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O quarto poder na democracia informacional


Por Ricardo Luiz Hoffmann

A civilização científico-tecnológica está transformando a informação no novo oxigênio de que vai depender a sobrevivência da espécie sapiens. A desinformação pode acabar, inclusive, com o oxigênio da água e com o oxigênio da atmosfera, que antecederam o oxigênio da informação no surgimento e desenvolvimento do ser sapiens.

Podemos chamar, hoje, a democracia tradicional de democracia desinformada. Nesse sentido, Thomas Paine já nos advertiu sobre o risco de a desinformação transformar os representantes em cortes de aristocratas políticos e reis, interessados apenas em seu próprio benefício, e não no benefício da população. Isto é, interessados apenas em encher o próprio bolso com o dinheiro das taxas e impostos pagos pela população. É o que está acontecendo, não apenas no Brasil, numa medida horrorosa, mas em todas as democracias do planeta, numa medida maior ou menor. É o problema mais grave da democracia tradicional, desinformada, criada pelas revoluções francesa e americana, com Paine, seu principal porta-voz intelectual, advertindo sobre esse risco de a desinformação transformar essa democracia desinformada em cortes de aristocratas e reis políticos, eleitos para cuidar de seus próprios interesses e não dos interesses da população.

Paine não pôde nos sugerir um remédio para isso. Apenas nos advertiu sobre o risco, porque não testemunhou a revolução comunicacional-informacional de que dispomos

O que temos que fazer é criar um quarto poder dentro da democracia, para complementar os poderes Legislativo, Executivo, e Judiciário. Esse quarto poder, será o poder Informativo. Cuja responsabilidade será a de super-informar toda a população, em todos os sentidos possíveis. Antes de mais nada super-informar a população sobre tudo que estão fazendo seus representantes políticos durante as vinte e quatro horas do dia. Isto é, impor uma situação dentro da qual fique bem definido em lei que vida pública não é vida privada, que quem optar pela vida pública fica sujeito a privacidade zero. Com o Poder Informativo da democracia, encarregado dessa fiscalização integral do comportamento dos políticos, vinte e quatro horas por dia, empregando nisso todos os recursos científicos e tecnológicos da revolução comunicacional-informacional que está aí, disponível para transformar a democracia representativa tradicional, desinformada, de Thomas Paine, numa democracia informacional.

Esse quarto poder dentro da democracia informacional, moderna, deverá assumir todos os programas que envolvem o trabalho de super-informar a população. Assim, esse quarto poder abarcará a educação,o desenvolvimento científico-tecnológico,e todas quaisquer outras atividades que envolvam esforços para super-informar a população.

A ordem operacional da democracia informacional, definida por uma taxonomia modernizada, dirá que a sucessão lógica de poderes é a seguinte: Primeiro informar toda a população, papel do Poder Informativo, depois legislar sobre as conveniência comportamentais, papel do Poder Legislativo, depois julgar todos os deslizes cometidos na sociedade, papel do Poder Judicativo, e por fim executar serviços para a população, papel do poder Executivo. Fica bem claro, em termos modernos, que tudo, hoje, é cada vez mais dependente da informação. O Poder Informativo sendo a única coisa capaz de salvar a democracia tradicional, a desinformada, do risco em que caiu, previsto por Thomas Paine. Que não previu a revolução comunicacional-informacional, e seu poder. 



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