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Roberto Azevedo

A Constituição está acima de casuísmos


Michel Temer ao anunciar que renunciará à Presidência: gravações com Joesley seriam inconclusivas. VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

Somente o temor da eleição no ano que vem e a necessidade da maioria dos atuais deputados federais e senadores em manter o mandato ou partir para voos em seus estados justifica a defesa de muitos parlamentares em promover uma mudança na Constituição. Convocar eleições diretas este ano, com a antecipação que partiria da mudança da Carta Magna, seria uma atitude casuística de autodepredação do papel do Congresso Nacional, em que seus integrantes abririam mão de escolher, de forma indireta, o eventual substituto de Michel Temer.

É tanta determinação em lavar as mãos, que os parlamentares, muitos deles das bancadas catarinenses na Câmara e no Senado, esqueceram de observar que o humor e o otimismo de Temer mudaram no final da tarde de ontem, logo após seu pronunciamento, de 4 minutos e 25 segundos, quando disse que não renunciaria, ao receber do STF as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, da JBS. De fato, o diálogo é menos forte do que se supunha. O desafio do presidente da República, contra quem pairam suspeitas e uma denúncia de obstrução da Justiça, a partir da conversa com o empresário Joesley será preservar a sua base de apoio no parlamento. O pretexto Temer já possui: não levar o país para uma nova derrocada econômica e aprovar as reformas trabalhista e da Previdência. Estes dois temas, sim, capazes de tirar o sono de deputados e senadores interessados em permanecer nos cargos.  

 

Interesses

Deputados e senadores aliviados por não precisarem votar, servidores públicos em êxtase - entre eles policiais federais, procuradores da República e integrantes de tribunais superiores - por verem as reformas em compasso de espera ou abandonadas, e a movimentação nas ruas de milhares apoiadores Lula e Dilma Rousseff, que veem, na delação da JBS, a chance de uma revanche política contra Temer e quem o levou ao poder. Há muitos interesses envolvidos na desestabilização do atual presidente da República, menos, aparentemente, o de pensar no país coletivamente e, por exemplo, em mais de 14 milhões de desempregados.   

 

Colombo

Ao participar da abertura da 47ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, em Florianópolis, o governador Raimundo avaliou a decisão do presidente Michel Temer em não renunciar ao cargo. Para Colombo, Temer tem o direito de se defender e que o Judiciário deve apurar todas as acusações que foram feitas.  

 

Pela tangente

PMDB e PSDB de Santa Catarina emitiram notas oficiais, em separado, para se posicionar diante da grave crise nacional das últimas horas, que envolvem diretamente figuras nacionais de alto calibre, sem mencionar este fato. Nem os peemedebistas citaram o presidente Michel Temer nem os tucanos fizeram qualquer menção ao afastamento de Aécio Neves do Senado e da licença da presidência nacional do partido ou das prisões de pessoas da família do ex-candidato à Presidência.  

 

Também

Até a manifestação oficial da OAB catarinense sobre a situação do presidente Michel Temer após as delações da JBS virou motivo de crítica de alguns profissionais. Afirmam que o presidente Paulo Brincas, que, em nota pública, reforça o posicionamento de que Temer também deveria ter sofrido o impeachment junto de Dilma e que a Constituição deve ser cumprida, ainda não fez uma manifestação oficial sobre a polêmica escolha do quinto constitucional para a vaga de desembargador do Tribunal de Justiça.   

 

Doações

Para completar a lista dos que são lembrados para disputar o governo, em 2018, e que receberam doações oficiais, legais, da JBS, nas eleições de 2014, estão Mauro Mariani (PMDB), R$ 300 mil, a deputado federal; Dário Berger (PMDB), R$ 500 mil, a senador; Paulo Bauer (PSDB), R$ 400 mil, a governador; e Jorginho Mello (PR), R$ 300 mil, a deputado federal. Tamanha generosidade, repassada, na maioria das vezes via direção nacional dos partidos, não se repetiu em relação a outros dois pré-portulantes: Paulo Bornhausen (PSB) e Décio Lima (PT) que nada receberam. Gelson Merisio (PSD), via direção estadual, recebeu R$ 300 mil, na campanha a deputado estadual.

 

De Temer

Entre todos os nomes beneficiados com o dinheiro de Joesley e Wesley Batista, um diferencial: Dário Berger recebeu doação também via campanha de Michel Temer à vice-presidência, R$ 300 mil do total repassado.

 

DIVULGAÇÃO

SEM CANDIDATURA?

Por onde passou na visita a Santa Catarina, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi recebido por multidões, como registrado nesta foto, em Blumenau, pelo deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), que foi o cicerone do político de extrema-direita no Estado. Aos jornalistas, Bolsonaro disse que não é candidato em uma eventual eleição indireta à Presidência, no Congresso, e que só será pré-candidato ao Planalto, em 2018, se o partido dele decidir. Bem, caso não pensasse ou tivesse a intenção abandonaria esta cruzada pelo país para propagar suas ideias.

 

Tese

Entre os tucanos catarinenses já corre uma proposta que poderia unir o PSDB ao PMDB e ao PSD, na eleição ao governo do ano que vem. A renúncia dupla de Raimundo Colombo e de Eduardo Pinho Moreira, que determinaria a eleição do governador pelo voto indireto da Assembleia, e daria a oportunidade de um tucano chegar ao comando do governo. Parece um balão de ensaio, mas não é, e o deputado Marcos Vieira, presidente estadual da sigla, articula o assunto de olho nos desdobramentos.

 

JÚLIO CANCELLIER/DIVULGAÇÃO

FRANÇA NA INFRAESTRUTURA

A experiência administrativa de quem já foi presidente da Eletrosul, secretário regional de Blumenau e deputado estadual levou o engenheiro Paulo França (à direita) a assumir a condição de secretário-adjunto da Infraestrutura. Ao lado do secretário Luiz Fernando Vampiro, em visita à Ponte Hercílio Luz, França representa o PMDB do Vale do Itajaí. 



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