Rádio SC

Emissoras avaliam desafios e resultados da migração do AM para o FM


Fernando Freitas, da rádio Verde Vale, de Braço do Norte

por Alexandre Gonçalves, especial para o Portal Making Of

A série sobre o rádio em Santa Catarina do Portal Making Of, produzida em parceria com a ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) tem destacado o processo de migração do AM para o FM. Foram apontadas as vantagens, a importância e as oportunidades que isso pode gerar para o meio. A série também apresentou um panorama sobre o andamento do processo, do que é preciso para que todas as emissoras solicitantes possam trocar de frequência.

Na penúltima reportagem da série, a palavra está com os radiodifusores que já migraram. “Por já termos mais emissoras de FM sabíamos o que ocorreria e para nós agregou muito inclusive e agora com três emissoras já implantamos um a Rede Demais FM com grande aceitação tanto pelos ouvintes como pelo mercado”, afirma Ranieri Bertoli, que comanda a rede composta pelas rádios Demais FM 104,7 (Taió), Demais FM 107,9 (Presidente Getúlio) e Demais FM 101,1 (Itaiópolis). Para Bertoli, a migração é, sem dúvida, o grande divisor para o segmento. “Estamos muito contentes com os resultados e o meio rádio merecia essa reoxigenação que o FM trará para os radiodifusores”, avalia.

O levantamento mais recente da ACAERT, de 11 de outubro, indica que 22 emissoras de Santa Catarina já trocaram o AM pelo FM. Fernando Freitas, diretor e comunicador da Verde Vale FM 91,9, de Braço do Norte, afirma que a migração ajuda a fortalecer o que já vinha sendo feito no AM. “A rádio AM tinha por tradição ser forte do jornalismo, na informação e isso vai fortalecer agora o FM”, diz o profissional à frente da emissora que migrou de frequência. “A cada dia o meio percebe que o ouvinte quer informações rápidas e precisas até porque se for para somente ouvir música, ele tem uma série de outras alternativas”.

A decisão pela migração

Até que a migração seja concluída e a emissora comece a obter os ganhos com a mudança de frequência há um longo caminho a ser percorrido, como já havia destacado o engenheiro Luiz Rosa Reis, assessor técnico da ACAERT, em entrevista ao Portal Making Of. Muitos fatores estão enviados no processo e podem influenciar diretamente na decisão de migrar ou não. “A Verde Vale participou da ‘primeira leva’ que assinou a migração e nunca pensamos em permanecer no AM ”, conta Fernando Freitas. Ele diz que a emissora se preparou financeira e tecnicamente na expectativa de ser uma das primeiras a fazer a migração. “Fomos a quarta em Santa Catarina e a primeira no Sul do estado a migrar”.

Já Ranieri Bertoli, ex-presidente da ACAERT e atual vice-presidente de Relação Governo e Mercado da entidade, cita cinco fatores principais para a decisão de migrar. O primeiro é o fato da opção dos ouvintes não terem mais acesso a aparelhos para sintonizar rádios AM. “Cada dia mais são vendidos somente aparelhos que trazem apenas rádio para ouvir em FM (smartphones, mp3 player...)”, diz.

Outros dois fatores citados por Bertoli têm relação com o público. “Os ouvintes tradicionais do rádio AM (quem nasceu até a década de 80) estão diminuindo diariamente”, diz. “E os novos ouvintes do rádio, a partir da década de 90, iniciaram sua relação com meio já ouvindo o FM, com grande potencial de anunciantes”. Ele cita ainda que fatores técnicos como a diminuição de alcance das emissoras AM, visto que desde “uma lâmpada fluorescente até a falta de manutenção das redes elétricas dificultam a propagação do sinal”. Por fim, a decisão de migrar a emissora de Itaiópolis foi motivada pela possibilidade de incrementar a programação. Segundo Bertoli (foto abaixo), o FM leva grande vantagem nos índices de audiência e por consequência tem mais possibilidades de comercialização.

“Jeito de fazer em FM”

Fernando Freitas e Ranieri Bertoli citam questões burocráticas como um dos grandes desafios enfrentados no processo de migração para o FM. “Havia muita desinformação sobre a documentação e sobre o andamento do processo em Brasília“, diz Freitas. Ele conta que não havia um caminho claro ou datas precisas. “Nem sabíamos se estava em análise o projeto”, lembra. Segundo o diretor da Verde Vale, foram quase seis meses de espera depois de assinar o contrato e quatro meses depois da emissora já estar com todo o equipamento instalado. “Como não havia previsão alguma, não dá para dizer que ficou dentro do prazo previsto”, diz. “Para nós, demorou”.

Ranieri Bertoli também cita a demora na assinatura dos contratos de migração. “Há mais de 10 anos aguardávamos essa decisão”, destaca o radiodifusor. “Mas após a assinatura do contrato foi tudo muito rápido dentro do previsto, com grande agilidade por parte do Ministério e da Anatel”. A partir daí o desafio passou a ser outro, segundo Bertoli: manter e aumentar a audiência. Para isso, a emissora há quatro anos passou a investir também na preparação da equipe para o “jeito de fazer em FM”, tanto na programação musical quanto na locução.

Na Verde Vale, segundo Fernando Freitas, o desafio em termos de programação foi pesar o que seria melhor: manter ou trocar a programação quando estivesse em FM? Na avaliação dele, manter a mesma programação do AM no FM seria o ideal para manter a mesma audiência. “Por isso, decidimos investir em novos locutores e novos programas que pudessem explorar melhor a qualidade do som e atrair novos ouvintes, de faixa etária mais jovem”, afirma. Esta mudança teve como motivo uma avaliação sobre o desempenho da rádio na frequência anterior. “A emissora AM detinha a liderança entre os ouvintes mais velhos, acima de 40 anos, mas dividia a liderança entre o público mais novo”.

A relação com o ouvinte e o anunciante

Troca de frequência, alterações na programação e nas características da emissora levaram a Rede Demais e a Verde Vale a investirem em comunicação com os ouvintes e os anunciantes. “Não tivemos muitos relatos de ouvintes que tiveram dificuldades em sintonizar a FM”, diz Fernando Freitas. Segundo ele, a Verde Vale usou a própria emissora para divulgar a mudança. Também foram realizadas ações em mídia impressa e pela página da rádio no Facebook, com algumas transmissões ao vivo em vídeo. “Até por ser pioneira na região, com mais de 30 anos e com sinal AM indo além das fronteiras, só lamentamos que em alguns pontos fora de nossa área de cobertura, o sinal ficou fraco ou não pode mais ser sintonizado”, diz.

No caso da emissora da rede Demais, Ranieri Bertoli conta que mexida na programação influenciou na receita. “Após entrarmos no ar em FM fizemos os últimos ajustes na grade de programação e, por consequência, houve retirada de programetes que influenciaram no faturamento da emissora e perdemos receitas”, diz. “Mas pela excelente aceitação da nossa programação que já temos em nossas outras duas rádios FM, em 60 dias equilibramos as perdas financeiras”, comemora Bertoli. Segundo ele, hoje a emissora no FM já está com 65% a mais de receita que no AM.

Junto com os números positivos no faturamento o radiodifusor também festeja a recepção dos ouvintes com a migração para o FM. Bertoli diz que em poucos dias após a troca de frequência “foi gritante o aumento de ouvintes” tanto na cidade como em toda a região de abrangência da emissora. “O número de ouvintes participando das promoções, pedindo músicas, interagindo nas plataformas e redes sociais foi bastante significativa”, afirma. “A audiência do FM é espetacular em comparação com o AM”, conclui.

 


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