimentar qualquer cenário, inclusive o de manutenção da aliança entre MDB e PSD, deixa claro que esta conversa também pode significar mais do que parceria, já que as indicações a cargos no futuro governo de Moreira foram encaminhadas e bem aceitas.

 

Os nomes

A única surpresa no anúncio de novos nomes da equipe de Eduardo Pinho Moreira ficou mesmo por conta do professor de direito Alceu de Oliveira Pinto Junior para a Secretaria de Segurança Pública. Moreira troca um promotor de Justiça, Cesar Grubba, por um especialista e acadêmico. O coronel PM Araújo Gomes para o comando-geral da Polícia Militar e o delegado Marcos Ghizoni Júnior, atual adjunto, que assumirá a delegacia-geral da Polícia Civil, já eram os favoritos para a função.   

 

Definida

A posse de Eduardo Pinho Moreira na interinidade do governo, que durará até abril, quando Raimundo Colombo renunciará para disputar o Senado, será no CentroSul, na sexta (16), a partir das 15h. O local tem seu simbolismo, pois foi o escolhido para as duas posses de Luiz Henrique no governo do Estado, coisas de MDB.

 

LUIS GUSTAVO DEBIASI/AGÊNCIA AL

COMEÇA A ERA ALDO

Tudo dentro do previsto, inclusive com a manutenção de muita gente da equipe que esteve com Gelson Merisio (PSD) e Silvio Dreveck (PP) nos principais cargos da casa, o deputado Aldo Schneider (MDB) assumiu o comando da Assembleia. No discurso rápido para um plenário lotado de correligionários e políticos do Alto e Médio Vale do Itajaí, Aldo, um servidor de carreira da Secretaria da Fazenda, honrou o vínculo e falou em eficiência e controle de gastos. Não faltaram agradecimentos ao deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB) e ao ex-deputado João Matos e aos ex-governadores Paulo Afonso Vieira e Casildo Maldaner, presentes à posse. O deputado Silvio Dreveck (PP) foi confirmado como 1º vice-presidente da casa em uma rápida eleição.

 

O quarto

Jornalista Orlando Pereira, de Rio do Sul, acrescenta o fato histórico de ser Aldo Schneider, nascido em Agrolândia (ex-vereador em Ibirama e por três vezes prefeito de Vitor Meirelles), o quarto representante do Alto Vale do Itajaí, a partir de década de 1970, a presidir a Assembleia. Antes dele, Valdomiro Colautti, de Ibirama (1977 a 1978); Moacir Bértoli, de Taió (1979 a 1980) e Heitor Sché, de Rio do Sul (1989 a 1990), comandaram o Legislativo estadual.

 

RÁPIDAS

* O defensor público-geral do Estado, Ralf Zimmer Junior, não confirma, por ora, a intenção de concorrer a um cargo de deputado estadual nesta eleição, mas informa que passará o comando do órgão à subdefensora pública-geral, Ana Carolina Dihl Cavalin, que já faz história por ser a primeira mulher a ocupar o cargo.

 

* No dia em que João Rodrigues foi julgado pelo STF, Lula teve a condenação do TRF4 confirmada e publicada.

 

* Ter o nome e a história política ligada a um episódio que envolve Lula é tão pior ou mais para o deputado João Rodrigues do que ter uma condenação à prisão. Podem ter certeza.

 

* Discreto e eficiente, Carlos Alberto de Lima Souza prossegue na diretoria-geral da Assembleia na gestão de Aldo Schneider. 

 

* Secretário Nelson Serpa, um dos mais próximos do governador Raimundo Colombo, despede-se da Casa Civil, nesta quarta (7), e passa o comando da pasta ao novo titular, Luciano Veloso Lima, às 15h30min.



Receba Novidades da
Making Of por email! Cadastrar email