Multimídia

O marketing da NC e questões matemáticas. Por Claiton Selistre


Por Claiton Selistre*

O jornal A Notícia, de Joinville, disputava o título de maior jornal catarinense, não só pelo tamanho standard, mas pelo volume da cobertura, com inúmeros conteúdos regionais e uma sucursal montada na capital. Depois, foi comprado pela RBS, virou nanico no tamanho e conteúdo, até se transformar, na gestão NC, em um produto local de segunda à sexta. Duas edições a menos.

Histórico semelhante ao Jornal de Santa Catarina, em uma época modelo de bom jornalismo impresso, produzido por muitos talentos, em Blumenau, cidade onde nasceu a TV. Mesmo processo de diminuição, resultando em duas edições a menos.

Estima-se que 15 profissionais foram demitidos nas duas cidades.

Agora, no lugar dessas edições locais, circula um único jornal, fechado em Florianópolis, com reportagens com textos enormes e dezenas de colunistas, a maioria desconhecidos fora da antiga área de atuação. Detalhe: todas as colunas têm que ser entregues até a seis horas da tarde de quinta-feira. Ou seja, em plena época digital esses profissionais têm que escrever algo que valha até domingo à noite. Nem maior gênio do jornalismo teria essa capacidade.
  
Esse pacote todo foi vendido pelo marketing na NC como maior conteúdo local e mais colunistas. Esquecera da questão matemática: quatro edições de jornais substituídos por uma edição regional é aumento de conteúdo?

A insatisfação nessas cidades vem aumentando entre os formadores de opinião e, internamente, nas redações, com esse método obsoleto de edição.

Aliás, o editor desse compêndio de matérias desatualizadas, disse no texto que deu o início a aventura, que são fake news que circulam dando conta da morte dos jornais impressos. Na verdade tudo é fake news, do texto do editor à edição ampliada, passando pelos números enganosos do marketing.

*Claiton Selistre é jornalista.



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