Cine&Séries

Procura-se Moira desesperadamente




FORA DE SÉRIE

Que a Argentina é tão boa de Cinema quanto de futebol, a gente já sabia.  O país tem produzido filmes em grande quantidade e qualidade nos últimos anos. Agora, descobrimos que nuestros hermanos também sabem fazer boas séries para televisão.  Na HBO, por exemplo, estão disponíveis "O Hipnotizador" ( gravada no Uruguai, com atores locais, argentinos e brasileiros) e  "O Jardim de Bronze".

Adaptado do best seller " El Jardín de Bronce", do argentino Gustavo Malajovich, a série mostra o jovem arquiteto Fabián Danubio em busca da filha desaparecida.  No início, Fabián e a mulher parecem viver em harmonia. Um dia, o pai vê Moira, a menina de quatro anos, entrar no metrô com a babá. Elas não retornam mais para casa. A partir daí, a vida de Fabián  se resume à busca obsessiva pela garota. Não há pistas, motivos aparentes de vingança, ninguém pede resgate. Para piorar, a polícia não parece muito empenhada em resolver o caso.

O ator Joaquín Furriel carrega no olhar a tragédia que se abateu sobre o personagem. Há também muito suspense, principalmente, quando Fabián consegue a ajuda de um velho detetive tão obstinado quanto ele em achar Moira.  A cidade de Buenos Aires, tão familiar aos brasileiros, aparece quase irreconhecível na série. Imagens aéreas, cenas abertas da selva de pedra da metrópole, dão o tom da solidão e angústia do pai que sofre mais a cada dia. O tempo passando aparece nos cabelos grisalhos de Fabián, mas ele não desiste. Ao final...bem, isso não conto nem sob tortura! Para saber, veja "O Jardim de Bronze" (HBO-2016-Argentina).

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O LIVRO QUE VIROU FILME

Ler "As Pontes de Madison"- de Robert James Waller - e ver a sua adaptação para o Cinema, nos faz entender o que Alfred Hitchcock  quis dizer com "grandes livros dão péssimos filmes, o melhor mesmo é filmar os maus livros".  O filme dirigido e interpretado por Clint Eastwood é um exemplo. Se no livro, a história de amor entre um fotógrafo livre e aventureiro e uma pacata dona de casa do interior é contada de forma rasa, no filme tudo se amplia e funciona perfeitamente.

Clint é Robert Kincaid, o fotógrafo que está registrando as belas pontes de Madison, em Iowa, EUA, durante o verão de 1965. Lá ele encontra Francesca, uma dedicada mãe de família, casada com um homem gentil que está em viagem. Sozinha em casa, Francesca sonha com o "mundo lá fora", e aí "o mundo lá fora" bate à sua porta: é Kincaid. Desse encontro inesperado surge uma bela, apaixonada e, claro, passageira história de amor. 

A decantada "química" necessária entre atores para esse tipo de filme acontece plenamente em "As Pontes de Madison". Se me dissessem antes que Eastwood e Meryl dariam tão certo, eu duvidaria. Mas deu. E como! É raro o Cinema mostrar histórias de amor na maturidade. Esse é mais um ponto para Clint. Ele provou que é possível explorar o tema sem apelar para o melodrama ou a pieguice. Mesmo sem ser um blockbuster, "As Pontes de Madison" conquistou fãs ardorosos no mundo todo, incluindo esta que vos escreve.

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ESPECIAL

CRÍTICA X PÚBLICO

Não é raro crítica e espectador discordarem na hora de avaliar um filme. Aliás, é beeem comum!  Há casos em que os críticos conseguem destruir uma película, mas boa parte das vezes o público ignora a opinião dos especialistas. Os estúdios, produtores e bilheterias agradecem.

Alguns filmes que bombaram, apesar das críticas ruins, segundo lista publicada no El País :

Seven, o suspense interpretado por Brad Pitt e Morgan Freeman, foi destruído pela revista Newsweek.  Há quem ache um dos melhores do gênero nos últimos anos. Eu concordo!

A Vida é Bela conquistou o público que alagou as salas de cinemas com lágrimas. Já a crítica acha uma visão romântica demais de um acontecimento horrendo como o holocausto. Um pouco por isso, mas – confesso- também por "Central do Brasil" ter perdido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para "A Vida é Bela" (1999), concordo com a crítica. Não curto o filme de Roberto Benigni .

