Outback Yula Jorge

Yula Jorge

Liberdade e Democracia - participe desse Fórum!


Foto divulgação

Bruno Souza, 32 anos, tem pressa. Ele é o idealizador do Palco Solidário, evento que reúne todos os anos grandes nomes da música e serve para arrecadar fundos para diversas entidades sociais de Florianópolis. Além disso, é Presidente do Instituto de Formação de Líderes de Santa Catarina, entidade apartidária, de orientação liberal, que promove encontros semanais, e ainda organiza esse Fórum anual que reúne grandes intelectuais, ativistas e artistas do Brasil e do exterior. No domingo, 18 de março, será realizada a 2ª edição do Fórum Liberdade e Democracia, na Capital, no Teatro Pedro Ivo. Mil pessoas devem participar do evento.

 


Havia no Brasil, até pouco tempo atrás, uma sensação de que os jovens, fora meia dúzia de gatos pingados, não se interessam por política. As mobilizações de rua tinham ficado no passado, como os grandes atos pelas Diretas Já em, 1984, ou as grandes passeatas da década de 60, anteriores ao Ato Institucional Nº 5. Depois veio a ditadura e silenciou a juventude. Em 2013, os jovens voltaram às ruas, dessa vez para criticar o Governo. você acha que os jovens estão outra vez interessados em política?

Tenho certeza que estamos vendo um aumento no interesse das pessoas na política, e mais do que apenas interesse: vemos também a participação ativa da população, como no caso das recentes manifestações de 2015 e 2016. A política é um assunto cotidiano que temos com amigos e parentes.

No Facebook, por exemplo, as páginas de humor fazem um tremendo sucesso com esta temática.  Penso que este interesse recente em política no Brasil esteja muito ligado com o fato de a própria política ter tido muita influência na nossa vida nos últimos anos, infelizmente em sua maior parte no aspecto negativo, com o aumento da inflação, do desemprego, com ingerência e má gestão. Interessante notar que os demais períodos citados em que jovens se mobilizaram na política, década de 60 e nas Diretas Já, sintomas semelhantes foram observados.

 

Falando em política, esse é seu primeiro mandato como vereador, né? Como está sendo?

Isso. Temos muito a realizar. Por enquanto abri mão de 50% da verba de gabinete, do celular oficial e 20% do meu salário são para causas sociais, educacionais e culturais. 

 

Sendo diplomado vereador em Florianópolis - dez 2016

 


Os jovens de hoje têm mais acesso à informação, mas isso nem sempre reflete maior conscientização política. As redes sociais explicitam que boa parte desses jovens desconhece e menospreza os princípios básicos da Democracia, a ponto de muitos defenderem a volta da Ditadura Militar. O que fazer para elevar o nível da discussão política no Brasil?

É importante reconhecermos que as redes sociais facilitaram a comunicação em larga escala daqueles que não tinham contatos na mídia tradicional como rádio, jornal e TV, um fenômeno extraordinário da nossa história recente. Neste processo que deu voz a tantos, começamos também a conhecer mais sobre o que pensam os diferentes grupos da sociedade, o que revelou várias discordâncias profundas de como deve funcionar a sociedade.

Importante notar que as próprias redes também podem ser usadas como instrumentos de mudança, aproveitando esta capacidade incrível de comunicação e alcance das redes para organizar iniciativas que qualificam o debate sobre política. Um bom exemplo é o evento Fórum Liberdade e Democracia.

 


O 2º Fórum Liberdade e Democracia vai reunir, dia 18 de março, um dos maiores estudiosos em contas públicas no Brasil, Mansueto Almeida; um humorista famoso, Cláudio Manoel, do Casseta e Planeta; um corajoso juiz de Direito, Bruno Bodart ; um premiado documentarista norte-americano, Kris Mauren, diretor do perturbador Pobreza S.A , entre outros intelectuais e ativistas de peso. De onde veio a ideia deste Fórum?   

Nosso evento é inspirado no Fórum da Liberdade, uma iniciativa do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) que ocorre em Porto Alegre desde 1988, sendo hoje o maior evento de discussão política da América Latina. Aqui em Florianópolis estamos na segunda edição do Fórum. É um evento de grande qualidade que, citando apenas quatro de 10 dos nossos convidados confirmados, já mostra ser uma oportunidade imperdível.

 

E qual é objetivo do evento?

Nosso objetivo é trazer os maiores especialistas do País, e também do exterior, para discutirmos e aprendermos sobre os temas que são essenciais para o debate público. Como os países pobres podem melhorar? O que houve com a previdência brasileira? O que deu errado com a nossa economia e o que fazer para sairmos da crise? 

Estas e outras perguntas norteiam as discussões do 2º Fórum Liberdade e Democracia. As pessoas podem ver a lista completa dos palestrantes no site do evento. E podem também fazer a inscrição por ali: iflsc.org.br.

 


Quais são os outros palestrantes de destaque que irão participar do Fórum?

Além dos nomes já citados também teremos: João Pinho de Mello, professor, economista e convidado que deve assumir secretaria de reformas microeconômicas da Fazenda; Adriano Gianturco, doutor em Teoria Política pela Universidade de Gênova, professor do IBMEC; Marcos Mendes, assessoria técnica do Ministério da Fazenda e consultoria legislativa do Senado; Luciana Yeung, doutora em Economia, discente do Insper e Presidente da Associação Brasileira de Direito e Economia, Bene Barbosa, especialista sobre desarmamento, autor de "Mentiram para mim sobre o desarmamento", e  Roberto Ellery Jr., Professor e Diretor do Departamento de Economia da UnB.

