Cine&Séries

Nos bastidores da notícia




FORA DE SÉRIE

THE NEWSROOM ( 2012 – EUA – 3 Temporadas)

Embora tenha sido lançada há cinco anos, a série passou despercebida por muita gente. A boa notícia é que " The Newsroom" continua disponível no canal HBO/Net. A crítica foi bem dura quando da estreia e a badalada revista "Rolling Stones" chegou a dizer que "Newsroom" era a melhor série ruim da história. Tirando a frase de efeito é bom dizer que os diálogos são tão longos e rápidos que é preciso ligar todos os neurônios para não perder nada. Mesmo assim, "fiquei devendo" muitas vezes, ok. Para jornalistas, principalmente os que fazem televisão, eu diria que a série é obrigatória, seja para amá-la ou detestá-la.

A história: Will McAvoy, interpretado por Jeff Daniels, é um dos âncoras mais respeitados da TV americana. A série começa quando ele responde asperamente à pergunta tola feita por uma estudante durante debate universitário( veja o trailer ). Entra em crise, tira férias compulsórias e ao voltar encontra uma nova editora chefe , justamente alguém com quem teve forte ligação no passado. Começa a briga pela audiência, pela manutenção do emprego e pela qualidade. A partir daí acompanhamos o dia a dia enlouquecido de uma redação de TV, com seus jovens produtores mais enlouquecidos ainda, tentando investigar e colocar um bom jornal no ar.

McAvoy é ranzinza, impaciente, adepto do Partido Conservador, mas ético. Briga para que o mais importante seja a notícia e não a audiência. Entre "bolas dentro" e "bolas fora", a equipe vai aprendendo a respeitar o arrogante"medalhão" e vice-versa. Os assuntos que vão ao ar são reais, como a morte de Bin Laden. O presidente era Barack Obama, o que deixa no ar uma curiosidade: como a série seria agora na era Trump ? No mais, o trabalho vai se entremeando com os problemas amorosos dos personagens. Jeff Daniels recebeu o Emmy de melhor ator pelo papel. De quebra, o elenco traz Jane Fonda como a presidente do canal onde McAvoy apresenta o seu programa. E aí ? Vai arriscar?

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PEQUENO DICIONÁRIO PARA ENTENDER A SÉRIE MANIA

Lá vamos nós para a 3ª lição de serielês, assim a gente não fica com cara de "não tenho a menor ideia do vc está falando"...

Plot Twist :  é quando a trama sofre uma reviravolta e muda o os rumos da série. Às vezes a gente gosta, mas se o nosso personagem favorito morre, por exemplo, aí não tem graça... 

Shippar/Shipper: curtir muito um casal da série. Os ships (casais) viram um só com a junção dos dois nomes : Brangelina ( Brad e Angelina, agora desfeito) é o mais famoso. Eu, por exemplo, shippo Brienne e Tormund, de Game of Thrones. Não sei se fica Briemund ou Torienne! E você, shippa o par de alguma série ? Conte pra gente.



The Pixel Factor

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O LIVRO QUE VIROU FILME

Fahrenheit 451 ( Ray Bradbury – 1953)

Sinopse oficial : "Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial 'Fahrenheit 451', de Ray Bradbury , é um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. O livro se propõe a descrever um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos".

O personagem Guy Montag  trabalha para o governo no grupo de bombeiros que não debela incêndios– os prédios são à prova de fogo - mas queima livros e tudo que se refira à leitura. Um dia, através do olhar de Clarisse McClellan, uma jovem de 16 anos, ele percebe que é infeliz no casamento, na profissão e na vida. Uma pergunta chave a Guy é "você lê os livros antes de queimar ?". Se antes ele era um servidor que achava natural caçarem e prenderem os rebeldes que ousassem ler e esconder livros, agora ele subverte a ordem e procura a felicidade.

O filme:

"Fahrenheit 451" (1966) foi o quinto filme dirigido por François Truffaut , um dos mais prestigiados cineastas franceses. Foi também seu primeiro trabalho em cores e em língua inglesa. Mais tarde Truffaut achou que o texto não ficava bem nesse idioma e disse que preferia a versão dublada na língua materna.

Já nos créditos falados e não escritos como seria o habitual, o filme antecipa que a leitura é algo proibido naquele futuro imaginado pelo autor. A jovem que mostra outra realidade ao bombeiro Guy Montag (Oskar Werner ) é interpretada pela musa da época, a belíssima Julie Christie. Ela interpreta também a esposa de Guy.

Entre os muitos bons diálogos há um que faria rir se não fizesse chorar. Clarisse pergunta a Guy por que ele queima livros. E a resposta é:

"Bem, é um trabalho como qualquer outro. Um bom trabalho, com muita variedade. Às segundas, queimamos Miller; às terças, Tolstói; às quartas, Walt Whitman; às quintas, Faulkner; e aos sábados e domingos, Schopenhauer e Sartre. Nós os queimamos até virar cinzas e então queimamos as cinzas. Esse é o nosso lema."

