Cine&Séries

A primeira vítima da guerra é...




FORA DE SÉRIE

Deadline Gallipoli  ( minissérie – 4 episódios –  Austrália /2015)

Escondidinha no Canal TNT Séries está a produção "Deadline Gallipoli", inspirada na Campanha Gallipoli ou Batalha de Dardanelos,  o sangrento conflito de 1915, durante a Primeira Guerra Mundial. O nome vem da península turca Gallipoli, onde a Anzac  ( sigla da junção dos exércitos australiano e neozelandês) atuou pela primeira vez.

Em quatro episódios, a minissérie mostra os horrores da guerra, os comandantes incompetentes decidindo sobre a vida de milhares de jovens soldados sem sair de seus confortáveis gabinetes e os preconceitos internos das tropas multinacionais. O objetivo dos aliados era tomar Constantinopla – hoje Istambul - e forçar o Império Otomano a se retirar da guerra. A operação, liderada pelos britânicos, durou oito meses e foi um fracasso. 

Resultado: a morte de cerca de 130 mil franceses, ingleses, neozelandezes, australianos e turcos.

Quem gosta do gênero, vai apreciar, mas mesmo quem não é muito fã das histórias de guerra terá outros focos de interesse. O fio condutor é a ação de quatro jornalistas para mostrar o que se passava realmente na península e o quanto a terrível realidade mexe com cada um.  Os correspondentes lutavam contra aquilo hoje já virou um clichê : "na guerra, a primeira vítima é a verdade". A verdade exposta pelos jornalistas poderia por fim ao massacre, mesmo que custasse a sua vida ou uma acusação de traição pela Coroa.

O elenco é muito bom: Sam Worthington ( conhecido por "Avatar", "A Cabana"), Charles Dance ( o patriarca Lannister de "Game of Thrones") e outros nomes conhecidos. A minissérie foi produzida para marcar o centenário da batalha em 2015, mas só agora chegou ao Brasil. Prepare seu coração e bom proveito!

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Pequeno Dicionário para entender a série mania (2)

Vamos continuar com nossas lições de seriefilês. Mais três expressões em inglês que a gente precisa conhecer para não ficar : " hã"???

Spin - Off: é uma série derivada de outra, como "Better Call Saul" é derivada de "Breaking Bad"

Season Finale:  se refere ao último episódio de uma temporada.

Series Finale:  é o último episódio de toda a série, aquele que muitas vezes faz o seriéfilo pegar uma caixa de lenços!

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O LIVRO QUE VIROU FILME

"Os Vestígios do Dia " ( 1989)– Kasuo Ishiguro

O nipo-britânico Kasuo Ishiguro  é o ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2017. O fato traz à lembrança seu romance mais famoso, graças ao cinema, "Os Vestígios do Dia".  Como desta vez não li o livro, apenas vi e revi o filme, me limito a utilizar a resenha oficial da editora Cia das Letras. "Neste livro do ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2017, o mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje Mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos."

Então vamos ao filme inglês de 1993 ! Pela sinopse, vê-se que a roteirista foi bem fiel ao livro. No eixo principal do filme ( são três histórias que se entrelaçam), o mordomo Stevens é interpretado por Anthony Hopkins e a governanta, Mrs.Benn,  por Emma Thompson. É ou não é um ótimo começo? O diretor James Ivory , apesar de americano, é mestre nesse tipo de história. Dirigiu "Uma Janela para o Amor" e " Retorno a Howard`s End"  que formam uma espécie de trilogia com "Vestígios". Os  outros dois são muito bons, mas "Os Vestígios do Dia" é o melhor deles. Stevens personifica bem o comportamento dos ingleses da época, sempre formais, educados e incapazes de expressar seus sentimentos.  Mesmo sendo de uma casta inferior, ele segue o padrão do lorde dono do castelo. Stevens não tem vida própria, vive à sombra e aos pés do seu empregador. Quem assistiu a série "Downton Abbey" percebeu a mesma coisa nos serviçais do "primeiro escalão", principalmente no mordomo Mr.Carson. Bem, voltando ao filme, Stevens jamais sai da propriedade, vive alienado do mundo exterior,  não entende que seu patrão recebe pessoas importantes na mansão na tentativa de costurar um apoio à Alemanha nazista. Em sua "cegueira", Stevens deixa passar o amor que poderia mudar sua vida, a adorável Mrs. Benn. A cena em que ela tenta se aproximar dele com o pretexto de ver qual livro está lendo, é das mais tocantes que já vi nas telas. É onde Hopkins e Emma mostram os grandes atores que são.