O Iluminado , do grande Stanley Kubrick ,  não agradou a crítica. Baseado no livro de Stephen King, o filme marcou tanto o público que algumas cenas foram copiadas à exaustão em outros filmes e publicidade. Quem consegue esquecer a cara do Jack Nicholson quebrando a porta do banheiro a machadadas atrás da Shelley Duvall ?

O Sexto Sentido: esse mega sucesso com Bruce Willis é outro que levou taquaradas da crítica. O publicou adorou o garoto que via "dead people", mas até hoje o diretor M.Night Shyamalan  (Corpo Fechado, A Vila, Fragmentado etc..)  não conseguiu agradar os críticos. Não acho "O Sexto Sentido" ruim, mas na mesma época outro sobrenatural ganhou meu coração: "Os Outros", de Alejandro Amenábar, com Nicole Kidman.

Bastardos Inglórios é de Quentin Tarantino, um diretor que costuma dividir a crítica. Ele não está entre os meus diretores favoritos, mas indo na direção contrária de muitos críticos, gosto bastante de Bastardos. O público em geral, idem.

Outros tantos que "sambaram" na cara da crítica: Uma Linda Mulher, O Clube da Luta, Stars Wars, Coração Valente, O Gladiador... Quem estava com a razão ? Os dois lados.

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FAN PAGE

A cantora Lúcia Menezes tem outro encantamento além da música: o Cinema.


 

"Amo cinema. Fiquei muito tempo pensando em qual filme falar. São tantos que me marcaram. Tantos que vi mais de uma vez. Adoro os filmes em PXB antigos. Charlie Chaplin, não me canso de ver. Assim como na música o que é antigo me encanta. Se for pra escolher entre um filme novo e um antigo, sempre prefiro os antigos. Mas, adoro os filmes do Almodóvar, Wood Allen. Tenho me apaixonado ultimamente pelo cinema francês, esses que falam de pequenas coisas, delicadezas, sutilezas. Como O Fabuloso Destino de Amélie Poulan e Minhas tardes com Margueritte, entre outros. Adoro as atrizes e seus olhares, isso contribui muito para nobreza de um filme. Bette Davis é maravilhosa, são os olhares mais impressionantes do cinema mundial. Suas atuações são principalmente seus olhos.

Mas, resolvi falar de um musical, esse que todos já falaram, "Cantando na Chuva". Já vi algumas vezes, já cantei e dancei na chuva lembrando Gene Kelly. Esse me faz rir, me arrepia, me faz chorar. Me faz sentir saudades de um tempo feliz, leve que nunca vivi, o tempo deles. Quando assisto esse filme, entro na história, faço parte dele. Canto e danço com eles, faço parte de tudo. Adoro o figurino, faço foto dos modelos, planejo fazer igual pra mim. E ao final do filme depois de viver tantos momentos lindos. Digo: vou aprender s dançar sapateado rsrs... que filme feliz! "

 
Lúcia dançando na chuva, em NY.

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EM CARTAZ

Sessão Sênior de Cinema: bons filmes de graça !

Uma iniciativa bacana entre Prefeitura de Florianópolis, Cinema Paradigma, Floripa Shopping e Neti-Núcleo de Estudos da Terceira Idade é a exibição de filmes com entrada franca para pessoas com mais de sessenta anos e seus acompanhantes.

A próxima sessão será dia 28/09 (quinta-feira), às 9 horas, no Cineclube Neti, Teatro da UFSC-Universidade Federal de Santa Catarina. Não há necessidade de inscrição prévia. Sujeito à lotação do espaço.

O filme é "Força Maior", drama coproduzido na Dinamarca, Suécia, França e Noruega. Conta a história de uma família sueca que vai esquiar nos Alpes. Durante uma avalanche o pai não acode a mulher e os filhos. A partir daí, sua atitude será cobrada pela esposa e a polêmica se estenderá aos amigos do casal.

Obs.: A organização do projeto informa sobre transporte gratuito para grupos

Se você é responsável por um grupo da terceira idade e quer agendar uma sessão , basta ligar no 48 3717 5397 ou enviar e-mail para contato@sessaoseniordecinema.com.br.

A cada sessão será disponibilizado um ônibus para que o grupo possa curtir essa experiência na maior tranquilidade.