Se "Farenheit 451" fosse refilmado hoje provavelmente viraria um filme de ação. Não é o caso do original que tem o ritmo do cinema clássico europeu, o que pode não agradar ao público que prefere o modo americano de filmar. Vale conferir, afinal censura à arte, infelizmente, é um tema atual...

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OUTRAS  PALAVRAS 


No limite 

Por Jayro Schmidt

Ao ser convidado a comentar um filme de minha predileção, como relâmpago me veio à mente Limite, raridade na cinematografia brasileira por ser cine-poema, escrito com o impacto de uma visão do autor, Mário Peixoto, ao passar por uma banca de jornal em Paris, quando a imagem estampada na capa de uma revista fez irromper nele o que seria o filme, cujos fotogramas podem ser lidos como longa e enigmática frase visual. Limite foi escrito e filmado como poema. Havia algo latente em Mário Peixoto, algo que aconteceu no âmbito familiar e que, no dia da banca de jornal em 1929, encontrava as imagens de uma imagem que o estremeceu em função do conflito com seu pai. Não se conhece detalhes da divergência, somente indícios no filme e no livro que posteriormente escreveu, O inútil de cada um, reeditado com o exemplar salvo do ódio do pai, que comprou toda a edição, queimando-a.

A foto da revista "Vu" fez reboar em Mário Peixoto, nas suas palavras, "uma coisa meio secreta", e teve a visão de "um mar de fogo, um pedaço de tábua e uma mulher agarrada". O filme inicia e termina com um píncaro e aves em sobrevoo, mas, no final, no auge do desespero de Olga no barco perdido no mar, a linha do horizonte oscila e se funde com vagas ao som de Prokofieff, "Ruídos de tempestade": choque de vagas, turbulência e repouso, vaga correndo, refluxo, turbulência, retorno da vaga, e assim por diante por volta de dez minutos até reaparecer o horizonte marinho oscilante, aos poucos a aproximação de Olga agarrada à tábua.

Em todas as vezes que assisti Limite a plateia ficou em total silêncio, imobilizada, e ainda por alguns minutos após o término da projeção. Tantas pessoas sentiram o mesmo que sentiu Mário Peixoto durante a visão, uma "extrema limitação"? Mais tarde ele explicou que o título do filme somente poderia ser este, "limite".

(*)Jayro Schmidt é professor, escritor e artista plástico.

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EM CARTAZ

Art7 -Cineclube Fundação Cultural Badesc – Florianópolis – 19h

Se um filme de Fellini já é bom, imagine um festival inteiro! A programação começou com "Os Boas Vidas", mas ainda é possível assistir durante o mês de novembro : "A Estrada da Vida" (07), "Noites de Cabíria" (22), "Julieta dos Espíritos" (29). É um belo cardápio para se conhecer um pouco da obra do mestre italiano.

Federico Fellini é simplesmente um dos maiores diretores da história do Cinema.  Ele preferia não escrever a cena e sim desenvolvê-la à medida em que a filmava.  Quando tinha uma ideia fazia story board, ou seja, desenhava o que ia filmar.Também gostava de editar o próprio material e, às vezes, incluía diálogos na dublagem que não existiam, o que enlouquecia sua equipe técnica.

Tudo isso era sua assinatura nas histórias oníricas e figuras exuberantes que colocava na tela, como as famosas mulheres de seios enormes.

E por falar em Fellini ...
O Festival do Art7/Fundação Badesc não incluiu "Amarcord" ( em tradução literal, algo como "eu me recordo"). Nele, Fellini usa suas memórias de adolescente em Rimini, Itália, e  - numa espécie de sonho -faz a gente rir e chorar, sem usar as "pegadinhas" comuns nos filmes americanos para causar emoção. Há cenas antológicas ao longo do filme, como aquela em que o cego pede que narrem para ele a passagem do transatlântico Rex, acontecimento que a cidade inteira correu para ver ... Não há atores conhecidos, o roteiro não conta uma historinha, há uma sucessão de personagens muitas vezes bizarros que povoaram a vida do jovem Federico...mas ah, que beleza!

Se eu gosto muito de "Amarcord" ? Digamos assim que se eu fosse obrigada a escolher ter visto UM único filme na vida, esse seria "Amarcord".

