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Convergência entre religião e ciência


Por Ricardo Luiz Hoffmann*
 
O maior problema da humanidade sempre foi, é, e continuará sendo ética. A última grande mudança dentro dessa questão, deu-se com a psicologia pós-freudeana, que está agora trazendo à luz a possibilidade de uma ciência do comportamento pós-revolução comunicacional-informacional. O que tornou isso viável foi o conceito básico de que o bombardeio informacional por parte do meio-ambiente é muito mais poderoso do que a herança genético-tramatológica. Defendem essa idéia, entre outros, Jung, Pavlov, Skinner, Wiener, Bentham, Foucault, Gerald Edelman.
 
Esse princípio, defendido pelos psicólogos modernos, nos leva a perceber, dentro da cibernética social, que seria possível, com a ciência do comportamento pós-revolução comunicacional-informacional, estudar-se a ação humana e a informação que a condiciona, com o objetivo, ético, de favorecer as boas ações e combater as más. Mas, para se fazer isso é necessário liberdade informacional, o cruzamento ininterrupto de todo o conhecimento humano com a toda a ação humana, para se definir o caminho ético o mais universal possível para a humanidade.
 
A ciência, com isso, se posiciona numa atitude objetiva convergente com o objetivo das religiões. Instaurar mais ética dentro da humanidade. O demônio que luta contra esse objetivo da ciência, convergente com o das religiões, é a falta de liberdade informacional. Para se ir adiante buscando ética via ciência, é necessário total liberdade informacional, incluído nisso abolição da propriedade da informação. 
 
Mudança gigantesca. Nada fácil de ser condicionada. Mas a única coisa que pode salvar a humanidade de seu auto-destruir, como previsto por Skinner e outros pensadores, como sendo algo perfeitamente possível. Trump, guerra nuclear,etc.
 
Que sociedade pode dar os primeiros passos decisivos nessa direção? As que hoje são as mais desenvolvidas, dificilmente. Pois seu desenvolvimento é baseado da propriedade absoluta, comercial ou estatal, da informação. E elas não querem mudança. As sociedades mais naturalmente destinadas a produzir a revolução cultural capaz de levar a ciência a convergir em seu objetivo com o objetivo das religiões, a ética, uma nova ética, são aquelas que controlam em boa parte o conhecimento científico e tecnológico moderno, mas não conseguiram com isso se organizar ainda. Vivendo dentro da bagunça sócio-econômica, sem o poder, totalmente conservador, dos países hoje já mais desenvolvidos. 
 
A América Latina nos parece o ambiente mais propício no mundo para se tentar esse passo futurista, fazer ciência e religião convergirem em seus objetivos. O atual Papa, argentino, é um bom exemplo de intuição nessa direção. Falta pouco, na defesa que Ele faz de suas idéias, para chegar lá, à percepção de que o grande fenômeno sociológico moderno é, cada vez mais, essa possibilidade de convergência entre os objetivos da ciência e das religiões.    
 
O Brasil tem tudo, agora, com essa bagunça que está aí, para acordar e fazer alguma coisa nesse sentido. Pelo menos no campo da política temos que perceber em definitivo que a corrupção é fruto da desinformação que reina dentro da nossa democracia representativa. Um problema contra o qual já no advertiu Thomas Paine. Se abrirmos completamente a informação no terreno político - zerando a privacidade dos políticos, uma vez que vida pública não é vida privada – poderemos, produzindo a ética dentro da política, mostrar como a ciência do comportamento moderna - aplicada aos políticos pelo menos – pode ajudar nessa convergência entre os objetivos da religião e da ciência. 
 
*Escritor


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