Multimídia

RBS SC, para quê pressa?


Foto: Claiton Selistre

Quem passa pela SC 401 em direção ao Norte da Ilha de Santa Catarina percebe as marcas da reformulação da RBS regional: o logo vazado na barra azul do Diário Catarinense já foi coberto de cimento e o telão, instalado para reproduzir notícias, está desligado. Naquele prédio, inaugurado para ser a sede catarinense do Grupo, funcionam atualmente as áreas  comerciais em um espaço mínimo, perto do que já foi ocupado. As  demais áreas foram devolvidas aos locadores. A redação dos jornais DC e Hora, foram realocadas no prédio do Morro da Cruz, onde antes só operavam a RBS TV e três rádios.

No espaço menor, está o sinal óbvio de encolhimento da empresa, o que não tem nada a ver com a força editorial. Ela ainda a mantém, apesar dos desfalques que tem apresentado, como o mais recente, a extinção do programa Mistura com Camille Reis, que havia compensado a perda do horário de domingo à noite do Estúdio SC, este sim importante no processo de produção local no fim de semana, apesar do horário.

Com a extinção do Mistura, atribuído ao custo e audiência, marcada para este sábado, a RBS SC passa a preencher somente espaços que a rede impõe – Bom Dia, Jornal do Almoço, RBS Notícias e Globo Esporte. Perdeu status de líder em propositura de produtos além do que é obrigada a fazer.

Algumas ações de enxugamento são semelhantes ao que a RBS gaúcha está fazendo, como a  união de redações e a criação de equipes coletivas: lá, o núcleo de repórteres investigativos; aqui o núcleo esportivo. Os dois atos liberaram profissionais de renome, experientes e com salários maiores.

O que existe de elo entre a  RBS SC e RS? Até o final do processo de transição, em 2018,  há o compromisso de consultoria. No comitê editorial catarinense, por exemplo, participa  Marcelo Rech, que é da área executiva gaúcha. O novo dono ganha tempo.

E  porque Isso acontece?

Quem iniciou o processo de compra da RBS SC foi Lírio Parisotto, investidor audacioso, com conexões no meio da comunicação e política (suplente de senador). Com a saída precipitada devido a problemas pessoais com a ex-companheira Luiza Brunet, o negócio ficou nas mãos de Carlos Sanchez, que era somente investidor. Sem relações com o mercado, viu-se diante de uma empresa de comunicação de múltiplos tentáculos, diferente da produção de remédios, e de alto custo e  com alguns veículos em crise – como os jornais - e outros rendendo pouco – como as rádios. Desse modo, o empresário, de nenhuma visibilidade em Santa Catarina,  aproveita o tempo máximo da negociação com a RBS para ajeitar a casa, baixar custos e se possível negociar ativos. Sabe-se que pelo menos um dos jornais do interior foi oferecido ao mercado.

Por isso, a mudança de nomenclatura da nova empresa já teve duas datas: final do ano passado e final do primeiro trimestre de 2017. Agora, não tem prazo. Os executivos dizem não estar sentindo nenhuma pressão do mercado para definir e tentam desativar a relevância do nome, bem como do formato da nova empresa. A tese é que independente de tudo vão contar na TV com a programação vitoriosa da Globo,  cujo logo ocupa por enquanto sozinho, os microfones dos repórteres.

Realmente, em termos de produto, não há nada a esperar de novo. Da empresa, pelas amostras, um tamanho bem mais enxuto, o que prolonga a  preocupação dos funcionários de novas medidas de contenção. A espera, também alimenta boatos que percorrem a área de formadores de opinião da cidade. O mais inverossímil é que o Ratinho está negociando com a RBS. Além de parceiro em rádio da família Amaral, do SBT, qualquer negócio envolvendo TV teria que ter por contrato a aprovação da Globo. Alguém imagina que ela aprovaria?



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