Multimídia

Carne fraca, artistas e jornalistas


A Carne não é só Fraca como pode causar danos a imagem. A operação da Polícia Federal atinge grandes produtores mundiais, em proporção ainda desconhecida, e de tabela provoca recall da associação entre produto e os artistas de credibilidade pelo apoio às marcas. Roberto Carlos, Tony Ramos e Fátima Bernardes, entre eles. O comercial do cantor já havia sido rejeitado nas primeiras veiculações, porque ele pedia um bife ao garçom quando a vida inteira disse ser vegetariano. Saiu do ar muito antes do prazo. Fátima ainda está vendendo presuntos e linguiças. Só fez isso quando deixou o jornalismo. Diz uma norma da Globo, e de outras emissoras, que quem está em atividade jornalística não pode fazer comerciais, o que se revela de extremo bom senso. É uma lição para quem está usando a internet para promover a venda de bugigangas, associada à imagem, bem como marcando presença em eventos de toda parte. Depois de “queimada” é difícil recuperar a imagem.

Pensando nisso e no pânico que tomou conta do mercado, bem como o receio que criou nas pessoas, a operação Carne Fraca poderia ter sido deflagrada junto com o esclarecimento detalhado dos problemas encontrados. Marcas deveriam ser especificadas e retiradas imediatamente das gôndolas. Foi uma espécie metralhadora atingindo a todos aleatoriamente, colocando sob suspeita tudo o que consumimos no dia-a-dia. Sem falar no prejuízo que pode ocasionar às exportações, em um momento em que a crise parecia aliviar. A ação, como sempre eficiente da Policia Federal, deveria ter um respaldo por uma força tarefa de fiscalização, e não o contrário, a fiscalização saindo atrás da denúncia.

A imprensa também foi atrás da notícia. Era visível no início a incerteza de lidar com denúncias envolvendo grandes patrocinadores. Nas manchetes, introduções de reportagens e notas havia cuidados com a nomenclatura e os nomes dos envolvidos. As explicações dos frigoríficos mais atuantes foram dadas quase na íntegra, as mesmas que depois ocuparam os espaços comerciais na TV, jornais e online durante todo o final de semana.  

  • ROBÔS

Quem tem medo de robôs? Talvez pouca gente, mas agora mais do que nunca é preciso saber a procedência das coisas. Estudo recente indica que mais de 15% dos seguidores de redes sociais na web são robôs, operando aleatoriamente (leia aqui). É estranha a sensação de que maquinas estão interagindo conosco, mas a questão relevante é saber quando e quanto. Então, aquela curtida, que às vezes sem procedência, pode ser a  resposta automática de uma máquina de garagem no Vale do Silício ou, pior do que isso, numa agência de segurança qualquer mundo afora. Mas, não se assuste: se este texto chegou até aqui não foi escrito por robô. Será?

  • BONI

O ex-vice-presidente da Globo, José Bonifácio de Oliveira, Boni, teve um encontro reservado com a direção da empresa em um restaurante de São Conrado. As notas sobre a reunião não especificam o motivo.  É possível pensar dois: uma ouvidoria informal ou uma atenção para que Boni não critique publicamente a qualidade da programação que ele ajudou a criar na TV.

  • REDE SOCIAL E PODER

Barak Obama foi reeleito ao conquistar eleitores jovens com mensagens no Twitter. Donald Trump fez o mesmo, ampliando o público quando a grande imprensa passou a reproduzir tuites dele.  Sérgio Moro também usa as redes sociais para agradecer apoio. Foi o que fez ontem, 19, na página que a esposa criou há um ano no Facebook – “Eu moro com ele” – que está para atingir 700 mil curtidas. O juiz da Lava Jato teve um grande suporte quando o trabalho que coordena foi ameaçado por caciques políticos. Assista aqui.

Aos poucos a internet vai expulsando os céticos, mas alguns deles ainda estão encastelados analogicamente na imprensa, órgãos públicos e assessorias, no momento pensando em providenciar mantas térmicas agora que o verão acabou.  Todos têm à disposição muitas pesquisas sobre o tema, entre elas a Social MediaTrends 2017, organizado pela Rock Content, com 1030  entrevistas:

“Descobrimos que os respondedores que seguem um calendário de publicações nas redes sociais apresentam uma média de visitas no blog 2,8 vezes maior.  E que a adoção de Marketing de Conteúdo – feita por 58,6% dos participantes – gera uma média de visitas no blog 7,7 vezes maior em relação a quem não adota”.

  • ATÉ LOGO

A coluna Multimídia entra em férias.



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