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É COISA NOSSA

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro encerrou ontem (24) sua 50ª edição, premiando o longa "Arábia", filme mineiro de Affonso Uchoa e João Dumans. A história de um operário de uma siderúrgica se cruza com a de outro jovem que encontra seu caderno de anotações. A pacata vida do interior é o pano de fundo de "Arábia" que ganhou quatro prêmios Candango (melhor filme, melhor ator para Aristides de Sousa, trilha sonora e montagem).

"Era uma vez em Brasília", filme de teor político, deu o prêmio de melhor direção para Adirley Queirós.

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PIPOCA NEWS

Filme para os cinéfilhinhos

Dia 30/09 – Cinema do CIC-Centro Integrado de Cultura, Florianópolis – 16 horas

O Cineclube Mostra de Cinema Infantil exibe mais um bom filme com entrada gratuita.

Meu vizinho Totoro  (Tonari no Totoro)

De Miyazaki Hayao (animação,Japão,1988, 87'')

Mei é uma jovem que encontra uma pequena passagem em seu quintal, que a leva a um lendário espírito da floresta conhecido como Totoro. Sua mãe está no hospital, e seu pai divide o tempo entre dar aulas na faculdade e cuidar de sua mulher doente. Quando Mei tenta visitar a mãe por conta própria, se perde na floresta e só o grande e fofo Totoro pode ajudar a menina a achar o caminho de volta para casa.

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BEIJO DE CINEMA

Já mostramos beijos molhados, de aracnídeo, de cães fofos, beijo gay, beijo inter-racial.Esta semana é a vez do beijo ectoplasma! "Ghost- Do outro lado da Vida" fez um enorme sucesso em 1990, mostrando o amor após a morte entre Molly ( Demi Moore) e Sam ( Patrick Swayze). Eles formam um casal feliz até que, ao sair de um teatro à noite, Sam é assassinado com um tiro. A vida acaba para Molly ao perder seu grande amor. Surge uma médium meio charlatã (Whoopi Goldberg), mas que acaba ajudando na comunicação entre os dois. Através dela, Sam consegue livrar a amada do perigo.

Há muitas cenas famosas em "Ghost". O  par sensualizando, enquanto faz um objeto em cerâmica virou meme, mesmo antes de existir essa expressão. De luto, cheia de saudades, um dia Molly sente nitidamente a presença de Sam e acontece o famoso "beijo fantasma".  Depois disso, Sam se despede para sempre e descansa em paz. A cena é embalada pela canção "Unchained Melody", doce de doer os dentes...

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HASTA LA VISTA, BABY!

Quem disse o que, quando e onde

"A Malvada", de 1951, dirigido por Joseph L. Mankiewicz, é um dos filmes mais marcantes na carreira da maravilhosa Bette Davis.

Bette é Margo Channing , uma atriz veterana famosa que contrata a doce Eve Channing (Anne Baxter) como secretária.  Eve aparentemente idolatrava Margo, mas descobre-se depois que ambicionava tomar o lugar da estrela. 

Tempos de roteiristas inspiradíssimos, no caso o próprio diretor Mankiewicz, "A Malvada" gerou diálogos inesquecíveis.  Ficou famosa a frase de Margo, dita com toda a expressão de que era capaz Bette Davis e seus imensos olhos:

"Apertem os cintos. Vai ser uma noite trepidante".

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Mens@gem para Você

Fala, internauta !

Dedé Ribeiro sugere " Rita", série dinamarquesa na mesma linha de Merli.

"Adorei Merli, e se outros leitores da coluna se interessarem, tem outra série do gênero: RITA. É uma série dinamarquesa contando a vida profissional e pessoal de uma professora. Muito bem feita, apesar de não ter o requinte da associação dos temas com os filósofos, como no caso do Merli. Compensa mostrando uma sociedade mais aberta e menos preconceituosa (Dinamarca, no caso). Tá no Netflix. Super interessante do Renato Mendonça, mas fico muito angustiada sempre que o tema é injustiça, então vou aguardar outra dica!

C&S: Dedé, entendo tua angústia quando o tema é injustiça. Também já fui mais durona e topava qualquer tema, qualquer cena...Hoje, a impotência de alguém diante da maldade e da agressão me faz fugir de filmes de prisão, por exemplo. É uma pena, pois deixas de ver um filmaço como "A Caça" e eu outros.  Pero es así...

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Brígida De Poli é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se  à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de Cinema, apenas alguém que gosta de compartilhar ideias sobre a sétima arte.



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