O final é dos mais tristes que há. Vinte anos depois, Stevens reencontra Mrs.Benn. A vida dela mudou , a dele continua quase igual ( trocou de patrão – sai o Lorde, entra um milionário americano -  afinal os tempos são outros). Solidão, tristeza, sensação de ter desperdiçado a própria vida, de ter perdido as ilusões e um grande amor...está tudo na cena. Só resta chorar.

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ESPECIAL TÍTULOS

Apertem os cintos, o tradutor fugiu... ( 3ª e última parte)

Nos tempos em que cursávamos a Faculdade de Jornalismo meus amigos e eu adorávamos jogar mímica com nomes de filmes. Nos dividíamos em duas equipes de três e procurávamos dar os nomes mais difíceis e longos para os "adversários" interpretarem dentro de um tempo mínimo. Discutíamos muito se existia ou não o título, se era justo inserir algumas palavras etc... Bons tempos em que as polêmicas eram tão leves! Bem, passado o momento nostalgia, entendam quando me refiro a títulos longos, ou melhor, loooongos !

"Uma lagartixa num corpo de Mulher" (Uma lucertola com la pelle di Donna), italiano de 1971, com a brasileira Florinda Bolkan(*)

"O efeito dos raios gama nas margaridas do campo" ( The effect of gamma rays on man-in-the- moon marigolds). Dirigido por Paul Newman com a mulher dele, Joanne Woodward. (1972). Ganhou um título adicional em português, "O Preço da Solidão", mas me recuso até hoje a chamar assim porque " O efeito dos raios..." é ótimo.

(*) E a Dedé Ribeiro, que costuma colaborar com a coluna, interpretou a lagartixa à perfeição e minha equipe perdeu daquela vez !!

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Há outros ainda maiores do que os nossos singelos títulos do jogo de mímica.

Talvez a recordista seja a minha admirada cineasta italiana, Lina Wertmuller, com "Un fatto di sangue nel comune di Siculiana fra due uomini per causa di una vedova. Si sospettano moventi poli... tici. Amore-Morte-Shimmy. Lugano belle. Tarantelle. Tarallucci e vino" ( não me peçam para traduzir... ).No Brasil virou simplesmente " Amor e Ciúme", um filmaço de 1978, com Sophia Loren e Marcello Mastroiani.

No Brasil, o hilariante "Those Magnificent Men in Their Flying Machines or How I Flew from London to Paris in 25 hours 11 minutes", de 1965ficou com a primeira parte: "Esses Homens Maravilhosos e Suas máquinas Voadoras".

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É COISA NOSSA

Pouca gente sabe que Santa Catarina é pioneira no sul do país em serviços de acessibilidade para público surdo ou ensurdecido aos audiovisuais, através da produtora e distribuidora de conteúdo Filmes que Voam.

O Brasil tem cerca de 9 milhões de surdos e outros cerca de 5 milhões de cegos. Há também um grande número de pessoas que possui alguma deficiência auditiva ou visual.

Esse público só pode curtir filmes e séries que tenham recursos de acessibilidade: LSE- legendas para surdos e ensurdecidos, Língua Brasileira de Sinais e Audiodescrição, em que um narrador descreve o que se passa na tela.

Filmes que Voam, dirigida pelo cineasta catarinense Chico Faganello, presta serviços para todo o país, distribuindo gratuitamente filmes acessíveis para esses públicos. Nesta temporada, por exemplo, há quatro grandes títulos: "A Hora da Estrela" (sobre o qual falamos aqui na coluna na semana passada) , de Susana Amaral, "O Homem que virou Suco", de João Batista de Andrade , e os documentários "Edifício Master", de Eduardo Coutinho e "Santiago", de João Moreira Salles. Um cardápio pra ninguém botar defeito!

Segundo Faganello, a acessibilidade vem crescendo, mas ainda esbarra - sobretudo nas salas de cinema - na falta de tecnologias universais que atendam este público, sem excluir ninguém. 

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FAN PAGE
​Lembra sua primeira vez ?​

O Balão Vermelho

                                                   Paulo Sá Brito (*)

Não tenho certeza se foi o primeiro filme a que assisti na vida. É provável que sim. Ou foi um dos primeiros. Eu tinha 7 ou 8 anos e fui levado ao cinema por meu pai.

O filme: O Balão Vermelho. A história: um menino encontra amarrado a um poste um balão de gás, de um vermelho intenso, cor que contrasta com o cinza das imagens do filme. Retira-o do poste e quer carregá-lo a todo lugar. Entretanto sofre algumas interdições: no ônibus, na escola e, até mesmo, em casa, é impedido de carregar o balão. Mas o balão não desiste do menino: segue-o por todos os lugares, torna-se seu amigo.

