Rádio SC

Orgulho e responsabilidade: Profissionais falam sobre os desafios de fazer rádio em Santa Catarina


Rose Leite, da Rádio Clube AM, de Blumenau, vencedora do prêmio Acaert de melhor apresentadora em 2013

Por Alexandre Gonçalves, especial para o Portal Making Of

Setembro é um mês importante para o rádio. Durantes muitos anos, o 21 de setembro foi celebrado como o Dia do Radialista até ser mudado para 7 de novembro. E 25 de setembro é o Dia da Radiodifusão e motivo para a realização de eventos como a Semana do Rádio. Por isso, depois de destacar o momento, as tendências e as mudanças, a série especial do Portal Making Of, em parceria com a ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV) abre os microfones para dar voz aos profissionais do rádio de Santa Catarina. “Cada emissora tem o seu peso na comunidade em que está inserida e o rádio se faz através dos profissionais que estão atuando naquele veículo”, avalia Rose Leite, apresentadora da Rádio Clube AM, de Blumenau.

Com 22 anos de profissão, ganhadora do Prêmio ACAERT, edição 2013, como melhor apresentadora de rádio AM, Rose acredita que o trabalho dos radialistas em Santa Catarina tem as mesmas cobranças e objetivos que as de outros estados. “Hoje tenho o prazer de fazer parte de uma emissora que foi fundada em 1932, tem uma história junto da cidade e no estado e uma grande responsabilidade com a comunidade”, diz. “A nossa busca diária é de ser sempre primeiro lugar na audiência e para isso é necessário trabalhar muito e trabalhar em equipe”.

Lúcio Mauro Nedel, diretor-executivo da Nativa FM (ex- Floresta Negra FM), de Joinville, avalia que há duas décadas, Santa Catarina estava atrás em qualidade profissional em relação ao Rio Grande do Sul e ao Paraná. “Atualmente, vejo que estamos no mesmo nível ou até melhores”, diz. Por isso, ele é categórico em afirmar que é extremamente gratificante trabalhar no rádio catarinense. “Novos profissionais foram formados em universidades e outros chegaram de fora para agregar mais conhecimento e qualidade às nossas equipes”.

Marcos Andrei Meller, da Rede Peperi, de São Miguel do Oeste, também destaca a responsabilidade de fazer rádio em Santa Catarina por causa das características do estado. “É um motivo de orgulho fazer rádio aqui”, diz Meller, destacando que há uma cultura de ouvir rádio no extremo oeste catarinense e por isso o meio é muito forte nessa região do estado. Palavra de quem começou cedo no rádio, aos 15 anos, no Rio Grande do Sul, e que desde 2002 está em São Miguel do Oeste, desempenhando funções de repórter, redator e âncora de programas jornalísticos.

A mesma visão sobre as características do mercado é compartilhada por Anderson Jesus, da Rádio Difusora 910 AM, de Içara. “Santa Catarina é um estado diferenciado e por isso estamos sim um degrauzinho acima em vários setores”, diz. Para ele, na mídia o estado não deixa nada a desejar. “Temos uma mídia regional forte, extremamente competitiva e combativa”, avalia Jesus. “O interesse do brasileiro por informação rápida se ampliou e em Santa Catarina isso cresceu ainda mais e é o rádio que ganhou com isso”, afirma o profissional, formado em jornalismo em 1997 e que atua no meio desde 2002 e está na Difusora há quatro anos.

Os desafios do profissional do rádio

Mesmo sendo profissionais com ampla experiência no meio, Rose, Nedel, Meller e Jesus acreditam que quem trabalha com rádio precisa encarar diferentes desafios diariamente. Um deles é o “desafio eterno”, como diz Rose Leite, de prender o ouvinte à programação proposta pela emissora e, ao mesmo tempo, captar mais público e mais anunciantes. “Eu, por exemplo, trabalho em uma emissora AM e o desafio diário é fazer uma programação que atenda ao nosso público específico, recheada de informações, programetes, participação de repórteres, curiosidades, resumo do que está sendo notícia no mundo”, diz Rose. “Tem que ter muita criatividade porque todos os dias fazemos sim a mesma coisa, e sim, seguimos um roteiro, mas tudo isso de um jeito diferente”.

