Multimídia

Não à censura na internet. Por Claiton Selistre


A palavra "mídia" virou sinônimo de algo deplorável a ser combatido, malignidade e inimiga das boas intenções de nobres senadores e deputados. De vez em quando aparece alguém em Brasília, cheio de falsas intensões, querendo disciplinar o impossível e jogando tudo no mesmo balaio.

Foi o que aconteceu na madrugada de quarta, 4, (sempre na madrugada), quando sorrateiramente incluíram na reforma política uma nova lei que obriga a retirada da internet, sem autorização judicial e em até 24 horas, "discurso de ódio" ou "informações falsas" sobre coligação, partido ou candidato. Na prática, censura prévia, pois abre a possibilidade de qualquer candidato mandar retirar do ar tudo o que não lhe agrade, sem decisão do judiciário.

As entidades de classe de jornalistas, emissoras e jornais protestam veemente contra a iniciativa de um deputado fluminense do Solidariedade, que vai à sanção do presidente da República. Temer deve impedir o crescimento desse monstrengo até para não pagar o mico mundial de bloquear algo que ninguém conseguiu até agora, a internet.

Mesmo que ele vete, seria importante que a justiça eleitoral fosse mais capaz na próxima eleição de avaliar publicações digitais destinadas a interferir no processo, como por exemplo, com pesquisas frias, não registradas e nos sites apócrifos criados pelas gangues de desconstrução de candidaturas. É difícil, mas não impossível. 

Certamente mais democrático que a posição do deputado Aureo Lídeo. Diz o jornal Extra que após perder a eleição em Duque de Caxias e apoiar o vencedor, no segundo turno, o nobre parlamentar conseguiu cargos para a mãe, a mulher e a irmã na Prefeitura. Se essa lei que ele propôs for sancionada saberíamos disso?

*Claiton Selistre é jornalista.



Receba Novidades da
Making Of por email! Cadastrar email