A posse do balão, por outro lado, causa inveja na garotada, que persegue o menino na tentativa de roubar ou derrubar o balão vermelho. E conseguem. Mas no mesmo instante em que os meninos acertam uma pedrada no balão e o pisoteiam, todos os balões da cidade escapam das mãos das crianças e se reúnem lá no terreno baldio onde está o menino, entristecido pela destruição do seu balão. O menino, encantado com aquela profusão de balões coloridos que chegam até ele, agarra-se neles e flana sobre a cidade, levado pelos balões.

Sem a pretensão de digressões psicológicas, esse balão-amigo, ou melhor, esse amigo-balão, é o sonho de toda criança. As fantasias da infância estão recheadas de companheiros impossíveis, que agem sem estarem submetidos a qualquer lei da natureza, da física ou da biologia. E são nossos, tão nossos quanto maior nosso desejo de tê-los.

O Balão Vermelho está impregnado em mim. Carrego lembranças nítidas daquele dia inaugural em uma sala de cinema. Recordações que não se esvaneceram nesses 60 anos.

Agora, com advento da internet, pude rever O Balão Vermelho. Agora sei tratar-se de um filme francês, de 1956, dirigido por Albert Lamorisse. Agora agradeço o gesto de meu pai, levando-me ao cinema na certeza de perpetuar em minha memória esta pequena obra de arte.

(*) Paulo Sá Brito é  autor de "Altina",  "Como quem risca a pedra" , "Antes que chegue o outono" entre outros livros.


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PIPOCA NEWS

Cineclube da Mostra de Cinema Infantil – CIC-Centro Integrado de Cultura –Florianópolis

04 /11 – 16 horas – entrada gratuita

Tainá - Uma Aventura na Amazônia, de Tania Lamarca, Sergio Bloch (Ficção, Brasil, 2001, 85min)

Tainá, uma indiazinha de 8 anos, vive na Amazônia com seu velho e sábio avô Tigê, que lhe ensina as lendas e histórias de seu povo. Ao longo de aventuras cheias de peripécias, ela conhece o macaco Catu ao salvá-lo das garras de Shoba, um traficante de animais. Perseguida pela quadrilha, ela foge e acaba conhecendo a bióloga Isabel e seu filho Joninho, um menino de dez anos que mora a contragosto na selva. Depois de um desentendimento inicial, o garoto consegue superar os limites de menino da cidade e ajuda Tainá a enfrentar os contrabandistas, que vendem animais para pesquisas genéticas no exterior. Juntos, os dois aprendem a lidar com os valores destes dois mundos: o da selva e o da cidade.

Após a sessão haverá um bate-papo mediado com o Pathwork Sul.

Obs.:A partir de outubro, uma sessão por mês será seguida de considerações a respeito do filme numa abordagem do Pathwork, técnica terapêutica que visa melhor qualidade nas relações através do autoconhecimento.

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BEIJO DE CINEMA

"Eu não mereço um beijo partido..."são versos de uma canção do compositor Toninho Horta, de 1988.  Esse triste beijo incompleto, partido ao meio, pode acontecer por hesitação, repulsa, culpa ou ... um flagrante na hora errada.

É o que acontece em " Moulin Rouge" ( 2001). Quando Satine ( Nicole Kidman) e Christian ( Ewan McGregor) se atracam no maior beijão, alguém abre a porta e...

Em "Casablanca", Rick (Humprey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) também são pegos no flagra e têm o seu beijo partido.

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HASTA LA VISTA , BABY!

As melhores frases do Cinema

"Quanto mais quente melhor" ( 1959), de Billy Wilder, é uma das melhores comédias da história do Cinema.  Tony Curtis e Jack Lemon são dois músicos que precisam se disfarçar de mulher para fugirem de bandidos. Numa turnê com a banda eles encontram Marilyn Monroe que logo se torna amiga das duas "moças". Enquanto Curtis se encanta por Marilyn, Lemon é perseguido por um milionário apaixonado. Na cena final, enquanto foge na lancha do ricaço, ele confessa que não é mulher, ao que ouve como resposta do feliz pretendente: "Ora, ninguém é perfeito"!

Wilder foi corajoso ao usar a piada nos anos 50 e "Quanto mais quente melhor" ganhou um lugar na lista dos filmes com finais mais criativos.

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Sobre a colunista:

Brígida De Poli é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de Cinema, apenas alguém que gosta de compartilhar ideias sobre a sétima arte.

Contato: cineseries@portalmakingof.com.br




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