 

Quem patrocina ou apoia o Fórum?

FIESC, Localiza, Suzano, ACATE, IEE, ACM, DAAG, Fundação Friedrich Naumann, fazem parte de nossos apoiadores oficiais.

 

Na posse como presidente do Instituto de Formação de Líderes (SC)

 

O tema deste ano do Fórum é "a liberdade funciona". Cecília Meirelles escreveu o seguinte:  "liberdade, essa palavra que sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda". Quando você defende a liberdade está defendendo a liberdade dos indivíduos em qual aspecto? Liberdade política, social, sexual, liberdade econômica?

Penso que a liberdade é formada por todas estas. Como o brilhante autor francês Frederic Bastiat falava, "A liberdade, palavra que tem o poder de fazer baterem todos os corações e de agitar o mundo, é o conjunto de todas as liberdades".

A liberdade abrange tantas ações que seria mais fácil defini-la por exclusão - liberdade é ser dono de si mesmo, poder fazer tanto quanto não prejudique a liberdade do próximo. Com estes conceitos em mente conseguimos ver também outro aspecto importante da liberdade, que é a responsabilidade. Parafraseando o clássico liberal inglês John Locke, liberdade não é a capacidade de fazer tudo que se quer, pois isto autorizaria qualquer um a impor sua vontade contra os demais. Liberdade é, sim, a capacidade de fazer aquilo que não ofenda os direitos alheios.

 

Mas é difícil ser livre no Brasil, né?

É verdade. Infelizmente nossos governos nos impedem de usufruir desta importante capacidade, com altos tributos, regulamentações e ingerências sobre como devemos viver, produzir e gastar nosso dinheiro. É por isto que a defesa da liberdade se faz tão importante.

 

Com os artistas e colaboradores do Palco Solidário

 

Agora, uma pergunta ampla e genérica: Você acha que o Brasil tem jeito? Qual seriam as saídas?

Com certeza! Sou um grande otimista quanto ao futuro do país. Nós já provamos bastante daquilo que não funciona, a pior crise econômica de nossa história não caiu do céu, mas foi, sim, fruto de um Estado inchado, gastador, caro e arrogante. Agora chegou a hora de fazermos o caminho inverso, buscar responsabilidade fiscal e liberdade econômica para facilitar a vida de quem gera riqueza no País.

Não podemos continuar sendo o quinto maior país do mundo e ter um PIB total menor que o do estado da Califórnia. É preciso mudar e eu acredito que a nossa saída seja pela liberdade, algo que tanto nos falta  e que é estritamente ligado ao desenvolvimento social e econômico dos países.

 

Você tem escrito vários artigos criticando as políticas de Estado que interferem ou tentam tutelar a vida dos cidadãos.  Para você, de acordo com suas intervenções públicas, quanto menos Estado, melhor. Outro dia você escreveu sobre a proibição dos restaurantes no Rio Grande do Sul em deixar sobre a mesa doses de sal, porque sal faz mal à saúde. Exemplo concreto de tentativa do Estado em tutelar o cidadão. Ao mesmo tempo, como se vê diariamente nos jornais, onde não há presença do Estado, há proliferação de violência, como no caso das favelas. Como equacionar esta questão?

O exemplo da proibição do sal na mesa é emblemático porque revela aquilo de mais arrogante de nossos políticos - acreditar que eles devem definir como você vive a sua vida. Defender a liberdade significa defender o seu direito de escolher e assumir responsabilidade por suas ações.

Tratar o cidadão como uma criança incapaz de agir por si próprio é desafiar a própria democracia, já que é este mesmo suposto cidadão incapaz que elege os supostos políticos iluminados. Não faz sentido. A parte mais lamentável disto tudo, entretanto, é como toda essa máquina da arrogância fatal do Estado afeta os mais pobres. As favelas não são produto de uma sociedade onde o Estado tributa pouco e vigora a livre iniciativa, muito pelo contrário.

Dentre 180 países analisados pela Heritage Foundation, no recém lançado índice de liberdade econômica, estamos em 140º posição. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) quem recebe menos de três salários é quem paga a maior parte dos impostos no Brasil. De um lado, o Estado rouba a renda dos mais pobres com impostos, e do outro, ceifa as oportunidades de melhores empregos e salários quando trata empreendedores como criminosos - uma combinação  que aprisiona a pobreza e destrói o futuro de jovens do nosso País.

Liberdade econômica é interesse primordial de quem precisa de emprego e renda, e não do grande empresário que sabe que o lucrativo conluio com o setor público para obtenção de vantagens é mais fácil com um Estado inchado.

 

Você parece bem pragmático nas posições políticas, mas ao mesmo temo é também alguém com esperança no futuro. Então, para encerrar, gostaria de saber qual é o seu maior sonho para o futuro, tanto no lado pessoal quanto profissional. 

Meu sonho para o futuro é defender as pautas que defendo hoje sem ser considerado um radical. Se hoje falar em responsabilidade fiscal e livre iniciativa significa ser radical, é simplesmente porque o estamos atrasados. Quero que estas pautas sejam consideradas moderadas e que radicais sejam aqueles que queiram atrapalhar a geração de riqueza e oportunidades.O Brasil tem jeito, nós só precisamos aprender com os erros do passado e tomar um caminho diferente, rumo à liberdade.



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