E você, querido leitor, qual seria "O" seu filme ? Remexa no baú das lembranças cinematográficas , encontre o seu "Amarcord" e compartilhe com a gente  aqui ou pelo cineseries@portalmakingof.com.br

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É COISA NOSSA

O documentário "Waldo Vieira, Vida e Obra", dirigido e roteirizado pela jornalista catarinense Kiria Meurer, agora está disponível no Now/NET. Produzido em 2014, o documentário de 56 minutos conta a história do médico que era considerado um dos mais importantes parapsíquicos . Waldo foi propositor das ciências Projeciologia e Conscienciologia, traçando um panorama das experiências fora do corpo humano.  O médium faleceu em 2015, aos 83 anos. As imagens do documentário são de Jean Carlos de Souza.


Waldo Vieira e a diretora Kiria Meurer

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PIPOCA NEWS

O Cineclube da Mostra de Cinema Infantil programou mais um filme com entrada gratuita no CIC-Centro Integrado de Cultura, Florianópolis

11/11 – sábado – 16h

Tainá 2 - A Aventura continua,  de Mauro Lima ( Ficção, Brasil, 2004, 80')

A pequena índia Catiti anda pela floresta seguindo e imitando Tainá, hoje uma linda e corajosa adolescente. Elas inutilizam as armadilhas dos traficantes de espécimes raros. Encontram Carlito, garoto da cidade à procura de seu cachorrinho perdido, que Catiti resgata e quer adotar. Quando uma quadrilha se apodera dos bichinhos de estimação da aldeia, todas as crianças devem esquecer as diferenças de cultura e temperamento para socorrer os amigos sob a liderança de Tainá.

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BEIJO DE CINEMA

Faça chuva ou faça vento, John Wayne não deixa Maureen O`Hara sem beijos, ou melhor, beijões! A dupla tinha tanta química nas telas quanto Liz Taylor e Richard Burton ou Angelina Jolie e Brad Pitt, mas diferentemente desses casais, Wayne e Maureen  não chegaram a namorar ( ao menos oficialmente).  Eles fizeram cinco filmes juntos, todos de sucesso: "Rio Bravo" (1950), "Asas de Águia" (1957), "Quando um homem é um homem " (1963) e " Big Jake" (1971).

Mas o mais famoso foi "Depois do Vendaval" (1952), onde a irlandesa de cabelos vermelhos e olhos verdes foi "domada" pelo boxeador interpretado pelo cowboy-mor do Cinema americano.  Analisado sob um olhar atual, o final é bem machista, mas naquela época quem se importava com isso?  A película recebeu o Oscar de melhor direção e fotografia naquele ano. 

Há dois beijos icônicos no filme, cada qual sob uma intempérie... Qual você prefere? Como acho a sequência do vendaval uma perfeição, sou mais o "amasso" na ventania!

 

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HASTA LA VISTA, BABY !

Esta semana não escolhi apenas uma frase, mas diálogos inteiros . E não se trata daqueles brilhantes roteiristas dos anos 50. "V de Vingança , um thriller futurista com Natalie Portman, é de 2006.

As melhores falas se dão quando o personagem (cuja máscara virou símbolo dos ativistas digitais conhecidos como Anonymus, lembram?) invade a única emissora de TV de Londres e dá uma sacudida na população apática, dominada por um governo fascista pós-guerra.

Obs.: Qualquer semelhança com a realidade atual é mera coincidência...

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"E a verdade é que há algo terrivelmente errado com o país. Crueldade e injustiça, intolerância e opressão. Se antes você tinha liberdade de se opor, pensar e falar quando quisesse, agora você tem sensores e câmeras obrigando a se submeter . Como isso aconteceu? Quem é o culpado?"

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"Há alguns mais responsáveis que outros e eles vão arcar com as consequências, mas a verdade seja dita, se procurarem culpados... basta vocês se olharem no espelho".

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"O medo dominou vocês e recorreram ao alto chanceler, Adam Sutler. Ele prometeu ordem. Prometeu paz. Tudo o que ele pediu em troca foi o seu consentimento silencioso."

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"Ainda que nossa integridade valesse pouco, era tudo o que tínhamos."

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"As pessoas não deveriam ter medo do seus governos, os governos é que deveriam ter medo das pessoas."

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"Os artistas usam a mentira para revelar a verdade,
enquanto os políticos usam a mentira para escondê-la."

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"Eu dedico esse concerto à senhora justiça que há muito tempo tirou férias desse país e em reconhecimento ao impostor que tomou o seu lugar."

(O roteiro é assinado pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski , que já foram os irmãos Larry e Andy, mas isso é outra história...)

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Mens@gem para você

De: Dedé Ribeiro

Presentão de aniversário estar citada na coluna que mais gosto! <3 (As partes que falam dos outros são boas também! kkkkkk)

Foi merecido, Dedé ( apesar de teres desbancado minha equipe na mímica)...

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Sobre a colunista:

Brígida De Poli é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de Cinema, apenas alguém que gosta de compartilhar ideias sobre a sétima arte.

Contato: cineseries@portalmakingof.com.br.



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