Neste sentido, Anderson Jesus acredita que o grande desafio é manter o rádio como um veículo atrativo para ouvintes e anunciantes. “Nos últimos anos já previram a morte do rádio inúmeras vezes e ele não apenas se manteve vivo como se revigorou”, afirma. “O grande desafio é seguir sendo companhia, fonte de informação, prestação de serviço e entretenimento”. Jesus,em ação na foto abaixo, conta que é essa a linha de trabalho da Rádio Difusora, usando também as novas tecnologias como apoio. “São elas que transformam o rádio neste meio multiplataforma”.

Para Marcos Meller, com o crescimento exponencial das redes sociais e a consequente possibilidade de qualquer pessoa produzir conteúdo, a informação circula muito rapidamente. Nesse cenário, diz ele, para manter a sua importância, o rádio precisa valorizar ainda mais a produção correta da notícia local. “A credibilidade é a tábua de salvação do jornalismo de rádio. Ou seja, se saiu no rádio tem que ser verdade”, afirma. “O desafio do jornalista de rádio é trazer a informação com a rapidez que as novas tecnologias exigem, mas com a apuração que vai dar credibilidade ao veículo”.

O perfil do profissional do rádio

Lúcio Mauro Nedel afirma que o desafio do profissional do rádio é se preparar para os próximos dez anos. Na visão dele, que está no meio desde 1990, a competição é cada vez maior e mais forte, com mais de 250 emissoras comerciais em Santa Catarina “Penso que para o rádio se fortalecer cada vez mais, nesta próxima década, o profissional do rádio precisará estar muito próximo das redes sociais e saber usar essas ferramentas a seu favor”, diz. Além disso, Nedel diz também que esse profissional do futuro deverá ser multifuncional, que consegue fazer com igual competência várias tarefas ao mesmo tempo. “Defendo a tese de ‘equipes operárias’, grupos que conseguem desempenhar bem suas funções do editorial ao comercial, embora até anos atrás essas duas áreas específicas não se comunicavam muito entre si”, diz.

No enfrentamento dos desafios do rádio, os profissionais precisam se preparar também para lidar com situações como a forma com os ouvintes se relacionam com o meio. Para Anderson Jesus, além do uso de ferramentas como Facebook e WhatsApp, o profissional do rádio também é preciso entender que o programa não é feito para o produtor nem para o apresentador. É feito para o público, tem que ser pensado e baseado no que o ouvinte quer, principalmente quando o foco é jornalismo e prestação de serviço. “Na minha avaliação, a principal característica do rádio é essa proximidade com o público, ele permite uma interação que outros meios não permitem”. Além disso, Jesus diz que o imediatismo e o dinamismo são características imbatíveis do rádio. “A internet se aproxima, mas não supera”.

Hoje é preciso ter “conteúdo” para trabalhar em rádio na opinião de Marcos Meller. Para o jornalista da Rede Peperi, foi-se o tempo em que a voz era critério central para definir quem pode trabalhar em rádio. “O jornalista de rádio precisa dominar as técnicas de apuração e produção das notícias”, defende Meller. Além disso, é necessário estar muito atento ao ouvinte que está mais bem informado e quer participar cada vez mais, opinar, interagir, sugerir a pauta e ser a pauta”.

Para Meller, a rádio que não perceber esse movimento perderá audiência. “Por isso, nossos comunicadores, apresentadores e repórteres necessitam utilizar cada vez mais a figura do ‘ouvinte-repórter’”, aponta Lúcio Mauro Nedel. Ele completa destacando que o rádio sempre foi considerado o veículo de comunicação mais instantâneo entre todos e que a instantaneidade ainda é uma característica importante do meio. Porém, agora, precisar ser mais exato, mais pontual.

Já Rose Leite afirma que o profissional de rádio precisa ser muito dedicado ao que faz, estar atento, ser dinâmico e saber inovar. “Hoje trabalhamos com as redes sociais que fazem com o ouvinte interaja e interfira na programação”, analisa. “Por isso a característica principal do profissional deve ser a agilidade para poder acompanhar a notícia e essas transformações minuto a minuto e saber como transmitir isso ao público de forma clara e detalhada”.

 


Este é o quinto texto da série A Força do Rádio. Nos próximos serão abordados temas sobre a migração do AM para o FM com todas as informações sobre este momento especial para o meio.

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